O narrador-personagem tem trinta anos quando descobre que sensações estranhas se passam com ele. As coisas começam a incomodá-lo. O mundo exterior torna-se impregnante. Ele conclui, sem esperanças, que a existência é vazia e sem razões. Os seres não têm finalidade. (Blog, João do Rio)
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Mudar da cabeça aos pés, sem perdão,
sem ressentimentos, igualmente sem razão
As verdades do corpo ainda imploram por Vida
precisam do Mundo, das Pessoas, do Planeta viável
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Cordão ela cortou com os dentes. Olhou o nenê: menino. Nojo tomou conta, o impulso de jogar pela privada. Pensou um instante, enrolou o filho em pano de chão e largou ao lado do vaso. O corredor emporcalhado de sangue e fezes. Movida pela fúria, Gina esfregou chão e paredes. Saiu do prédio sem olhar para trás, o menino enrolado embaixo do braço parecia mortinho de tão quieto. (Raiva nos raios de sol, Fernando Mantelli)
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Descer das cabeças ao pé, sem despencar
se deixar amparar no ombro amigo, direito e esquerdo
perder o tabu dos mamilos, se preciso se doar com amor
a uma das costelas, ou às duas, e descobrir o coração.
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Todo homem é comum mesmo não sendo. O não ser comum do homem parece estar em sua forma própria de ser comum. Em seu jeito singular de sofrer, brincar, envelhecer. Em sua necessidade de construir, simbolizar, criar. Um homem não deixa de ser comum mesmo entre letras, livros, máquinas, sistemas, signos. Um homem é sempre uma trajetória que declina. Que ascende, mas que declina. O comum do homem é sua aparição relâmpago, o seu constituir e o seu perecer. O comum do homem é sua necessidade de dizer, manifestar, inscrever, perpetuar. Ao mesmo tempo sua impossibilidade de permanecer. Todo homem constitui-se na tensão entre viver e morrer, entre dizer e calar, entre subir e descer. Mas, por razões extensas e difíceis, a história humana parece ter se ordenado em torno da vontade de não ser.Não envelhecer, não sentir dor, não se cansar, não se aborrecer. O homem parece envergonhar-se de ser: pequeno, sensível, mortal, humano. E organiza-se em torno de um ideal de homem, sem corpo. O homem envergonha-se de seu corpo. Não de seu sexo ou de seu prazer, mas de suas vísceras, de seus excrementos, de seus sons e odores, de seu processo bioquímico, fisiológico, orgânico. O homem envergonha-se de morrer e vai acuando-se, escondendo-se, perdendo-se em torno de uma idéia, de uma imagem. Em sua luta por não ser comum, o homem tornou-se nenhum. Todo homem virou nenhum. Nenhum homem na rua, em casa. Nenhum homem na cama. Nenhum homem, mas um nome. O homem se reduziu a um nome. Não um nome próprio, mas um substantivo. Mas um homem é sempre maior que um nome mesmo que não queira. E uma outra história foi sendo tecida por trás desse desejo de não ser. Enquanto construía seus mecanismos de não corpo, enquanto se constituía como idéia, pensamento, imagem, a humanidade proliferava em seus excessos contidos, em suas angústias não canalizadas, em suas paixões não vividas, em seus pavores maquiados. E um corpo invertido, nascido de tantos corpos abafados, foi constituindo-se socialmente, foi ganhando força e vida. Uma vida invertida, mas uma vida. (Um nenhum, Viviane Mosé)
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Abandonar o coração no melhor do entorpecimento
Resistir a tentação de adentrar umbigo ao passado
Enfrentar o inferno das bárbaras regiões erógenas
Totens amáveis ou odiáveis por Deus; buceta, pinto, cú.
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A violência trouxe-nos de volta a urgência pelo corpo, pela vida, pelo tempo. E apartou-nos de nosso sonho de perenidade, de futuro, de verdade. Agora, todos estamos órfãos de nosso medíocre projeto de felicidade. Agora é preciso viver, temos urgência do instante, precisamos do corpo, mesmo gordo, magro, estrábico. E aqui, de meu lugar comum, de mulher comum, enquanto lavo a louça do café olhando a cor insistente da tarde que passa, me pergunto por quê? Por que não os dias nublados, as dores do parto, os serviços domésticos? Por que não o escuro, o delírio, a solidão? As lágrimas, os espinhos no pé, as quedas? (Idem)
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O sagrado e o profano nos espelhos das vaidades, quebrar
O eufemismo lúbrico que represa medos, a violência e morte
Sem se amparar nas pernas que levam a lugar nenhum, então
Manter um contato mais real com a natureza, salvá-la.
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Dizem que o homem, como conhecemos, tende a desaparecer. É possível que uma espécie mais forte possa surgir, uma espécie capaz de um dia divertir-se com este nosso hábito demasiadamente humano de negar o inexorável, de controlar o incontrolável, e, não conseguindo, de esconder-se em cápsulas virtuais, em psicotrópicos de ultima geração, em imagens. Um homem que talvez tenha sempre existido pode começar enfim a surgir. Um homem capaz de viver a dor e a alegria de ser mortal, singular, sozinho, comum. Um homem capaz de gritar sua dor impossível. Um homem capaz de cantar. Um homem capaz de viver. (Ibidem)
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O pé, o pensamento, os pés e pensamentos, sentidos
Andar, voar, conhecer novos lugares, habitar outros comuns
Sempre novas existências, saborear e surpreender essências
Questionar por direito, Voce, Seu argumento lúdico e atroz
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Não dá pé, não tem pé nem cabeça
O sagrado e o profano nos espelhos das vaidades, quebrar
O eufemismo lúbrico que represa medos, a violência e morte
Sem se amparar nas pernas que levam a lugar nenhum, então
Manter um contato mais real com a natureza, salvá-la.
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Dizem que o homem, como conhecemos, tende a desaparecer. É possível que uma espécie mais forte possa surgir, uma espécie capaz de um dia divertir-se com este nosso hábito demasiadamente humano de negar o inexorável, de controlar o incontrolável, e, não conseguindo, de esconder-se em cápsulas virtuais, em psicotrópicos de ultima geração, em imagens. Um homem que talvez tenha sempre existido pode começar enfim a surgir. Um homem capaz de viver a dor e a alegria de ser mortal, singular, sozinho, comum. Um homem capaz de gritar sua dor impossível. Um homem capaz de cantar. Um homem capaz de viver. (Ibidem)
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O pé, o pensamento, os pés e pensamentos, sentidos
Andar, voar, conhecer novos lugares, habitar outros comuns
Sempre novas existências, saborear e surpreender essências
Questionar por direito, Voce, Seu argumento lúdico e atroz
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Não dá pé, não tem pé nem cabeça
Não tem ninguém que mereça,
não tem coração que esqueça
Não tem jeito mesmo
Não tem dó no peito, não tem nem talvez
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Ter feito o que você me fez, desapareça
Cresça e desapareça
Não tem dó no peito, não tem jeito
Não tem coração que esqueça,
não tem ninguém que mereça,
Não tem pé, não tem cabeça
Não dá pé, não é direito
Não foi nada, eu não fiz nada disso e você fez um
Bicho de sete cabeças
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Não dá pé, não tem pé nem cabeça
Não tem ninguém que mereça,
não tem coração que esqueça
Não tem jeito mesmo
Não tem dó no peito, não tem nem talvez
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Ter feito o que você me fez, desapareça
Cresça e desapareça
Não tem dó no peito, não tem jeito
Não tem ninguém que mereça,
não tem coração que esqueça
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Não tem pé, não tem cabeça
Não dá pé, não é direito
Não foi nada, eu não fiz nada disso e você fez um
(Bicho De Sete Cabeças, Zé Ramalho)
(Bicho De Sete Cabeças, Zé Ramalho)










