segunda-feira, 27 de abril de 2009

Идиот


"(...) mesmo acarinhado e bem tratado por todos, embora até sendo visto como um coitadinho devido à sua bondade, não se consegue livrar da chacota e das alfinetadas que frequentemente lhe atiram, como é tão próprio serem lançadas por quem se aproveita da bondade de alguém que, erroneamente, a relacionam com algum tipo de pessoa fraca e débil. Nem suspeitam pois que, por ser conotado como um pateta, um idiota debaixo do olhar de toda a gente, o príncipe seja capaz de ser tão esperto que os restantes, quanto mais detentor de uma mente superior, possuindo um dom intuitivo, praticamente profético, capaz de deslindar a essência do espírito sob os rostos de quem o rodeia, o fundo das pessoas, ou seja, a verdadeira índole de cada um e avaliar na perfeição os seus atributos. (...)"
O Idiota é um livro escrito entre os anos de 1867 a 1868, por Fiódor Dostoiévski. (Wikipédia)

Ultimamente, venho sentindo-me como aquele personagem.

Exatamente depois que criei este blog. Por que? Não sei. Só sei que jamais admitiria a culpa ser das minhas críticas quase íntimas e, ao mesmo tempo, universais, para com a sociedade e a alguns indivíduos em particular. Paradoxo, claro, apesar que facilmente confundidas com caoticidade. Mas quais paradoxos não são caóticos? Os da Natureza, óbvio.
Mas admito muito facilmente, enquanto não tão bem contestado, a culpa é das poucas pessoas, diretamente ou indiretamente, que o acessaram e as muito poucas que comentaram minhas postagens.
Mas esses exíguos contatos não são o suficiente para tal definição, porque sobra ainda muita suspeita quanto aos fatores: educação e massacre de uma mídia exclusiva para o mercado, chovendo no molhado, capitalista selvagem.
Por exemplo: neste post, quem ficar na superfície, vai se cansar de encontrar "redundâncias".
E cansa mesmo! E atualmente o número de pessoas que se cansam sem um "pagamento", não importa o contexto, imediato ou a longo prazo, quando muito, é irrisório.
Mas quem ainda conserva ou adquiriu, espontaneamente, o gosto por entender a fundo todo contexto que o envolve na vida, com certeza vai entender este e os demais post deste blog, e possivelmente deixará um comentário substancial, quer dizer, um pouco mais além do rotineiro blá blá blá de elogios, apesar destes sempre agradáveis.
Antecipando, para finalisar, àqueles que já me acham antipático ou 'desnutrido' culturalmente, ou àqueles que estão chegando agora, saibam que este ponto de vista (imaginário?) é consequência do que aprendi com aquele livro, referido no início deste texto.

Aproveitem e releiam, ou leiam, para espantar o 'cansaço' ou a alienação 'bem vista'.




sexta-feira, 24 de abril de 2009

Por uma rela-ação de sentimentos


Soa muito estranho, mesmo, propor um entendimento à base do sentimento, antes das palavras, dos nomes das coisas e fenômenos, para humanos que, sob o domínio da linguagem objetiva, perderam, ou se perderam na (objetividade da) natureza de sua espécie.
É inegável que sempre resta um pouco ou a esperança da volta do sentido do racional.
Este, o raciocínio, jamais, no prícipio, foi conquistado para fazer oposição ou adestrar o animal "irracional(?)".
Aqueles que crêem que no sentimento não há matemática, tem uma visão errada da, por exemplo, Arte, excluindo as modalidades que se transformam em objeto, digo da arte de viver.
E a Vida não cobra racionalidade, tampouco "irracionalidade(?)", mas cada ser vivo deve cumprir plenamente seu sentido.
E ao sentido humano compete convergir tanto o racional quanto o "irracional(?)".
Este equilíbrio de forças é fundamental para, por exemplo, se sentir feliz.
Portanto, voltando a questão da LINGUAGEM, o nome, das coisas e fenômenos, não pode ser somente objetiva, não deve ser apenas um instrumento ou ferramenta da razão.
Existem seres vivos "irracionais(?)" que, se acaso fossem racionais(no sentido pleno deste nome), talvez fariam um melhor trabalho e arte para, por exemplo, salvar o planeta; começando, isso é racionalmente óbvio, por um infalívio controle de natalidade.
Existe a perfeição? Existe!!!
Ou, existiria se este sentido de vida não tivesse tão precário sentido do NOME.
Para finalisar, tomemos outro precário sentido do nome: Amor.
Eu penso que o amor era tão somente uma das ações de salvação, quando esta é, sine qua non, ou era, infelizmente, a melhor atitude de preservação da Vida.
Mas a "roda da vida", de Chico Buarque, ou o "moinho", de Cartola, tornou tudo tão miserável.
24 de Abril de 2009 01:10

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E quantos nomes mais tem sentido tão precário!!!

domingo, 12 de abril de 2009

CAMPOS DE GUERRA


1- Natural

Sei que a guerra só tem um sentido
matar/morrer
e tem como melhor metáfora uma moeda sempre lançada para cima a cada instante

E muito particularmente admito um segundo sentido
completamente contrário daquele
a guerra adquire uma outra metáfora
aquela da semente
mais tarde se transforma em inúmeras outras sementes

2- Ficcional

Não faça alarde, o cão se aproxima, ele perdeu o faro.
O cão vem assoviando talvez um rap, porque assombrando gestos feito dança de nativos se embrenhando pelo mato. Os olhos acesos feito o cara bundão do filme A Dama Na Água.
Pronto, ele passou. Espera mais um instante e corra até aquele bar.
E voce?
O cão pode voltar.
Ah, não, não, voce não vai ficar vigiando. Vamos até lá.
Não. Eu trouxe meu celular, pode me ligar para conversar.
Catso, a puta que o pariu.
Ela rosnou e atravessou a avenida devagar como se chegasse à faculdade. Repetia em seu íntimo, beleza é uma situação, beleza é acontecimento, beleza é uma idéia rara. Toda cópia carece de cosmético, pensa enquanto observa as luzes, as pessoas amigas na vidraça, brindando à sua chegada.
Depois da comprimentação geral, Eloisa pergunta para ela, cadê o cão?
Ele pensa que está lá fora.
Por que não entrou?
Está se vigiando.
Ele é um amor, ?
Sim, ele faz tudo por mim.
Ela desabou. Eloisa foi sentar, pegou seu copo, bebeu com o brilho certo no olhar, para que todos percebessem sua satisfação.
Rogério levanta o copo, sua beleza merece um brinde, Eloisa.
Nada, não ganhei só a aposta, ganhei uma inimiga.
Nem pensar, não fica triste, lembra que nessa semana voce tem apresentação todos as noites.
Sim, mas ela foi tudo no livro, acho que estou cometendo uma injustiça.
Amor, ela é apenas uma personagem.
Não! Já lhe pedi para não falar assim.
Eloisa, voce realizou seu sonho. Agora voce tambem poderá dizer: beleza é um sonho.
Quem acha bonito ser escritor é ela, por favor.
Desculpe, quer que eu apareça no seu lugar.
Talvez, espera, vamos falar com ela.
Porra, Eloisa, voce sabe que ela sempre precisa consultar o terapêuta.
Eu sei falar com ela.
E o cão, depois que o encontrou perdido, ela não anda mais sozinha.
Ela não tem sonhos, vive apenas para tentar entender algo que o cão diz estar sempre dizendo.
Armando, pede licença.
Desculpe aí, mas queria me ter na conversa, perdão, me meter, ouvi voce dizer que o cão é perigoso, que ele é um coitado, vendo coisas que não existem, que tem teorias sobre outra possível dimensão da realidade, uma relidade antes dos nomes. De repente fiquei curioso, posso lhes oferecer outra cerveja?
Eloisa aponta as unhas pintadas para matar.
Armando se levanta.
Desculpem todos, vou falar com o cão, se não voltar, é porque fiquei bêbado.

3- Artificial

"(...)Havia quase um anjo.

Era ainda um homem, um homem comum, exceto pela mente inquieta e pela alma em êxtase frequente, que seu cotidiano de deveres e correrias ainda não conseguira eliminar de todo.

Começou a sentir um incômodo nos dois ombros, distensão, má posiçao no trabalho... Foi piorando e um dia olhou-se no espelho, de lado, inteiro e nu depois do banho: não havia dúvida, duas saliências apareciam em sua pele. Teve muito medo, mas decidiu não comentar com ninguem, e, como não transava frequentemente com a mulher, conseguiu esconder tudo quase um mês. (...)" Lya Luft
(do livro 13 melhores contos de Amor da literatura brasileira)

quarta-feira, 1 de abril de 2009

SINCERIDADE VIRTUAL

Estou só, e nesses momentos eu gosto de ouvir músicas
que se expadem para além da narcísica expressão de tristeza,
essa comunicação tola e preguiçosa.

Jamais entendi porque um ser humano prefere a tolice
e, ainda mais, mal acompanhada pela preguiça,
sempre dissimulada na convivência automática,
ao invés da revolta, ou até mesmo porque
não teria preferido a guerra constante contra tudo e todos
(humanos!) que se detém em tal sentimento.

É tão óbvio que talvez aquele ser se resguardasse de uma vida arriscada,
sabendo que uma grande ignorância sobre tudo que todos sabem
e a inatividade estampada na face o salvasse de uma vida reversa,
a contradiçao ou o paradoxo do sentido do conceito indubitável de Vida,
com letra completamente maiúscula.

Tambem porque talvez aquele ser jamais se perguntou ou,
como expansão do senso comum,
perguntou à própria Vida se Ela realmente prefere a tristeza da defensiva contra a alegria
de um ataque constante contra toda forma de ignorância ou inatividade.

Conversa chata, eu sei, nesses momentos onde posso desfrutar de uma solidão quase doce, sou sempre assim.

Mas exatamente agora lembrei de voce - acho que até posso escrever Voce - e a doçura se tornou tambem expansão, crescimento.

Preciso saber por que gosto de pensar determinadas coisas, ter este tempo, agora, imensurável.
E estão cada vez mais raros, estes momentos de solitude.

Por que a sobrevivência 'dos outros' se tornou tão determinante,
'sem a qual não', imperativa, apesar de que nem seria preciso?

Grande seria uma 'bondade' espontânea porque assim, tenho certeza,
não haveria como se apontar, ou se desculpar, por nenhum tipo de ignorância e,
claro, por nenhuma forma de preguiça.

Sei que a guerra só tem um sentido, matar/morrer,
que tem como melhor metáfora uma moeda sempre lançada para cima a cada instante.
E muito particularmente admito um segundo sentido, completamente contrário daquele,
onde a guerra adquire uma outra metáfora, aquela da semente
que mais tarde se transforma em inúmeras outras semetes.

Nem sei se a conversa se tornou um pouco mais interessante,
mas sei muito bem que estou no caminho certo,
procurando sempre a expansão da minha sinceridade.

Na vida real é como se fosse obrigado dizer 'amor à primeira vista',
já na vida virtual tenho a liberdade, portanto sem qualquer defesa,
de dizer 'amado pelo primeiro olhar'.

Soa estranho, mas nada me preocupa,
o estrangeiro nem sempre é ruim,
assim como naquele comentário,
isso me faz mais feliz.

Um olho na foto nem sempre é representante de um olhar narcisista, ignorante e tolo.
Seu olhar, não sei dizer ainda por quê, convida-me à guerra.
Como se me dizendo 'vamos nessa, companheiro, vamos juntos'.
Bem diferente das duas alternativas espalhadas, iluminadas e tão anunciadas,
olhar vasio ou carregado de auto-imagem.

Logicamente não sou assim tão atento quanto possa parecer,
não me movimento tão rápido ao soar do chamado.

Tentei pensar em valores, tipo riscos versus satisfação,
mas ao terminar de ler seu post,
perdão por recorrer à metáfora novamente como vã tentativa de se sentir livre,
percebi que já estava ido, antes de dizer ao meu mundo aquele tradicional: Fui.

Espero que já está interessante essa conversa
e tambem uma resposta tão quanto.

Até mudei o estilo das músicas que escuto agora.
Mas não vou viajar (é uma pena) num cavalinho prateado conversível até voce.
O vento no rosto nas estradas virtuais sopram minha face agora,
mas não são tão refrescante quanto...

Tolice e preguiça na internet são ainda mais estreitas e predadoras,
tal constatação é tão fácil quanto conversa de pessoas que escondem profundas tristezas
e derrubam por terra minhas teorias,
inclusive aquela no começo do texto: 'preguiça e tolice não é uma guerra costante'.
Eles de nada entendem sobre guerra e jamais escrevi tal bobagem.
Afirmo exatamente ao contrário!
Atividade total e inexistência de ignorância não é uma guerra constante!
Minha redenção, talvez, é admitir o segundo sentido da morte.

Tal palavra se tornou horrível, eu sei, mas não podemos
superar a chatice e desabar para a indiferença.
E sem conhecer um segundo sentido; o que seria lastimável.

Poderei sofrer as piores humilhações mas jamais matar ou morrer,
porque sincera e busca sempre expansão de Vida. A nossa
ou Nossa, minha, sua, das pessoas queridas e a humanidade,
no sentido absoluto de sempre.

Enfim, neste instante,
daqueles que jamais vou esquecer,
voce me faz mais feliz.
Aquele abraço,.

quarta-feira, 18 de março de 2009

CARTA AO SUPOSTO PAI


Para minha amiguinha furiosa

REQUIEM PARA UMA REALIDADE
Quando se tem uma espada, pergunta-se para quê se tem uma espada.
Esta metáfora, inclusive a do senso comum, expressa perfeitamente o sentido deste texto.
Suponhamos que a Vida se reparte em 3 dimensões simultãneas à partir de 3 verbos, nascer, viver e morrer; os quais tanto pedem um sujeito apenas quanto todos, especialmente o indeterminado.
Podemos supor, ou somos obrigado por natureza humana, que repartimos o Tempo á partir daqueles verbos.
Esse é meu melhor uso da minha espada. O Verbo.
Espadas, facas e lanças, tanto quanto verbos, pronomes e substantivos tambem são objetos formais.
Por exemplo: Voce usa a espada para matar. O sujeito é o pronome, o verbo é 'matar' e o predicado, é o costume, a gente esconde.
Se não há morte, se faz questão enfeitar o predicado.
O meu verbo é incapaz de matar, nem por excesso nem por carência.
Quando pergunto-me para quê o tenho, respondo-me assim: para se viver, obviamente agora, antes me feria e amanhã serei lembrado por quem jamais fingiu ler ou ouvir meu Verbo.
O sujeito indeterminado para o verbo viver é a ruina do presente de cada pessoa.
Coloca-se o pronome (voce é a minha ruina) e tudo parece ficar bem na Natureza.
Então, para não variar tanto, colocamos os sujeitos, verbos e predicados dentro das medidas formais. Consequentemente para nos localizar no presente.
Nascer, para nós, vai ser sempre passado, e morrer no futuro.
Categorias existem, mas não posso abandonar o foco do texto.
Porquê sabemos que o sujeito indeterminado foi criado por Deus, pode-se chover, pode-se nascer e morrer à vontade.
Voce se ri, para ignorar e não enxergar, artifício para ser ignorado e invisível.
Exemplo simples: (nascendo eu via um herói vivendo).
Mais exemplos:
Gorette (os nomes são indiferentes, pessoas não) pipoca qualquer som de desprezo, para ignorar contraditóriamente porque cega, naturalidade para ignorantes de olhos que nada dizem.
Marta se ri (a mesma sabedoria do pai).
Tânia nada pipoca (milho da mãe).
A lista é enorme de exemplos de usos e frutos da inexcrútavel espada na interação com a língua.
Perdão, nomes só apontam os predicados, repito, no presente, mas não garantem sua permanência na memória.
A ruina é tão transitória quanto a suntuosidade, para a felicidade de todos.
Se (chover ao contrário), a frase se transforma em simulacro do otimismo.
Esse joguinho mais parece um embate sadomasoquista, portanto, nosso prazer é um cárcere do imperativo privado.
Faz-se necessário escapar, mas manter os sujeitos, os predicados e, agora, as proposições.
Eu sou viciado em ler até livros imaginários.
Eu, José. Sou, vivo. Viciado, alienado.
Se não me exponho para a sociedade, é porque jamais me confortei como sádico nem como masoquista, ou ambas covardias.
No tempo atual, repito mais uma vez, o presente, esta diferença (transparência) neste patamar psicológico é excluida.
A palavra patamar sugere tambem cobertura. Eu prefiro relação interpessoal.
Ambas licenças poéticas para lembrar Gilles Deleuze e suas outras 3 dimensões, totalmente conjugadas áquelas suposições inicias, altura, superfície e profundidade. Poucas pessoas comuns gostam de lê-lo, porque no momento que voce estuda seus livros para um propósito, torna-se incomum.
É assim que percebemos quanto os sentidos são invertidos pelo seus contrários.
O comum não deveria, mas é tratado como se fosse incomum, e vice e versa.
Finalmente, cheguei a um ponto excelente de ruptura satisfatória desta relação, o foco fenomenológico do texto.
Diz-se que é incomum escrever para um leitor impossível, sequer em braile, quando a impossibilidade extrapola a cegueira física.
Portanto, se eu continuar, dirão que sou muito comum, somente porque estarei incorrendo ao erro do animal de carga, que pode falar, falar, falar, ou rir tambem feito hiena, apesar desta não aceitar, nem por dinheiro, carregar a carga alheia, resumindo, qualquer animal irracional, tem liberdade e direito de fazer o que quiser, desde que carregue carga ou não atrapalhe a 'livre circulação de mercadorias'.
Voce é sua ruina, e jamais se aliena.
Foi a minha vez de bater palma para louco dançar, até breve.

Um mestre samurai, durante uma viagem estóica, contou-me que se foi o tempo das espadas. Para não ver a pólvora, incrédulo e honrado, aceitou a contradição, morreu-se.

terça-feira, 17 de março de 2009

Cazuza, Gonzaguinha, Betinho, etc., tentaram evitar a vitória das indiferenças

"Vê se ao menos me engole
mas não me mastigue assim"

Não queria parecer antipático nem
quero parecer antipático, quando não espero o senhor entender
"minha metralhadora de mágoas"

Se ninguem quer, eu tambem não quero ser o "cara" dentro de um escafandro
(não se irrite sempre, assisti uma parte do filme
The Diving Belland The Butterfly)
só imaginando as borboletas, voce me entende como irrita a imaginação

Eu leio seus poemas, tento parecer voce, dizendo para mim
e voce vivendo em meu mundo submerso

Todo esforço resulta em vão quando ao final só vejo alguem com intenções

E torço para voce escapar de mim, conseguir ser voce de sempre
e me perguntar, perguntas tolas, como eu mesmo faria
porque sabemos que só os tolos surpreendem uma honorífica sabedoria

Podemos viver sem intenções? Por que uma única intenção para tudo e todos? Isso existe?

As borboletas se atraem e os caras se traem, bobagem
próximo da idade do galo, acredito ser mais velho que voce, e tambem que não há velhos
mas somente autos e alheios julgamentos

A grande cagada de Kant foi criar um juizo prático depois da razão pura

Aceitamos ficar de fora da verdade, e o mais importante de tudo, felicidade
(tal postulado sempre existiu, não estou postulando agora, não perca a cabeça
nem vai gastar dinheiro à toa para recordar o que voce é) virou um truque, mentira
porque já não informa sentimento, e esconde bem os próprios desejos

E nós quase somamos mais um milhão de idéias sobre comunicação, e mais adiante
é da natureza humana, ficar cada vez mais ricos de idéias

Penso que seus amigos nos recusaram antes de evitar um forasteiro real e
apesar de especialistas em quase tudo, são ignorantes quanto as própria emoções

Creio que Camus disse algo, nunca o li, que o estrangeiro sempre vai querer o melhor
até deixar de ser o de fora, o de longe, o estranho que sempre acaba de chegar, um estranho

Então voce foi o único (confesso que temi) a apertar minha mão
e ela, voce sabe, me viu (fiquei muito feliz de ponta cabeça no escafandro)
e teve uma outra que não saiu da vidraça

"Sou forte, sou fraco e sou por acaso", em qualquer situação e me orgulho de precisar das pessoas bem mais do que de Deus ou modinhas intelectuais

Gostaria de terminar este requiem invertido e mal nutrido, lembrando tambem os outros dois "cariocas" que me fizeram a cabeça em tempo oportuno, Gonzaguinha e Betinho, este criou uma relação real entre amor e política, uma política com amor, e aquele mostrou a melhor maneira de deter toda forma de sofrimento, seja amoroso, social ou político, brigar pela liberdade

Os três não tinham pudor em declarar guerra o tempo todo contra tudo que... (que?)

Aquele abraço

domingo, 15 de março de 2009

Voce está chegando, Mulher

Não vou levar meu erro
além
vou transfomar
enfim
em ouro para comprar
então
seu BMW inconversível

Hoje presto atenção
semente
na sua atenção
somente
quero de fato viver
presente
enquanto voce querer

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Deus e uma semente precisam morrer quando encontram terreno afim. A única maravilha lá aonde trabalho, exclusivamente na fábrica, são as plantas que nasceram nos muros. A vida está antes dos nomes, claro, até escuto voce sussurar no meu ouvido, que já saimos das cavernas. "Então te amo mais".

domingo, 8 de março de 2009

Deus e a poesia

Penso que jamais sai da família
que jamais sai dos poucos amigos
que jamais sai da cidade, do país
do mundo jamais sai porque
jamais sai de mim
parece ou pareço confuso, torpe
porque jamais tentei sair e
para abraçar apertado ou não, vil
ou não, amar tudo e todos
aqueles que jamais vão entender

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"(...) os casos (transversais) de necrofilia ou de antropofagia, em que certas hienas do meio literário aproveitam o silêncio de um autor morto para se banquetearem à vontade com a sua obra suculenta, manipulando-a ou mostrando dela apenas aquela parte que não incomoda ninguém ou, sobretudo, não macula a sua própria imagem de “especialistas”.

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A caminho de assistir mais uma outra vez de novo novamente ao clássico Palmeiras e Corinthians e manter a normalidade e a determinação: pagar pela passagem. Arrrg!!!

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"Quanto mais universal o génio, tanto mais facilmente será aceite pela época imediatamente seguinte porque mais profunda será a sua crítica implícita da sua própria época"

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- Heróstrato, seu idiota, escreve como se fuma seu cigarro, troca sua Artêmis por um tico de imortalidade, levanta-se daí e vai procurar um trabalho honesto.
A mãe se sentia condicionada a repetir aquele palavrório eterno porque sabia que, para realizar o sonho do filho, precisava ser inteligente.
- Porra, mãe, essa é a sua culpa no complexo de édipo, me ajude e páre com esta atração por mim.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Partículas Elementares

Venho desde o final de 2008 escrevendo um livro/roteiro. Nunca sabemos quando começar um livro e, muito menos, ao começar, se vai haver um fim. Vou deixar aqui no blog duas partículas de clima. Essa palavra 'partícula', na física moderna, toma quase o sentido como a estou usando agora. São duas situações de gênero, voces vão perceber. A primeira é obstinadamente masculina. A segunda é seguramente feminina.
Tambem pode servir como a velha forma de propaganda dos amantes desesperados, jogar a garrafa ao mar, não esperar apenas, mas viver tratando da ferida do abandono.


Primeira
Cezar aparece por detrás do carro e surpreende Túlio, perdeu durão, não disse que preferia eu matar o Clodoaldo, não disse?
Túlio, retira a faca do peito do Clodoaldo devagar, olha na cara do Cezar e pergunta, por que ainda não atirou, parceiro?
Jogue a faca no chão e me entregue sua arma.
E você, vai continuar armado?
Sem acordos, vou mostrar quanto ganha um sujeito ser um durão de merda como você, Túlio.
Cezar chuta a faca longe, solta o pente da 9 de Túlio e a joga do lado, você não está se cagando, Durão?
O que você espera ganhar, se me matar, Cezar?
Com certeza, muito mais do que você ganharia se me matasse.
Vejo que você não sabe nada da guerra, e não sabe nada sobre guerra.
Porra, cara, que conversa é essa, agora?
Lembro quando fizemos a primeira operação juntos, naquele galpão na Castelo Branco, você estava, como vou dizer, na língua do pessoal lá da favela de onde você apareceu nessa porra de vida, você estava do lado dos Alemão.
Cezar dá dois passos para trás e aponta para a cabeça de Túlio, continua, parece que terei um enorme prazer de ouvir a última história de um escritor decadente, ou então um digno epitáfio de um delegado que sonhou um dia ser escritor.
Não sou mais delegado.
Então por que aceitou também esta missão suicida do Alexandre?
Você sabia?
Sei tanto quanto você, Túlio.
Suicida só porque voce se coloca até no cólo dele e todo menino sonha matar o pai.
É o mal das suas verdades que cria estas rugas na cara, seu durão de merda, e eu jamais mataria meu pai.
Já o matou?
Voce não tem medo de morrer, Túlio?
Verdade contagiante, voce não tem medo?
Sempre tive e tambem me preocupa porque ainda não atirei nos seus miolos, talvez porque fiquei sabendo e acreditei que voce é o pai da criança.
E quer que morra por ela, pelas mãos de quem ainda nem veio ao mundo?
Porra (Cezar tira levemente o dedo do gatilho).

Segunda

V. acende um cigarro.
Mirian pergunta, você sabe quem está junto com o Alexandre?
V. olha para sua arma dentro da bolsa e pergunta, acho que depois do que você fez comigo hoje, salvou minha vida, não preciso perguntar se devo confiar em você, mas preciso saber, cheguei ontem em São Paulo, de cara encontrei um comentário no ar, sabe como são fofoqueiros os policiais lá no departamento, que você está grávida e o Túlio é o pai, é verdade?
Mirian pega uma pequena arma e aponta para a cara da V., essa conversinha de novela me fez lembrar quem é você, o que "os policiais" dizem dando murros sobre o balcão da cantina, quando você não está, mas você, presente, todos ao seu entorno se sentem como se estivessem no cinema, o tipo de cinema que jamais será mostrado na televisão, tudo girando entre putaria, corrupção e muita droga, todo esse inferno misturado, a parte podre da sociedade ocupando todos os lugares de mando deste país que sonha, sonha, ainda se tornar um imenso ou insignificante estados unidos, enquanto ninguém mais pode confiar em ninguém.
E é a primeira vez que eu encontro com esta Mirian, tão centrada na política dos bons costumes, aquela que também escuto comentários tão picantes quanto chupar um coroinha depois da missa.
Você é nojenta, V.
Mas isso aconteceu mesmo, não é, na missa de 10 anos da morte do Desembargador?
Parece que você se ri por dentro, feito uma vadia, porque se fosse você teria trepado com os três netos do morto.
Ah você também percebeu como são lindos.
Será que precisamos encarnar este papel eternamente?
Que papel?
Tolas.
Quem?
Desculpa, você é loira.
Ah entendi, você faz o papel da morena frustrada.
Quem, eu, frustrada?
Foi você quem falou em novela, certo, e não é loira.
Não, também não sou uma nordestina que lava o cabelo com soda para alisar, tingir com oxigenada e virar atração turística.
Além de tudo é preconceituosa.
Você tem certeza que todos estes homens que você trepa, sentem amor por você?
Sexo não tem nada a ver com amor, Juíza.
Nunca entendi por que os homens sentem tanto fascínio por mulheres que tornam as coisas fáceis, não requer qualquer investimento, apenas um olhar sexual, uma estrela na testa dizendo ‘estou disponível’, então a competição se torna só uma questão do conforto, ou rapidez para encontrar qualquer situação sem riscos.
Eu acredito em você, Mirian, não precisa nem me contar sua dificuldade, talvez na infância sentiu tanto tesão por seu pai...
Eu não conheci meu pai e fui criada em um convento.
Perdão, deixei-me levar por esta conversa boba de mulheres desamparadas.
Também não estou desamparada!
Claro que não, pode guardar esta arminha ridícula.
Não confio em você, Mirian joga a arma de V. para fora do carro.
Caramba!!!
Desculpe.
Mas eu não a mataria, e quer saber por quê?
Não acredito em mais nada neste trabalho, a tempos que venho tentando saltar fora, a policia federal estava ótima 6 anos atrás, já até comprei um apartamento no Sul.
Voce gostou do barbudo e vai trabalhar com carteira assinada?
Acho que não sou eu a preconceituosa.
Mirian, tudo bem, estamos aqui trocando figurinhas, mas aqueles dois parecem que se entenderam.
Óbvio, o amor já venceu e repito, não estou desamparada.
Uhm, com essa pistolinha?
Não, com a que você sonha.

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Voce prefere que eu conte o final, aquela sicuta da excitação com final enunciado, para conseguir um comentário?

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Sobre o que pessoas querem mas pouco oferecem

Visibilidade e Respeito

Pertinências da comunicação são como ondas do rádio
uma questão de potência para cada caso
e uma boa antena para uma melhor sintonia
http://vaga-lumens.blogspot.com/

Quem diria que Billie, a voz, só a voz, agora me diria, sem tradução, sem simulacros, que a vida
é breve, que precisa existir um lugar, onde ser feliz para sempre. Um lugar maior que o coração, tão conhecido quanto a casa, onde nada faz lembrar que carecemos de liberdade.

"Menina americana negra e pobre, Billie passou por todos os infortúnios possíveis. Aos dez anos foi violentada por um vizinho, e internada numa casa de correção. Aos doze, trabalhava lavando assoalhos em prostíbulo e aos catorze anos, morando com sua mãe em Nova York, caiu na prostituição."(Wikipédia)

"Você não se importa de subir lá e ir tocando piano até Lady Day subir, se importa? Tenho de ir até lá embaixo, dar uns chutes no estômago dela, amassá-la um pouco e enchê-la de porrada para ela cantar bem.Quem falava assim de Billie Holiday era seu amante John Levy. Ela sofreu nas suas mãos e nas de quase todos os outros."
http://www.gabeira.com.br/noticias/noticia.asp?id=1151

Como perceber quem o destino já escolheu para a eternidade incorporal? Saquei o exemplo de Billie porque é indiscutível. Não foram os maltratos do jogo de indiferença dos Outros, que ela necessitava e por isso suportava quase ao ponto de amar sua vida, para assim ela também se confundir com os jogadores, e sobreviver.

"Dir-se-ia que as causas corporais são inseparáveis de uma forma de interioridade, mas os efeitos incorporais, de uma forma de exterioridade."(Gilles Deleuze, lógica do sentido, pag 175)

Ouvi em momento oportuno: críticas pessoais e sobre poemas são deselegantes. Esta é uma expressão que serve de exemplo para rastrear o destino incorporal, porque se tornou já 'patrimônio público'. Mas, ao encontrá-lo, O Destino, pode-se interferir em seu curso? Se possível a intervenção (um óbvio), como avaliar o preço à pagar pela contingência das interações por necessidade e certeza?

"O melhor modo de vingar-se de um inimigo, é não se assemelhar a ele."(Marco Aurélio)

Se não vencer, tambem não perde, fica na paz.

Somewhere Over The Rainbow