quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Coisas melhores do que beijos, agora

FOTO DO GATO NA CADEIRA DE ARQUIVO DO MEU FILHO

{todos estão convidados a jogar com as peças escuras, a partir do segundo lance cada partida não se envolverá em outra}

1º Lance = P4BD

Desde muito criança eu já pensava que psicologia é coisa de frescos e frescas, estou bem próximo dos cinquenta anos e ainda continuo achando estes tipos de pensamentos tolos.
Mas antes vamos lembrar um pouco, não há outro meio de satisfação na metáfora do que enfim enterrar passados.
Dinheiro só achei uma vez, era uma nota de dez em um tempo que eu refletia muito pouco, significava simplesmente que eu podia comprar dez veses uma coisa que custasse uma nota de um. A reflexão, até hoje, para mim, é um refinado estado de espírito que se reflete em qualquer parte do corpo.
Lembro da minha alegria, eu queria até que o mundo inteiro ficasse sabendo, e isso foi, certeza que também carrego até a morte, a razão de ter perdido aquela nota de dez, fato desagradavelmente requintado na memória, porque aconteceu no momento justo da prova que não devemos nunca dividir nossas alegrias, eu demorei tanto para gastar, talvez para manter o maior tempo possível meus 15 minutos de fama, quando comprei dez doces de dez sabores diferentes, na hora de pagar, o dinheiro havia sumido.
Na forma de lembrar o passado, na forma de sincronizar as lembranças, os fatos, este com aquele, uns com outros - sem se importar em conhecer a forma de construir a memória, nesta inconsciência também ignorada por capricho ou preguiça - percebi que sempre a motivação do talento inato fora corrompido.
Não importa o campo onde viesse atuar, na pintura, por exemplo, muito cedo, diz-se precocemente, depois daquele ensaio geral feito exercício muscular, no momento quando me vi capacitado a portanto criar um próprio gênero, alcançar minha linguagem pictórica essencial, caiu em minhas mãos, literalmente do céu porque em momento e lugar certo, numa revista de refinada qualidade gráfica, fotos de inúmeros quadros de Salvador Dalí.
Daí em diante, refleti de maneira sui generis que melhor faria para para a civilização, pelo menos do meu tempo, era não mais tentar, na pintura, desenvolver determinada linguagem, porque o objetivo fora alcançado e mais do que fêz o surrealismo, em Dalí, seria devaneio inócuo.
Na literatura, exclusivamente na ficção, ocorreu exatamente a mesma coisa. Devo ter exercitado-me por talvez uma década ou mais, então novamente no momento certo e lugar certo, enfim conheci Rubem Fonseca. Refleti e decidi, o melhor da ficção, daqui para frente será devaneio à toa.
Só em momentos de extrema necessidade, e quando as alternativas diminuem ao mínimo, uso banheiro público. Foi na segunda vez da Feira da Vila Madalena - muita gente, neste instante do texto, mastiga uma deliciosa saudade -, na padaria da esquina da rua Wisard com a Fradique Coutinho; feliz ou infelizmente, hoje vestida de prada.
Procurei desesperadamente pelo menos uma seda, não encontrei, ou melhor, só encontrei uma - guardem esta imagem como talentosa metáfora do devaneio. Então, alguém havia deixado cair, já toda pisoteada, uma pasta de papelão, com decalques e tudo na capa, que deveria servir às minhas necessidades extremas do momento.
Mesmo antes de abaixar a calça até as canelas, olhei o conteúdo da pasta, 14 páginas grampeadas xerocadas do conto O Cobrador, de Rubem Fonseca.
Quando eu sai daquele banheiro de todo imundo, ficção nenhuma, nada mais deveria escrever, se tivesse que fazer melhor.
E são inúmeras lembranças semelhantes; quis ser jogador de futebol, então assisti um jogo do Santos no Pacaembú, um gol do Pelé de bicicleta e tudo; quis ser bombeiro, acompanhei o incêndio in loco do edifício Joelma; também quis ser policial à paisana, para isso então, quis ser psicólogo, psiquiatra e filósofo, como mero exercício de telento antes de propriamente exercê-lo, e aconteceu a mesma coisa; a última coisa que quis, faz pouco tempo, era ser imortal, e ainda estou na fase dos exercícios de musculação, mas não é fácil com toda esta memória ainda sobre os ombros.
O pior de tudo, o que realmente corrompe meu talento, é saber que minha corrupção não serve para mais nada além das pessoas acharem que é frescura, e esta atitude de todos, sem excessão, se repete infinitamente mais do que o total de tudo que eu seja capaz de lembrar, o que talvez me motiva a achar pensamentos, iguais àquele do primeiro parágrafo. Por tudo isso, às vezes até tento refletir-me como um paciente, propriamente necessitado, de terapia psicológica.
Para finalizar este post, então, deixo com voces um fragmento, a parte final do "poema", daquela inexpugnavelmente sensação dentro do banheiro na Vila Madalena.

Hoje é dia 24 de dezembro, dia do baile de Natal ou Primeiro Grito de Carnaval. Ana Palindrômica saiu de casa e está morando comigo.
Meu ódio agora é diferente.
Tenho uma missão.
Sempre tive uma missão e não sabia. Agora sei.
Ana me ajudou a ver.
Sei que se todo fodido fizesse como eu o mundo seria melhor e mais justo.
Ana me ensinou a usar explosivos e acho que já estou preparado para essa mudança de escala.
Matar um por um é coisa mística e disso eu me libertei.
No Baile de Natal mataremos convencionalmente os que pudermos.
Será o meu último gesto romântico inconsequente.
Escolheremos para iniciar a nova fase os compristas nojentos de um super mercado da zona Sul.
Serão mortos por uma bomba de alto poder explosivo.

Adeus, meu facão, adeus, meu punhal, meu rifle, meu Colt Cobra, adeus, minha Magnum, hoje será o último dia em que voces serão usados.
Beijo o meu facão.
Explodirei as pessoas, adquirirei prestígio, não serei apenas o louco da Magnum.
Também não sairei mais pelo parque do Flamengo olhando as árvores, os troncos, a raiz, as folhas, a sombra, escolhendo a árvore que eu queria ter, que eu sempre quis ter, num pedaço de chão de terra batida. Eu as vi crescer no parque e me alegrava quando chovia e a terra se empapava de água, as folhas lavadas de chuva, o vento balançando os galhos, enquanto o carro dos canalhas passavam velozmente sem que eles olhassem para os lados.
Já não perco meu tempo com sonhos.

O mundo inteiro saberá quem é voce, quem somos nós, diz Ana.

Notícia: O governador vai se fantasiar de Papai Noel.
Notícia: Menos festejos e mais meditação, vamos purificar o coração.
Notícia: Não faltará cerveja. Não faltarão perus.
Notícia: Os festejos natalinos causarão este ano mais vítimas de trânsito e de agressões do que nos anos anteriores.
Polícia e hospitais preparam-se para as comemorações de Natal.
O cardeal na televisão: a festa de natal está deturpada, o seu sentido não é esse, essa história de Papai Noel é uma invenção infeliz.
o cardeal afirma que Papai Noel é um palhaço fictício.

Véspera de Natal é um bom dia para essa gente pagar o que deve, diz Ana.
O Papai Noel do baile eu mesmo quero matar com o facão, digo.

Leio para Ana o que escrevi, nosso manifesto de Natal para os jornais.
Nada de sair matando a esmo,
sem objetivo definido.
Eu não sabia o que queria,
não buscava um resultado prático,
meu ódio estava sendo desperdiçado.
Eu estava certo nos meus impulsos,
meu erro era não saber quem era o inimigo
e por que era inimigo.
Agora eu sei.
Ana me ensinou.
E meu exemplo deve ser seguido por outros,
só assim mudaremos o mundo.
É a síntese do nosso manifesto.

Ponho as armas numa mala.
Ana atira tão bem como eu, só não sabe manejar o facão, mas essa arma agora é absoleta.

Damos até logo a dona Clotilde.
Botamos a mala no carro.
Vamos ao baile de Natal.
Não faltara cerveja, nem pirus.
Nem sangue.
Fecha-se um ciclo da minha vida e abre-se outro.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Depois da Tempestade



ESCREVER TORTO POR LINHAS CERTAS

Por mais distantes que estejamos, não importando qual seja o motivo do alheamento do mundo - Internet, escolha própria, doença, ignorância, droga, presunção intelectual e mais todas as variações possíveis aos sete pecados capitais - creio eu, ainda assim temos que nos sustentar sobre universais estruturas de intersubjetividade: Verdade e Bondade para o que chamamos de sentido da espiritualidade, e Beleza e Amor para o que chamamos de sentido corporal.
De uma maneira ou outra, respeitando o tempo e lugar que vivemos, de acordo com o grau e talento que desenvolvemos, aquelas estruturas jamais podem ser omitidas.
Quando eu grito alucinado/desesperado contra Deus e o Ensino, é porque antevejo o resultado desastroso quando ocorrem tais omissões. E a única razão da minha desesperada alucinação é exatamente por saber que todo alheamento, fundamentalmente, é real; é produto da minha relação, física/espiritual, com os outros. Portanto, para dizer de maneira vulgar, não adianta nem morrer nem matar, porque qualquer gesto unilateral contra tal alienação será assimilado como mais distanciamento do mundo.
Neste instante do texto, todos, sem excessão, devem estar concluindo que a alucinação e o desespero atingiu estágio terminal, e que talvez nem mesmo um absurdo tratamento de choque elétrico ou químico possa recuperar-me para o bom convívio. A mesma conclusão de Pilatos!!!
A mesma decisão de Pilatos: um desespero sereno, racional, porém extremamente covarde.
E é tão evidente que estou também atolado até o pescoço(!!!) nesta alienação implacável, que minha vontade, no instante anterior do texto, dois parágrafos atrás, foi esmurrar tão forte a ponto de estourar este monitor, ou, graças a Deus foi o que fiz, ir até a cozinha xeretar o que cheirava tão bem na cozinha.
O mais agradável da Vida, sem dúvidas, é saber, dentre tantos motivos contrários à própria, que voce, neste instante total(tempo/espaço), pensa em mim, da mesma forma como sempre estou pensando em voce, não importando qual seja o motivo(!) com nossa intersubjetividade plena.
Em outras palavras, poeticamente: dentro ou fora, da gente ou do mundo, estamos juntos.
Assim, perdoem-me se acaso vêem presunção em nosso devir, Deus e o Ensino não estão a pecar, quando aprendemos que um "beijo" pode superar qualquer suposto benefício dos choques.


domingo, 13 de setembro de 2009

Remendos e destruições sui gerneris


Salvem a internet
Ao tentar transformar este espaço em debates
eu deveria limitar-me aos dois campos
'inversamente opostos': Arte e Verdade

Preciso explicar, mas não sei a quem
se àqueles que querem a verdade sobre
aqueles que querem a arte pela arte ou
a estes que querem somente a subversão e.

Aos amantes gelados da verdade absoluta
que não enxergam a beleza e sua prática
explicar já seria prova 'cabal' de mentira...

Aos chapas quentes amantes do belo caos
que toda explicação é aceita ao acumulo
explicar seria uma 'conivência organizada'
ou mais sustinhos aos inocentes e esnobes

Claro que posso encontrar muitos na média
entre tais opostos de mesmo interesse posto
pela 'história' daqueles feios e mentirosos...

E mais claro ainda é saber que os muitos
se tornam tão poucos ou raros quando um debate
se amplia para entender qual é a prática estética
e a 'mais verdadeira' teoria da verdade, e por quê?

Entre acumulo de provas cheias ou vasias de sentido
eu poderia fazer uma incursão na História Geral e
'ensinar' sobre a origem dos conceitos Arte e Verdade...

Mas não vou cometer o pecado do criador dos pecados
e tentarei sobreviver à morte literal ou metafórica
nestes espaços onde arte e verdade ainda possuem
o mesmo sentido: equivalência entre eu e o cosmos.

sábado, 12 de setembro de 2009

Das inversões implacáveis



Tesão responsável

O que era irreal
tornou-se real, e
o que era excitante
é insípido

Os amigos
por quem nos preocupávamos
foram transformados
em sombras

As mulheres
uma vez tão divinas
as estrelas, as florestas, as vertentes
por que agora são tão monótonas e comuns?

As jovens
que levavam uma aura de infinidade
no presente dificilmente possuem
existências distinguíveis

Os quadros tão vazios...

E no que diz respeito aos livros
o que "existia" de tão misteriosamente
significante em Goethe
ou de tanto peso em James Mill?

Ao invés de tudo isso
mais repleto de deleite do que nunca é o trabalho
e mais completa e profunda a importância
dos deveres e bens comuns

&

Tesão irresponsável

Suponhamos três pessoas
nos dizerem sucessivamente:
"Espere!"
"Escute!"
"Olhe!"

Nossa consciência
é atirada em três atitudes
bastante diferentes
expectativa

Apesar de que nenhum objeto
definido
está diante dela
em qualquer dos três casos

Omitindo
diferentes atitudes corporais
reais
e omitindo as imagens
reverberativas das três palavras
que são obviamente diversas
(virtuais)

Provavelmente ninguém
negará a existência
de uma afecção residual
de um sentido de direção
do qual uma impressão está por surgir
embora nenhuma
impressão positiva
ainda se encontre ali

Entrementes
não temos nomes
para as psicoses em questão
além dos nomes
escuta, olha e espera

&

Tesão irrecusável

Cada um de nós
faz uma grande cisão do universo
em duas metades

E cada um tem quase todos
os interesses ligados
em uma das metades
mas todos nós traçamos
a linha divisória entre elas
num lugar diferente

Quando digo que todos nós
chamamos as duas metades
pelo mesmo nome
esses 'dois nomes' são
eu e não-eu respectivamente

Nenhuma mente pode
ter o mesmo interesse
no eu de seu vizinho
como no próprio

O eu do vizinho imerge
junto com todo o resto
das coisas numa massa estranha
contra a qual seu próprio eu
se coloca em realce surpreendente

Mesmo o verme esmagado
contrasta seu próprio 'ego sofredor'
com todo o universo restante
apesar de não ter nenhuma
concepção clara
seja de si mesmo
seja do que o universo possa ser

Ele é para mim uma mera parte
do mundo
para ele sou eu a mesma parte

Cada um de nós dicotomiza
o cosmos
num lugar diferente

(configurações livres)
(Princípios de Psicologia - William James
tradução de Pablo Rubén Mariconda - Abril editora)

§

Tesão recusável

No caleidoscópio
de cada ser
a cada experiência
voce vê o mundo

Não coisas
Não cores
Não palavras
Não números
Não nomes
Não significados
Não desejos

Não tem como saber
como 'sacudir'
para escolher
cada aparição

Se eu gosto assim
infeliz ou feliz
naturalmente
são "meus olhos"

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Esprit de finesse




O direito

Voce se olha
na forma mais tranquila, como se
em ambiente familiar, incluindo animais domésticos
e objetos resguardados com mais afetos

Voce se olha
então no espelho de sua morada
dividida ou não entre laços de sangue e ou interesses
que comporta, suporta e importa à tranquilidade

Voce se olha
todavia nos olhos da convivência
associada em igual medida na totalidade
de sua própria imagem refletida

Voce se olha
para estar inserido no roteiro
de um contexto mais ou menos escrito
nos resultados ou promessas dos atos e ideias

Voce se olha
se tal metade considerada permanece se não a mesma
pelo menos semelhante
ao seu próprio estado de tranquilidade

O avesso

Tenho vontade de morrer realmente
mas agora a poucos meses de meio século
já estou morto de vergonha virtualmente

Já é um bocado tarde
para confundir mortes ou até melancolias modernas
e vestir uma coleira de cão

Coloca-se animais na corrente
quando estes ainda são capazes de fugir
e sair pelo mundo mordendo as pessoas indiscriminadamente

Já faz tempo que Victor Hugo mostrou a cara
dos verdadeiros miseráveis, da função social das Genis e
dos algozes justiceiros que vem do céu

Meus dentes se enfraquecem, o faro se faz requinte
quando deveria desaparecer e meus pelos
não se eriçam mais contra quem rouba-me a comida

E o quanto mordia a mão de quem me servia
agora é solidão e dos uivos de outrora nem mesmo se ouvem miados
meu chamado das fêmeas distantes são lamurias

Até tentei voltar para a mais negra floresta
mas me perdi em cavernas suspeitas, os raios que me pediam atenção
hoje em dia me perseguem diversas vezes a cada lugar

O cão que recusei não me cabe nem em ofertas caprichosas
não presto nem para buscar chinelos, sequer implorando, nem balançando o rabo
consigo levar chutes ou findar em paz meu tempo à vista de todos

Em vão procurei culpados no inferno, na terra e no céu, sem parâmetros
tornei-me extinto da vez, não assusto nem sou mais herói da infância
desde quando descobri que virtual e real são a mesma merda
MÚSICA

Demais - Verônica Sabino
Foi um vento que passou
que te trouxe te levou
deixando no corpo
a marca do amor
que ficou no ar
ilusão no ar

A chuva que esse vento trás
faz com que eu me lembre mais
de todos os sonhos que a gente sonhou
planejou demais
demais

Bem que eu podia tentar te encontrar
mas um vento forte
que me afastou, te levou
te escondeu
longe demais

A chuva que esse vento trás
faz com que eu me lembre mais
de todos os sonhos que a gente sonhou
planejou demais
demais

E cada vento que soprar pode te fazer voltar
encher o vazio que ficou no ar
me marcou demais
me marcou demais

sábado, 5 de setembro de 2009

O pecado de ensinar


O pecado de ensinar por linhas tortas

Impulsos do instinto de multiplicação das espécies (sexo) foram caracterizados pela cultura (moral) na chegada ao mundo.
Proponho passar por cima das inúmeras variações que uma lista de escolhas de sentidos aos nomes e conceitos que acarreta cada contexto em particular:

A mãe satisfeita (instinto) por 'tudo' (moral) ter dado certo, aguarda o pai para receber o elogio (cultura) que merece (ética).

O pai espera (cultura) que o filho tenha a sua aparência (instinto).

A mãe sofre (cultura) quando o pai não aparece (moral), ou quando aparece e, olhando primeiramente para o órgão reprodutor (instinto) para constatar o sexo da criança (cultura).

Se é macho (cultura), na maioria das vezes, expressa orgulho (moral); se é fêmea (cultura), expressa, em todas as vezes, ternura ou covardia ( instinto).

A criança absorve estes primeiros momentos tão profundamente que talvez, os nomes e expressões não traduzidas/decifradas/descodificadas, entre parênteses/bordas, se confundirão e tudo! (moral) será aceito como natural da espécie; apesar de todo ensinamento(cultura) no decorrer da vida.

O pecado(moral) é um nome para um conjunto de normas que servem de alicerce para o conceito do nome cristianismo (cultura).

O ensino (ética) é um nome para representar a totalidade da experiência voluntária ou não (instinto).

§

Ontem uma frase pixada em um muro derruído
"Morte a todos os humanos"
Eu estava voltando para casa, ainda sob o efeito
daquela poderosa droga do meu post anterior

§

Ainda não enterraram o pequeno Bem, e isso é exemplar para conhecer o futuro da "cultura".
Graças a Deus, obscuras são as escolhas. Fôssemos incriados, já o tínhamos enterrado.

§

O que a experiência ensina? A Lei.
Como ter consciência imediata da Lei? A Liberdade.
O que fazer com Liberdade? Aprender sobre a Lei.
Como ter consciência do que se aprende? Exercer a Lei.

§

Diante da Lei

Diante da lei tem um guarda.
Um camponês apresenta-se diante deste guarda,
e solicita que lhe permita entrar na Lei.
Mas o guarda responde que por enquanto
não pode deixá-lo entrar.
O homem reflete, e pergunta
se mais tarde o deixarão entrar.
- É possível - disse o porteiro - mas não agora.

A porta que dá para a Lei está aberta,
como de costume;
quando o guarda se põe de lado,
o homem inclina-se para espiar.
O guarda vê isso, ri-se e lhe diz:
- Se tão grande é o teu desejo,
experimenta entrar apesar de minha proibição.
Mas lembra-te de que sou poderoso.
E sou somente o último dos guardas.
Entre salão e salão também existem guardas,
cada qual mais poderoso que o outro.
Já o terceiro guarda é tão terrível
que não posso suportar seu aspecto.

O camponês não havia previsto estas dificuldades;
a Lei deveria ser sempre acessível para todos,
pensa ele,
mas ao observar o guarda,
com seu abrigo de peles,
seu nariz grande e como de águia,
sua barba longa de tártaro, rala e negra,
resolve que lhe convém mais esperar.

O guarda dá-lhe um banquinho,
e permiti-lhe sentar-se a um lado da porta.
Ali espera dias e anos.
Tenta infinitas vezes entrar, e cansa o guarda com suas súplicas.
Com frequência o guarda mantém com ele breves palestras,
faz-lhe perguntas sobre seu país,
e sobre muitas poucas outras coisas;
mas são perguntas indiferentes, como a dos grande senhores,
e para terminar, sempre lhe repete
que ainda não pode deixá-lo entrar.

O homem, que se abasteceu de muitas coisas para a viagem,
sacrifica tudo, por mais valioso que seja,
para subornar o guarda.
Este aceita tudo, com efeito, mas lhe diz:
- Aceito-o para que não julgues que tenhas omitido algum esforço.

Franz Kafka - conto Diante da Lei, do livro A Colônia Penal

§

Se voce ficou com raiva porque dividi tal texto ao meio
experiencie o ritmo de 4 músicas em uma, nesta ordem
Whi So Serious/I'm Not a Hero/Agent of Chaos/A Dark Knight
de Hans Zimmer&James Newton Howard

E lembre, pense ou imagine uma situação
a partir de um sentimento estritamente pessoal
e pertinente ao post completo, se conseguir, então
páre de lembrar, de pensar e de imaginar
desligue o áudio e releia tudo bem lentamente

Compreendo as pessoas que não mais acreditam
na imortalidade
porque é possível, aliás muito claro, ofuscante até
que exista uma quarta pessoa do indicativo na experiência

Ou infinitas partes muito também pertinente a este post
que é possível traduzi-los/decifrá-los/descodificá-los/ como
uma suposta reencarnação sem o limite de 3 dias do Jesus Cristo
quando se tem sempre a oportunidade, rss, de fazer diferente a Vida.

§

Deus só se redimirá quando aceitar sua imperfeição
e começar a escrever errado por linhas retas!!!

Da realidade do corpo


Este olho quer voce para lançar, pelo menos, uma frase original(?)
e imortal, uma migalha aos olhos dos outros, voce vem?

COMENTÁRIO:
(do seu último post)
Anita, retire este chapéu...
É tão bom também ouvir músicas
cuja língua não posso compreender
Eu não sei do que está dizendo mas
posso sentir tão bem a síntese
E assim aprecio bem "sua" tese e
para tanto voce aprecia minha antítese
mas será que chegaremos um dia
a compor música tão gostosa quanto

Troubled Waters - Cat Power

SEMPRE É BOM LEMBRAR:

Aonde está a minha ilha virgem?
Vejo sinais mínimos nas gaivotas corajosas
que vivem como pombas em praia tomada pelos humanos.

Aonde está o meu continente sustentável?
Recebo notícias raras dos recônditos de universidades
que descobrem novas energias nas bostas das bactérias.

Aonde está o meu prazer inviolável?
Alcanço sua sutileza terminal nas imagens e letras
estupradas pelo cinismo como gesto tão natural.

Aonde está a minha dor existencial?
Ainda a recordo entre espasmos artificiais
para pagar qualquer tipo de visibilidade ao outro.

Aonde está a minha razão?
Imagino ainda gemendo após apedrejada na praça
para lavar a alma do povo de seus sonhos de luxúria.

ESCLARECENDO:
Tomei este poema como memória porque ele representou um divisor de águas em nossa relação virtual, Anita.
Não exatamente o poema, mas muito exclusivamente os nossos valores que temos "destes relacionamentos".
O ponto da fissão, o momento da bifurcação irreversível, o gênesis da transversal da razão para um suposto amor 'impossível', deu-se no seu comentário, quando voce boiou na palavra 'bactérias', pinçou-a da estrofe, do poema e do contexto 'histórico dos relacionamentos'.
Minha preta, eu jamais disse que nunca vou seguir o "caminhos dos ingleses", preste atenção no meu último post, não tire os olhos do 'olho do furacão', para sua segurança e longevidade, rss, porque se acaso não puder evitar, com toda a certeza, vai poder relaxar e gozar-se(!!!); a melhor forma de voar nas asas do sentimento.

Catástrofe natural?
Vamos temperar muito bem a nossa carne
tem pessoas que as come ainda viva, é emocionante
mas por motivos até notórios não consigo
e sou um miserável neste tempo pós-antropofágico

Já não se mata mais para roubar um beijo, fazem filas
porque a distribuição ficou por conta da alienação
amor virou excesso, obsessão ou permuta pela alma
e as pontes que construo levam ao ar rarefeito

Não corro mais pelo risco do suicídio por covardia
restou-me a morte como doação sublimada para nada
ou talvez a mais infame das liquidações: o amor
desacreditado porque se recusa a toda representação

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

De mentira eu só preciso de voce


Não me cure desta idealização

Hoje me encontrei como nunca

um loucomotivo

de ser necessário para tudo

minha vontade caiu em aspiral

começou com flores na recepção

passou a um colar de única esfera de estrelas

passou a permitir a continuação do que faltou

passou a casar com voce neste fim de semana prolongado

e parou na garantia de mais um pouco de tempo

porque tem muito o que fazer por mim

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Na realidade não sei desejar


E quando não queríamos mais pensar
que a família não dava certo
é porque dá certo

E quando abandonávamos a alteridade
que não servia para nada
é porque serve para tudo

E quando só suportávamos a verdade
que não convinha ao rosto
é porque convém

E quando nada mais esperávamos do amor
que não trazia felicidade
é porque amamos

E quando morríamos para aturar o outro
que não aparecia nunca
é porque aparecemos
§
Hoje me sabotei pela última vez, amor
porque doeu o motivo dessas fraquezas
descobri que sempre vivia de migálhas...

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Era uma vez aqui


7º DIA
Aí estão os convidados, e eu não devo reclamar,
vão comer salgadinhos e cabelos de milho, suas crianças
brincarão de guerra, e vão sujar todo o chão
porque existe uma empresa para providenciar a limpeza.

Eu fui faxineiro em uma dessas empresas
desde que me tornei homem
e aceitei sem pudor matar

Minha vida foi curta e grossa, agora, por ironia,
sou só espírito - o que eu mais zombava quando sujeito.

Chego até a perguntar, de vez em quando,
lembrança ainda das manias de crianças,
em momentos quando a determinação comanda
para todos ficarem tristes e sérios, por que fico
tão oscilante entre rir ou acordar o defunto;
se são a mesma coisa?

Para presumir a minha liberdade,
sempre escolho outra coisa, quase sempre prefiro
manter a lembrança do que havia de mais importante
quando o sujeito estava vivo.

Então, depois de morto, talvez, por ironia, logo
eu que sempre fui contra as lágrimas, choro.

Meu choro sempre foi uma enchente em vida, e
eu jamais olhava para os estragos nas construções,
sequer para os mortos e feridos.

Não terei nenhum epitáfio digno
da minha irrefutável indignação.

Nada mudou? Claro, ninguém responde.

Nenhum daqueles, que viveram comigo
lado a lado, serão capaz de lembrar, nas poucas vezes...

Só, chorei e só
foi para salvar o sabor da carne,
e sempre fui quem menos comia.

§

Para quem ainda não entendeu Kafka:
Depois de uma série de defeitos inoportunos que ocorreram aqui neste espaço e tempo do devir, podemos enfim postar a entrevista feita em 1920, na ocasião do falecimento do maior pensador vivo naquela época. Agrademos suas paciências, caros raros amigos.

Nosso devir - O sr. afirmou em seu último livro que o ser humano atual vive completamente e simultaneamente feito insetos, a imprensa em todas as grandes metrópoles aplaudiram, o que criou uma onda de protestos, dos setores conservadores, contra sua indicação para presidir as Nações Unidas, diante disso tudo, o que sr. diria aos jovens, para esclarecê-los de que seu pensamento não é apocalíptico?

José da Silva Santos - Não estamos no mundo jogados às traças. A excitação é o fundamento da juventude, aonde assume o ponto óptimo, a evolução a partir da infância e antes da degradação a partir de alteridade sumária. E, o que vale isso na prática? Traçamos também a torto e a direito. É uma prática geral quando se tem e se quer a juventude. Quanto ao efeito que o nome traça, o inseto, a causa encoberta pelo pejorativo, se deve a constatação inevitável de que as traças não possuem ética. São insetos escrotos que não possuem mecanismos internos para sentir dor, umas jamais se preocuparão com outras em essência. Do contrário, só um milagre.

Nosso devir - As traças também não sentem prazer?

José da Silva Santos - Se as traças sentem prazer? Aí está uma coisa 'naturalmente natural' que pode ser desvirtuada, somente porque pelo senso comum e todas as formas de conhecimento se determinou que é impossível dor e prazer inseparáveis. Talvez as traças também não sintam prazer, mas conseguem se organizar em uma prática com este fundamento.

Nosso devir - Qual é o fundamento da dor, então?

José da Silva Santos - Não é um costume benquisto pela sociedade, mas vou devolver outra pergunta. Estamos no mundo então indiferentes a estes insetos sem alma?

Nosso devir - Por que o sr. afirma que as traças não possuem almas como as pessoas normais?

José da Silva Santos - As pessoas que não possuem almas, oh perdão; por favor não publiquem isso para minha posteridade, digo as traças, elas não gostam de dissecar conceitos por conceitos, nomeiam um Deus e somente vivem; a matemática e a prática se transformam em metafísicas, a informação seja ela relevante ou não se finaliza na origem como simplesmente poesia ou religião; em nome de Deus ou da poesia, tanto a fila nos serviços públicos quanto as guerras, ditaduras e revoluções são esquecidas. Até a alma, o nome alma, que não é à toa não ser coisa nenhuma, é criado para terminar qualquer discussão em torno do conceito ética.

Nosso devir - Na prática, evitando qualquer teoria ou reflexão em torno de nomes sem o lastro das coisas, qual é a diferença entre as pessoas e as traças?

José da Silva Santos - A única e fundamental diferença é que uma categoria, as traças, toma como prática o fim ou o desejo de um ou vários objetos de prazer; a isto deu-se o nome eufêmico: sobrevivência sem dor. A outra categoria, as pessoas, sabem que dor existe, são absolutamente separáveis, porque uma elimina ou determina a outra. Prazer é um verdadeiro infinito e dor é um falso infinito.

Nosso devir - Desculpe-me, se vou incomodá-lo sr., qual a diferença, na prática? A verdade tem o lastro das coisas, correto?

José da Silva Santos - Totalmente, a verdade, ao contrário de Deus e a poesia que não se tocam, podemos tocar a verdade, inclusive a verdade de Deus e também da poesia, e não só sentir, mesmo que muitas vezes intensamente. Continuando a resposta de sua pergunta anterior, para evitar a dor tanto quanto for possível, bastam poucas coisas, mas para vencer uma perturbação da ética pela falta de prazer, é preciso se não antes, mas todas as coisas e nomes; ética, arte, religião, etc., e ainda não há garantias.

Nosso devir - Parece que o sr. enxerga uma fissão e logo após esta, a inversão dos sentidos das partes. Por exemplo: A fissão entre os nomes e as coisas, então aos nomes, ficaram nos fundamentos da vida, e às coisas na sua relatividade. Qual é a consequência para o futuro das pessoas, já que para as traças, como pude entender, vivem em um presente perpétuo?

José da Silva Santos - O nome fissão, aqui, é emprestados de outros sentidos, de conceitos de outras coisas. Sua pergunta é excelente, porque nos dá um exemplo melhor ainda do que o outro, e demonstra o fundamento de tempo, já deslocado ou invertido - até me esclareceu sobre minhas próprias palavras e ideias - passado e futuro para a coisa ser humano são absolutos, de maneiras complementares, "o passado não volta mais" e "o futuro a Deus pertence", enquanto isso "no presente tudo é relativo". Isso é estupidez profunda, quase patológica. Justamente a diferença fundamental que dizia antes, entre as pessoas e as traças, não importam os nomes, títulos ou simpatias espírito/materiais, com raras excessões entre traças e pessoas, a esmagadora( ! ) maioria de pessoas e traças, cada um por si, absolutamente, só vivem por si, não estão mesmos preocupados com prazer para todos e não se sentem interagidos na dor com todos, portanto a diferença é mais entre a maioria e a 'esmagada minoria' de pessoas e traças. Traçar metas para o mundo é muito diferente de meter traças pelo mundo, Fêssor; dizia eu na infância.

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Stageer Lee - Nick Caves & Bad Seeds
Eu ia colocar a letra colada do Vagalume, mas resolvi variar. Lembrei de meu irmão de história Paulo Tavares. Ele também não chuta abóboras debaixo da mesinha de centro.
E jamais vou querer saber a tradução, a menos que ele, ou alguma pessoa que sabe o que significa história, em todo este contexto, faça muita questão.

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Ao rajar dos panos sem nunca rasgar,
definitivamente distante do ranger dos dentes,
faço minhas as palavras do mundo,
porque não acredito na palavra do homem,
a maneira dos desesperados por qualquer coisa,
que ficam em silêncio quando deviam apenas ficar
ao lado da verdade.

"Quem quer ser milionário?" Quem quer ser candidato a sair da miséria?
Ou, quem quer ser imortal? Existe algum candidato a sair dessa miséria?

Questões bombásticas!!!

Vamos lá, gritem contra elas, ou rss rezem a seu favor,
e nem tentem entendê-las
apenas para afetivar seus discursos sobre Deus e o diabo.

O afeto nunca parte, pode quase sempre
terminar, na própria pessoa.