sexta-feira, 10 de julho de 2009

Milagres dos artistas



À comunidade:
Cartola, milagres não precisavam receber nomes... Porque sua História não carecia do esquecimento, e sua música não seria menos tocada que qualquer uma excretada por debilóides funcinários público de privadas gravadoras.
"Queixo-me às rosas, mas que bobagem, as rosas não falam, simplesmente as rosas exalam, o perfume que roubam de ti"

§

E atenção, atenção: já está liberado o direito à comentar posts passados, basta possuir o requisito essencial de obedecer ao tempo; chuva da semana passada não mata mais a sede, mas foram indispensáveis para nossa economia de comoções.
§

Para relembrar o post...., que surtil menos efeito do que o bater de asas de borboleta.

Para minha querida, Marcia

Ele, Deus, acreditou em si
jogado no próprio caos
jamais esperou sua salvação.

Quem precisar buscar em dicionários o significado de Moral, vai precisar, portanto, ler Genealogia da Moral, de Friedrich Nietzsche.
As chances são enormes de não precisar jamais prestar atenção simultânea para o mais ínfimo, nem o mais grandioso lance da vida.

Muita gente vende até a alma para conseguir esta "salvação"*.

Disconfio que o mercado, desde os tempos da simples troca para sobrevivência, até hoje, se baseia neste anseio pela desatenção total.
Por favor, não esperem que eu mastigue o significado de Moral, fazemos isso o tempo todo, conscientes ou não.

Igualmente temos o significado de Verdade.

E ambos, são vomitados a todo instante, pela espécie humana(sic)!, pouco tempo após nascer até o último suspiro.
Feito palavras funda-se o que conhecemos, inclusive esse outro significado inexpugnável: Conhecimento.

Até aqui, portanto, é meu limite, para não aborrecer o leitor que, consome blogs como se fossem os mesmo veículos, encontrados como remédios e cachaça, de comunicação; riqueza, sexo e fama* para se obter qualquer poder extraordinário para a sobrevivência do Ser, diante da onipresença do Nada**.

Suponhamos que, para a sobrevivência do Ser, ao contrário do Nada, exige-se critérios.
Então a Moral é o que seleciona tais critérios.
Creio que nem preciso dizer, já dizendo: é impossível Ser sem o Outro.

E qualquer Outro há de possuir critérios semelhantes enquanto existente.

Posso dar um exemplo absurdo: uma pedra fumegante lançada por um vulcão, um de seus critérios é, que além do natural ser pedra, está muito muito quente.
Outro limite, uma escolha que me imponho: não se ensina filosofia, aprende-se.
O exemplo da pedra até então parecia absurdo, aprofunde-se mais um pouco, ao invéz da pedra, pense um indivíduo.

Pense, se isso já for possível neste século, todos os critérios que todos indivíduos possuem tão somente por "ser natural"**.

Não tenha pressa, pode levar um longo tempo, depois pense todos critérios relativos ao "aonde estar", e, muito depois, pense os critérios do "ser artificial"***.
Finalmente, repito, para justificar a impossibilidade de descrever o significado de Moral, todo significado toma como base inúmeros critérios, e a espécie humana(sic) não tem, disconfio que mesmo se tivesse, vida média para tanto: pensar, entender e operar atravez de tais critérios. Evite de pensar, agora, contudo imagine, quais são os critérios para erigir um sentido(?Moral) que funda o que seria o melhor sentido para tudo.

Não estou fazendo apologia da desatenção total, da ignorância, da violência, da droga, etc...
*Alusão ao filme de Win Wanders,
** visibilidade.
*** tanto material quanto imaterial.

§

METÁFORAS DA VIDA
À Dnyelle, na vida real
(E a voce, Pretinha, espero que esteja lendo)

Quando deixei de ser criança, transfomei-me em algo quase inominável - todo nome, logo se torna decisão precipitada, quando o objeto de conhecimento é o ser - e deixei também de se apaixonar por professoras lindas e gostosas. Eu precisava de algo mais, então percebi que as psicólogas lindas e gostosas seria uma boa evolução. Trai várias, principalmente com filósofas lindas e gostosas. Muito tempo depois, logo antes deste algo em que sou - pássaro em viveiros de aves domésticas que só agrada se for um pifel (irrecusável!!?) em pratinho de plástico servido à beira de estrada no meio da sua viagem - e prefiro, mesmo sem qualquer valor para pagar pela preferência, as mulheres incaracterisáveis, sublimes e gostosas. Devido à experiência, este adjetivo se tornou raro e caro. Se antes não refletia sobre tal qualidade, agora tenho todo o tempo do mundo, e todas as mulheres porque não existe nehuma igual à outra, quanto mais escapam de seu estado natural. Estas, maldita naturalidade trivial, deixar-me iam já no início, portanto, não existe preço, quando voce dispõe oferecer a própria vida por quem só me deixará no último instante de sua lucidêz. Só o que fode a minha felicidade é não arrumar alguem que patrocine, que não me lembre o tempo todo, em silêncio ou em gestos inexpugnáveis, que posso morrer, solitário, a qualquer momento. É pelo menos o mínimo que uma mulher gostosa precisa conter na cabeça para encerrar minha busca renitente.

§

Passagem do meu livro em andamento.

Os primeiros quatro anos, lembro porque logo que me revelei, destaquei-me da condição natural, interroguei-me: o que fui até este tempo? Lógico que tomei como parametros meus irmãos e os meus companheiros ainda não se revelados. Lembro que fiquei com uma sensação estranha, como algo que vai se repetir ao longo de todos os tempos, como se aquele tempo em que estava, não era o primeiro, e o que eu fazia, farei sempre. Mas, felizmente, tive já consciência, que só tinha acabado de chegar ao mundo, tinha somente quatro anos, e pouco sabia ainda sobre isso tudo. Aquela foi talvez minha primeira sensação forte, diferente da dor, da fome e do abandono onde as aparências enganam, do preço que a vida vai cobrar a todo momento, para me recompensar, caso consiga pagar cada valor, decidido alhures, ou, caso não pague, para me recobrar, cada vez mais, para que os juros da causa possa sempre abalar a minha conciência, para jamais esquecê-la. Tomei consciência, de repente, lembro que foi a primeira, sem saber como ou o por quê e para quê; claro que tornou muito mais interessante viver, mas não foi uma escolha e nem necessitava, portanto não deveria haver ônus. Quem comanda isso? Na época, procurei debaixo até de coisas ínfimas; debaixo dos sapatos do meu pai, debaixo dos cestos de lixo, debaixo das coisas escondidas dos meus irmãos, debaixo do corpo nas raras vezes que minha mãe deitava.
Ainda neste ano, era 1964, lembro que descobri algo que produziu minha segunda forte sensação, bem maior que a anterior. Sem saber qual seria a celêuma que ocorria na minha família, fiquei olhando por horas a porta aberta, a luz de fora de repente se tornou sublime, coloquei-me a rir, rir à tôa, então, sem querer, soltei uma gargalhada; imagine uma criança de quatro anos soltar uma gargalhada do "nada" em plena guerra mundial, todos ficaram em silêncio, óbvio, eu me levantei e sentei na soleira da porta, juro que ouvi I've put a spell on you, era uma manhã de sol, o jardim, não havia reparado antes, se tornou maravilhoso, não lembro o que fiz à partir deste instante, creio que me joguei feito um avião e rodiei a casa, creio que houve outra espécie de tempo, outro tipo de tempo intercalado ao tempo maior que então ocorria, volto a lembrar com exatidão no momento que percebi a minha família inteira, menos meu pai e meu irmão caçula que dormia, obsevando-me como se eu fosse um cachorrinho; meus tres irmãos mais crescidos se divertiam exageradamente diante daquele quadro e que minha mãe logo me repreendia; eu estava comendo algumas pétalas de uma rosa cor de rosa que ela mais adorava. Ela me levou de volta para dentro de casa, meus irmão riam, o mais velho pegou o resto das pétalas, olhou e soltou ao chão como se fosse algo insignificante, o segundo quase se cagou de rir e o terceiro pisou minuciosamente cada pétala, conferindo e comparando os resultados de cada esmagamento. Inaugurou-se então nova sensação forte, repito, diferentes das comuns, foi a segunda, muito maior em relação à primeira, e esta desencadeou um inúmero tão grande de sensações menores, mais fracas, sem causas visíveis, e, que são como armadílhas, talvez porisso, ignorei-as, para refletir sobre a maior.
Como é impossivel refletir sem questionamentos, lembro, questionei-me severamente: o que foi aquele tempo lá fora? O que ocorreu para que tivesse um desfecho tão repugnante? O que pode ser pior que o tempo de guerra que ocorria?
Lembro que lentamente fui recordando o que ocorreu naquele tempo/intervalo, eu tentava entender uma frase que meu irmão mais velho dissera, antes da bagunça generalizada que a guerra provocou, ele conversava com o terceiro, dizia algo sobre uma borboleta quando bate asas em um lugar qualquer, não importando quão longe seja, causa um efeito em outro lugar, porque causa efeito em todos os lugares. Eu não sabia o sentido daquela frase.
Enquanto a guerra acontecia, antes pensava que indiferente a mim, eu procurava o sentido daquela frase com o olhar por toda a sala, procurava nas expressões dos rostos e nas palavras deles, procurava reunindo todos os meus pensamentos e não encontrava o sentido. De repente olhei a porta aberta, a luz invadindo o escuro da casa, deduzi que o sentido talvez esteja mais longe, talvez esteja após a porta, e ela estava aberta naquele instante

terça-feira, 7 de julho de 2009

Depois de invadir os (doces?) bárbaros


A maioria dos cariocas deixaram de ser à favor da pena de morte. Tal postura política, rejeitada depois das comemorações das bodas de ouro, foi rejuvenecida pela maioria dos moradores do Rio de janeiro, mas que não são cariocas. Estes 66% da população que moram logo abaixo do Cristo Redentor, a maioria ainda não contam com a simpatia da maioria dos restantes, são apenas brasileiros.

Apesar de um grupo ser o dobro em número, a pena de morte, executada pela maioria de tal maioria, não pode ser novamente lei.

Na única vez que estive no Rio de janeiro, fui encontrar uma cantora, em copacabana, cuja voz é inconfundível e seus olhos é da cor do papel de parede da área de trabalho do deus cristão. Podia ter aceitado como perdida viagem; o empresário mandou um office boy dar o recado que ela estava indisposta. Ela não é carioca, mas também podia ser qualquer uma; toda mulher é livre. Resolvi aproveitar o final de semana para me distriair, conhecer a vitrina da cidade maravilhosa, os fundos, os 'chefes' das escolas de samba que, depois da invasão daqueles(vide título) na cabeça dos 'seus' diretores, tornaram-se, sem cara, com pose, à imagem e semelhança do falecido painho baiano. Nesta única vez, estava de bermuda cáqui, camiseta pólo branca com bolso, nele um masso de cigarros com a guela de fora sem necessidade, óculos escuro sobre a testa, não pude
disfarçar que sou algo paulistano, encontrei uma turma (Ah, se fosse a Ulma Thurman) que me recebeu de braços ao contrário da estátua que simboliza a cidade. Um cara me estendeu a mão para cumprimentar, só depois que soube que já li inúmeros livros interessantes que ainda não leu. E eu não quereria jamais tomar o braço, o corpo todo; estava estampado na minha face que eu não podia demorar, que não sabia voltar para o hotel, que eu não pegaria um taxi no cú da madrugada. Os cariocas sabem que paulista é neurastênico, mas jamais bobos ou frugais; como se estas duas qualidades fossem possíveis imitar.

Daquela turma, eu só me enganei com o cara que me estendeu a mão, e até perceber meu engano, já havia passado da meia noite.

Então me levantei da cadeira, lentamente, já havia bebido tantas caipirinhas quanto é possível se enganar com as ofertas anunciadas na TV. Sem perder o mínimo de diálogos que conquistara, esperei alguns segundos, aproveitei a distração geral para comigo, virei-me para sair dali, quando, olha só, o cara que me estendeu a mão na entrada, estendeu-me o pé na saída, eu tropecei, cai, mas rapidamente me levantei, bati a poeira, neurastênico, jamais bobo ou frugal, chutei enfim o saco do cara; ele que vivia reclamando que eu chutava seu saco a todo momento.

As reclamações intermitentes geram energia, que criam campos magnéticos, "mas nem sempre é bom ser esperto"(Racionais MC). E Atenção: os imãs são úteis como instrumento de movimento; agarra e solta ou como consumo de energia elétrica ou para evitar atrito ou potencializador sonoro ou etc.

Obviamente não era o caso no cara, mas reconheço, a contra gosto, porque parado, que também são úteis os imãs como porta clipes.

E porque, finalmente, chutei seu saco, não obstante poderia deixar de mentir em sua reclamação, e reclamar é saudável, em casos verdadeiros, ao se sentir, isolado ou acompanhado, prejudicado, eu guardo somente uma lembrança agradável, da sua resposta quando eu lhe perguntei:

- Voce é a favor ou contra a pena de morte?

Citando alguém que, pelas suas palavras, não faço a mínima idéia do que seja, respondeu:

- Nem à favor nem contra, mas muito pelo contrário.


§


A RECUSA DOS CARNICEIROS

"Quem duvida que tendo o Brasil três milhões de gente livre, incluídos ambos os sexos e todas as idades, este número não chegue para arrostar dois milhões de escravos, todos ou quase todos capazes de pegarem em armas? Quem, senão o terror da morte, fará conter essa gente imoral nos seus limites?
Francisco de Paula e Souza e Melo, em discurso na Cãmara dos Deputados, sessão de 15 de Setembro de 1830."
Ano de 1830, Rio de Janeiro, na Câmara dos Deputados, o senhor Antonio Pereira Rebouças, em seu discurso, lembra do que aconteceu.
Quando quiseram novamente usar um açougueiro para fazer o serviço do carrasco, os açougues fecharam e os carniceiros se recusaram a desempenhar "sua" tarefa; expressa na Lei AI5/1968. Alguns foram fuzilados no paredão de fora do quartel da Barra. Péssima idéia, a população demorou, mas depois começou a se revoltar.
Podem faltar carrascos, mas nunca faltarão expectadores.
"O Sr. Rebouças sabia disso, mas não vai comentar tais circunstâncias." Tal repercussão se ouvia nos bares do Leblon, e ecoa até os dias de hoje.
Na França comprava-se (ou compra-se) um condenado à morte em uma cidade para que ele fosse executado numa outra, que por falta de criminosos ficara um tempo muito longo sem oferecer ao povo um espetáculo dessa natureza.
A pena de morte, pela função educativa que lhe atribuem seus defensores, deve ser levada à efeito em local amplo que facilite a observação do maior número de pessoas. Todos os cidadãos devem ter a opurtunidade de poder ver, ao mesmo tempo, o trabalho do carrasco.
Infelizmente a maioria tem que se contentar com o relato de um amigo, parente ou vizinho que teve a sorte de estar presente.
Ao infeliz que não pôde assistir à execução resta ouvir, invejoso e inferiorizado, a descrição de como o condenado chorou como um poltrão e pediu misericórdia;
ou então como, opostamente, manteve sua alma negra e seu coração perverso sob controle;
e como ele, o venturoso espectador, vomitou ao ver a aparatosa cena
e passou a noite em claro relembrando seu emocionante horror.
As mulheres, está comprovado, ficam ainda mais excitadas com o hediondo espetáculo.
Um réprobo estrebuchando pendurado pelo pescoço é algo que tem que ser visto pelo menos uma vez na vida.
Isso faz pensar num "terrível pátio de Versalhes, onde se fazia", segundo Michelet, "na noite da caça, a distribuição de restos de carne aos cães famintos.
Pátio pequeno, bem pequeno, que devia parecer um abismo de sangue, um poço de carniça.
Um balcão interior permitia às belas damas olhar à vontade e aspirar seu perfume".
Atualmente os professores e professoras se divertem com a história de nosso país, enquanto, provavelmente, estudam a sério a história dos outros.
No ano de 1830, o senhor Rebouças queria votar contra a pena de morte na discussão do projeto de código criminal, na Câmara dos Deputados.
Todos sabem que se for feito um plebiscito para decidir se a pena de morte deve ou não ser abolida, a pena de morte será vitoriosa.
O senhor Rebouças dizia, "a pena de morte é contra o Poder Divino e igualmentre contra a Constituição.
É desnecessária, é ineficaz, é nosciva e depravadora a toda prova e não deve manchar o nosso Código Criminal".
É sabido que a maioria dos parlamentares, magistrados, clérigos, altos funcionários não dão muita importância aos problemas da administração da justiça em nosso país.
Neste mesmo ano, o senhor Ferreira França rejeita um projeto à favor da pena de morte, total, geral e irrestrita.
E aos brados retumbantes: "... vejo nele uma hidra de crimes e culpados, muitos cúmplices, muitos aderentes.
Senhores! As penas devem ser reduzidas ao menor número possível.
Todo legislador que a cada falta impõe uma pena, que só quer achar criminosos, não é certamente digno do nome de homem;
é um tigre digno de só legislar para os animais ferozes".
(64 contos de, Rubem Fonseca. Editora Companhia Das Letras)
§
E aos verdadeiros:
O Seu Amor
Doces Barbaros
Composição: Gilberto Gil
O seu amor
Ame-o e deixe-o
Livre para amar
Livre para amar
Livre para amar
O seu amor
Ame-o e deixe-o
Ir aonde quiser
Ir aonde quiser
Ir aonde quiser
O seu amor
Ame-o e deixe-o
brincar
Ame-o e deixe-o
correr
Ame-o e deixe-o
cansar
Ame-o e deixe-o
dormir em paz
O seu amor
Ame-o e deixe-o
Ser o que ele é
Ser o que ele é
Ser o que ele é.

domingo, 5 de julho de 2009

História Universal da Infâmia




Desta noite, ainda apavorado, ficou a impressão que sempre sonhei um mesmo sonho. Sequer lembro o momento em que acordei, e não quero tampouco lembrar; não sei quais foram as consequências, não sei se estava tão somente dormindo em minha cama, ou se a polícia chegou; qualquer hipótese faz o jogo de uma moeda para cima e o que der, realmente não me interessa nem um pouco. Eu conversava com meu filho sobre a sensação quase etílica de sonhar com as pessoas que desejamos. Ele dizia: Ah, sim, mas depende em qual categoria brota o desejo. Leve e rápido, ele busca, é meu filho, logo busca uma estruturação; talvez porisso sempre vejo olheiras fundas após debates demorados sobre idéias profundas. É comum, jamais espero tanto para saber se uma pessoa já terminou seu raciocínio. Continuei a dizer que, após certa idade, ao atingir certo acúmulo de experiências, pode-se libertar plenamente os desejos em categorias mais obscuras; não há quem entenda por que aparece desejos, conforme havia ocorrido no dia anterior, antes desta noite do sonho, durante o bater do martelo; eu sou juiz da vara criminal.
O leitor vai verificar que estou certo quanto as olheiras do meu filho. Vi olheiras iguais nele antes somente quando dormiu com a minha amiga Sofia, com a Lida Apetitosa, apelido oficial para todas diarista que contrato, e a minha secretária adjunta Marcia, as três juntas. Então ele me perguntou em qual categoria se encaixa o martelo do juiz, obviamente com declarado sarcasmo; imerecido, pois tenho apenas quarenta e nove anos. Não soube responder, fui evasivo, disse que talvez estivesse quebrando castanhas.
Deste momento depois estava na cozinha, fazia meu lanche normal, com todas as proteínas e carbohidratos que encontrava. Quando voltei ao quarto, só foi possível ver os pés dele, por fração de segundo, sumindo dentro do monitor do computador.
Peço desculpas de ante mão, pois o que vou contar, o que aconteceu à seguir...
E agora estou aqui, entrei neste, neste - não espero que alguém concorde comigo, mas este nome significa tudo ou algo mais que qualquer significado - Amarelo Fosco; seja perseverante em visitar blogs, só assim vai encontrar o que importa, independente das formas.
Quando entrei, seguindo o rasto de Borges, para justificar certa infâmia, depois de ler este conto magistral sobre portas e passagens atemporais; por onde mormente, devido à sutilezas extraordinárias, a pessoa é capaz de se perder de si, sem ao menos perceber o motivo, claro, após se achar novamente. (Percebe? Ainda bem que foi rápido.) Quando entrei aqui, depois de ler o post e olhar o espaço para comentar, de repente caracteres apareceram, acompanhei-os atentamente, formou-se uma frase para mim, dizia: "... não se esqueça, então, isto é um sonho." Depois que pensei se tratar tão somente de brincadeira do meu filho, ficar traquilo como sempre feito jacaré insidioso ao sol, a boca enorme porem incapaz de latir, veio a aterradora sensação de terror. E, este instante se passou a tres minutos atrás, meu filho entrou no quarto, disse-me, ao ver minha cara de espanto, que foi no banheiro. Esta é a razão do meu desespero, não há a menor dúvida.
http://amarelofosco.wordpress.com/2008/09/06/o-sonho-de-coleridge/#comment-1163

§

“O sábio sabe que ignora.”(Victor Hugo)
E, diante de uma sociedade de pessoas iguais, eu corto minha orelha tambem para não morrer.


“Deus tinha a flexibilidade do canudo mas mantinha-se rígido e inerte, confirmando assim sua natureza de tubo. Ele conhecia a serenidade absoluta do cilindro. Ele filtrava o universo e nada retinha.”(A metafísica dos tubos - Amélie Nothomb)
E, Deus cresceu, diversificou-se em Abundância. Aos que O esquece, não esquece.


“Alguma enguia em minha testa atesta que o eletrochoque é pra voltar ao normal. Mas será que eu quero o meu normal de volta?” (Rodrigo de Souza Leão )
E, cotidianamente, sem saber, a mentira fora do circo.


“Ainda um bicho de sete cabeças” (Uma voz impertinente)
E, a comunicação, um suvenir. Ressentimento? Claro, por que não? Fiz a primeira comunhão muito antes de ler Nietzsche.

É provável que ao desejo somente o desejo basta. (Frase minha, salvo casos de exaustiva apuração)
Escrevi esta frase no parachoque de uma C14 em 1980. O apelido dela era Hajabiraca. Quando me perguntavam 'por que jabiraca?', eu respondia 'pergunte o que é biraca'. Acho que já não é mais surpresa para ninguém, ninguém perguntava.

sábado, 4 de julho de 2009

Os desejos e os sentimentos se confundiriam...



Se os tubarões fossem homens, eles seriam mais gentís com os peixes pequenos.

Se os tubarões fossem homens, eles fariam construir resistentes caixas do mar, para os peixes pequenos com todos os tipos de alimentos dentro, tanto vegetais, quanto animais.
Eles cuidariam para que as caixas tivessem água sempre renovada e adotariam todas as providências sanitárias cabíveis se por exemplo um peixinho ferisse a barbatana, imediatamente ele faria uma atadura a fim de que não moressem antes do tempo.
Para que os peixinhos não ficassem tristonhos, eles dariam cá e lá uma festa aquática, pois os peixes alegres tem gosto melhor que os tristonhos.
Naturalmente também haveria escolas nas grandes caixas, nessas aulas os peixinhos aprenderiam como nadar para a guela dos tubarões.
Eles aprenderiam, por exemplo a usar a geografia, a fim de encontrar os grandes tubarões, deitados preguiçosamente por aí.

Aula principal seria naturalmente a formação moral dos peixinhos.

Eles seriam ensinados de que o ato mais grandioso e mais belo é o sacrifício alegre de um peixinho, e que todos eles deveriam acreditar nos tubarões, sobretudo quando esses dizem que velam pelo belo futuro dos peixinhos.
Se encucaria nos peixinhos que esse futuro só estaria garantido se aprendessem a obediência.
Antes de tudo os peixinhos deveriam guardar-se antes de qualquer inclinação baixa, materialista, egoísta e marxista.
E denunciaria imediatamente os tubarões se qualquer deles manifestasse essas inclinações.

Se os tubarões fossem homens, eles naturalmente fariam guerra entre si a fim de conquistar caixas de peixes e peixinhos estrangeiros.
As guerras seriam conduzidas pelos seus próprios peixinhos.
Eles ensinariam os peixinhos que, entre os peixinhos e outros tubarões existem gigantescas diferenças.
Eles anunciariam que os peixinhos são reconhecidamente mudos e calam nas mais diferentes línguas, sendo assim impossível que entendam um ao outro.
Cada peixinho que na guerra matasse alguns peixinhos inimigos da outra língua silenciosos, seria condecorado com uma pequena ordem das algas e receberia o título de herói.

Se os tubarões fossem homens, haveria entre eles naturalmente também uma arte, haveria belos quadros, nos quais os dentes dos tubarões seriam pintados em vistosas cores e suas guelas seriam representadas como inocentes parques de recreio, nas quais se poderia brincar magnificamente.
Os teatros do fundo do mar mostrariam como os valorosos peixinhos nadam entusiasmados para as guelas dos tubarões.
A música seria tão bela, tão bela, que os peixinhos sob seus acordes e a orquestra na frente, entrariam em massa para as guelas dos tubarões sonhadores e possuídos pelos mais agradáveis pensamentos.

Também haveria uma religião ali.

Se os tubarões fossem homens, eles ensinariam essa religião.
E só na barriga dos tubarões é que começaria verdadeiramente a vida.

Ademais, se os tubarões fossem homens, também acabaria a igualdade que hoje existe entre os peixinhos, alguns deles obteriam cargos e seriam postos acima dos outros.
Os que fossem um pouquinho maiores poderiam inclusive comer os menores, isso só seria agradável aos tubarões, pois eles mesmos obteriam assim mais constantemente maiores bocados para devorar.
E os peixinhos maiores que deteriam os cargos valeriam pela ordem entre os peixinhos para que estes chegassem a ser, professores, oficiais, engenheiros da construção de caixas e assim por diante.

Curto e grosso, só então haveria civilização no mar, se os tubarões fossem homens.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

O retrato da solidão



Um retrato em imagem é menor que o retrato em palavra, porém ambos, possíveis de infidelidade, são menores que o retrato em experiência. Mas muita atenção agora: maior e menor, aqui, não cabem em uma escala de comparações, quando estas serão usadas para viabilizar uma pessoa física ou jurídica; salvo em casos de escolhas para fins profissionais.
Por exemplo: podemos dizer amor, ao amor, à amizade, ao conhecimento, ao estrangeiro, etc., porque fundamentalmente serão apenas palavras, passíveis de erro, mesmo quando esta supõe um valor intrínseco, e no entanto, uma experiência é irrecuperável, ela se entranha na carne histórica de cada pessoa, na pior das hipóteses se transforma em cicatriz e jamais desaparece, mesmo quando esquecida ou trocada por outra ou maquiada.
Convém também um exemplo pessoal: Hoje é sexta feira. Ser hoje é mais importante que ser sexta feira. Ser é mais importante que hoje, ou sexta feira. Voce estar lendo, além de reforçar a minha experiência do ser, pode completá-la de inúmeras formas, sem escala de valores ou tamanhos ou o raio que parta as escalas de comparações, pode simplesmente comentar o post ou me olhar nos olhos e me fazer companhia neste dia.


§


O texto á seguir não é uma aula. Repito: o texto à seguir não é uma aula.
E não é exatamente dirigido a uma única pessoa. Todos estão convidados à 'diversão'.


SEGUNDO PASSO


QUAMODO ADMINISTRANDAE SUNT CIVITATES VEL PRINCIPATUS, QUI ANTEQUAM OCCUPARENTUR, SUIS LEGIBUS VIVEBANT
Quando aqueles Estados que se conquistam, estão habituados a viver com suas próprias leis e em liberdade, existem três modos de conservá-los: o primeiro, arruiná-los; o segundo, ir habitá-los pessoalmente; e o terceiro, deixá-los viver com suas leis, arrecadando um tributo e criando em seu interior um governo de poucos, que se consevam amigos, porque, sendo esse governo criado por aquele príncipe, sabe que não pode permanecer sem sua amizade e seu poder, e há que fazer tudo para conservá-los.


DE PRINCIPATIBUS NOVIS QUI ARMIS PROPRIIS ET VIRTUTE ACQUIRUNTUR
Elevar-se de particular a príncipe pressupõe ou virtude ou boa sorte, parece que uma ou outra dessas razões mitigue em parte muitas dificuldades; não obstante, tem-se observado, aquele que menos se apoiou na sorte reteve o poder mais seguramente. Gera ainda facilidade o fato de, por não possuir outros Estados, ser o príncipe obrigado obrigado a vie habitá-lo pessoalmente.


DE PRINCIPADUS NOVIS QUI ALIENIS ARMIS ET FORTUNA ACQUIRUNTUR
Aqueles que somente por frtuna se tornam privados príncipes, com pouca fadiga assim se transformam, mas só com muito esforço assim se mantém: não encontram nenhuma dificuldade pelo caminho porque atingem o posto a vôo; mas toda sorte de dificuldades nasce depois que aí estão.


DE HIS QUI PER SCELERA AD PRINCIPATUM PERVENERE
Estes são: quando por qualquer meio criminoso ou nefário se ascende ao principado, ou quando um cidadão privado torna-se príncipe de sua pátria pelo favor de seus concidadãos.
Por isso é de notar-se que, ao ocupar um Estado, deve o conquistador exercer todas aquelas ofensas que se lhe tornem necessárias, fazendo-as todas a um tempo só para não precisar renová-las a cada dia e poder, assim, dar segurança aos homens e conquistá-los com benefícios. Quem age diversamente, ou por timidez ou por mau conselho, tem sempre necessidade de conservar a faca na mão, não podendo nunca confiar em seus súditos, pois que estes nele também não podem ter confiança diante das novas e contínuas injúrias.
Portanto, as ofenças dever ser feitas todas de uma só vez, a fim de que, pouco degustadas, ofendam menos, ao passo que os benefícios devem ser feitos aos poucos, para que sejam melhor apreciados.
Acima de tudo, um príncipe deve viver com seus súditos de modo que nenhum acidente, bom ou mau, o faça variar: porque surgindo pelos tempos adversos necessidade, não estarás em tempo de fazer o mal, e o bem que tu fizeres não te será útil eis que, julgado forçado, não trará gratidão.


Res dura, et regni novitas me talia cogunt
moliri, et late fines custode tueri*


O príncipe, contudo, deve ser lento no crer e no agir, não se alarmar por si mesmo e proceder por forma equilibrada, com prudência e humanidade, buscando evitar que a excessiva confiança o torne incauto e a demasiada desconfiança o faça intolerável.


Nasce daí uma questão: se é melhor ser amado que temido ou ao contrário. A resposta é de que seria necessárioi ser uma coisa e outra; mas, como é difícil reuni-las, em tendo que faltar uma das duas é muito mais seguro ser temido do que amado.
Isso porque dos homens pode-se dizer, geralmente, que são ingratos, volúveis, simuladores, tementes do perigo, ambiciosos de ganho; e, enquanto lhes fizerem bem, são todos teus, oferecem-te o próprio sangue, os bens, a vida, os filhos, desde que, como se disse acima, a necessidade esteja longe de ti; quando esta se avizinha, porém, revoltam-se.


E o príncipe que confiou inteiramente em suas palavras, encontrando-se distituido de outros meios de defesa, está perdido: as amizades que se adquirem por dinheiro, e não pela grandeza e nobreza de alma, são compradas mas com elas não se pode contar e, no momento oportuno, não se pode utilizá-las.


E os homens tem menos escrúpulos em ofender a alguem que se faça amar do que a quem se faça temer, posto que a amizade é mantida por um vínculo de obrigação que, por serem os homens maus, é quebrado em cada oportunidade que a eles convenha; mas o temor é mantido pelo receio de castigo que jamais se abandona.


Deve o príncipe, não obstante, fazer-se temer de forma que, se não conquistar o amor, fuja ao ódio, mesmo porque podem muito bem coexistir o ser temido e o não ser odiado; isso conseguirá sempre que se abstenha de tomar os bens e as mulheres de seus cidadãos e de seus súditos e, em se lhe tornando necessário derramar o sangue de alguem, faça-o quando existir conveniente justificativa e causa manifesta.


* A dura situação e a novidade (no sentido de instalação recente) do reino obrigam-me a fazer tais coisas e guardar amplamente as fronteiras".


Texto extraído do livro "IL PRINCIPE", de Nicolaus Maclavellus. Tradução de Roberto Grassi. Editora Civilização Brasileira.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

O inefável das quimeras



Aqui, neste post, voce vai encontrar duas situações que ilustram como podemos perder nosso livre arbítrio. E sem esta exclusiva capacidade humana, pode-se muito bem errar e ser perdoado ou perdoar. Embora o perdão, também, na sua melhor expressão, é resultado do livre arbítrio.
A arrogância, tanto quanto a humildade, nem sempre é uma questão de escolha. O mesmo se pode dizer do amor, do ódio, da grandeza, da fraqueza, da piedade, da crueldade, da paz, da guerra, da feiura, da beleza, etc; a lista é infinita, e devemos à aventura de viver, nos preparar para uma luta infinita, rss, até que a morte nos separe deste prazer. A vida é bela, a bela é doce, quando a tempo, livre e verdadeira.
Não há dúvidas que reproduzimos iguais métodos de sobrevivência dos animais irracionais, quase sempre reforçados pela racionalidade. Portanto, esta nem sempre é sinônimo de evolução.
Enfim, acredito que o melhor sinônimo de evolução, da evolução do humano sobre as bestas, é o livre arbítrio.
Se uma besta não se responsabiliza por suas condutas, antes de sacrificá-las, ou as enjaular, ou até humilhá-las, metafórica e literalmente, quando possível, precisamos nos manter livres para encontrar uma solução melhor. E se o animal não for uma besta, com certeza será responsabilizado por si mesmo, para salvaguardar sua capacidade de perdoar ou ser perdoado; quando Ser se torna um pé no saco, com livre arbítrio, salvo situações raras, jamais haverá quem escolha ser o pé ou o saco.
Finalizando este aparente contrataque racional a um aparente ataque irracional, as aparências não só enganam como podem ser úteis, Menina, reflita sobre as dificuldades de viver com livre arbítrio, e sua consequente responsabilidade, para todos, sem excessão, em sociedade:
"Quando um sábio aponta a estrela, os alunos tolos olham para seu dedo, apenas."

§

EXISTE UMA BELEZA MODERNA
André Comte-Sponville
do livro Sabedoria dos Modernos, editora Martins Fontes
(fragmento e recomposição livre)

Que haja uma beleza moderna, é algo que não me parece nem um pouco contestável.
Basta olhar as mulheres na rua para perceber:
a beleza está sempre presente, mais que nunca talvez, e é de uma modernidade impecável.

Porque as mulheres não são as mesmas de cem anos atrás.

Seu corpo não é o mesmo, nem, principalmente, sua maneira de vesti-lo.
Suas roupas não são as mesmas, nem sua maneira de usá-las.
Seus olhares, seus sorrisos são diferentes.
Seu andar é diferente, sua postura, essa mistura surpreendente,
pelo menos nos casos mais favoráveis,
de simplicidade e audácia, elegância e humor, graça e sensualidade...

Os homens de hoje tem muita sorte:
as mulheres nunca foram tão belas,
sem dúvida, em todo caso tão conformes a nosso gosto,
nem tão livres, nem tão desejáveis...
Que prazer ser contemporâneos delas!

§

Conforme o prometido, mais um oportuno trecho de meu livro em andamento:

1965 foi muito diferente do ano que se passou e que deixou muita saudade, eu sofria com isso. Só em fevereiro, com meu aniversário de 5 anos, pude retomar aquele presente, a consciência, que, já havia entendido, alguem alhures havia me emprestado e eu ainda não sabia como pagar o impréstimo. Mas algo me dizia que, não tinham levado embora para sempre, haviam só a escondido de mim.
No dia, lembro como se fosse agora, não havia comemoração, só minha mãe lembrou de falar algo referente ao aniversário. Não vou escrever, não porque dói até hoje, não vou, apenas, porque sempre se repetiu a mesma situação, nos meus aniversários e quase sempre também em dias comuns. Mas tomei uma decisão de homem, acho porque foi a primeira grande decisão na minha vida, quando resolvi jamais chorar pela indiferença do mundo. Sabia que era uma atitude fraquinha, mas foi uma atitude de homem, igualzinho ao Veludo.
As crianças deveriam estar longe dos julgamentos morais dos adultos, pensava enquanto caminhava; havia descoberto isso tambem muito recentemente, na época. Foi durante a primeira vez que fui até a igreja sozinho, a igreja de Santo Antônio, a cinco quadras de casa. A recomendação exagerada da minha mãe não me deixava pensar quando atravessava as ruas. Era raro passar carro, como hoje, e só haviam bicicletas, cavalos e carroças. Depois, quando voltava, passou por mim uma moça alta, rosto bem branco, cabelos bem pretos, com uma super mini saia, aquela beleza fêz-me deduzir sem qualquer dúvidas, ela era uma Mulher, era o máximo que uma mulher podia atingir na beleza, ela não era como uma cadela, como uma menina, como a minha mãe, ela era realmente uma mulher.
Parei na calçada para apreciar a moça se aproximar, ao passar ao meu lado ela sorriu para mim, eu lhe devolvi o sorriso. Lembro, só foi ela se distanciar um pouco, eu corri e me agachei para olhar debaixo daquela saia. Não sei se pensei algo para tomar aquela decisão, provavelmente foi apenas curiosidade, que não precisa ser pensada. O que vi, até hoje retenho na memória, não há nada no mundo que me faça esquecer.
Ao chegar em casa, entrei calado, passei direto para o quarto, sentei na cama e pensava na bunda daquela moça, pensava tanto que até podia ver na minha frente e quase podia tocar, sentir parte do corpo tão magnífica. O meu pinto que vinha endurecendo a toda hora doia, latejava, quase pensei que estava doente, eu o olhei, estava muito vermelho, latejava tanto que dava para sentir com a mão, estava muito quente, peguei-o devagar, o calor passou para a mão e o apertei bem forte. Então percebi as cabeças dos meus irmãos se esconderem na janela. Logo minha mãe entrou muito brava comigo. Não entendi nada.
Noutra ocasião, lembro que, talvez na mesma semana, estávamos toda a mulecada da rua junta se deliciando com as goiabas da casa da Dona Júlia; era temporada, esperávamos os donos das casas sairem e atacávamos como nuvem de gafanhotos, e quando chegava reclamação, sempre se devia somente à sujeira do quintal.
A dona Júlia tinha uma filha quase do meu tamanho, a menina não queria comer as goiabas, ela queria brincar de casinha. A mulecada até tacava goiabas, ela não desistia, então fiquei curioso com aquela agressão sem sentido e depois com dó quando uma goiba bem podrona acertou seu vestido, sujando-o, ela chorou, desci do pé de goiba e fui brincar com a menina. A gozação foi geral, eu continuava sem entender, mas pressentia que tudo aquilo, toda aquela violência era natural, como as necessidades fisiológicas de excressão.
A menina se chamava Lidinha. Lembro até dos diálogos. A certa altura da brincadeira, ela quiz ver meu pinto, mostrei. Eu tambem quiz ver e foi uma surpresa quando vi que ela não tinha um pinto tambem. Eu ri muito e ela também. Toquei o cortinho dela para ver se seu pinto estava escondido lá dentro, quando tentei enfiar meu dedo, ela gritou, levantou-se e correu.
Eu fiquei triste, voltei até o pé de goiaba, mas não deu nem tempo para subir quando meu pai passou na rua e olhou para nós, e continuou, como era seu costume, como se nem tinha visto nada. Meus irmãos desceram amedrontados. Fiquei com medo também. Corremos para casa, sentamos no sofá, calados como quem sabe que algo vai acontecer.
Meu pai saiu do seu quarto direto até a cozinha, trancou a porta - a porta da sala era proibida de abrir -, demorou um pouco, e sem dizer nada, apareceu com uma folha de espada de são jorge e bateu em todos aleatóriamente. Fui o único que não pulou a janela ou conseguiu fugir para a proteção da mãe. Fiquei no mesmo lugar do sofá, apanhei muito, sem gritar nem chorar. Meu pai parou de bater e ficou um tempinho olhando pra mim, talvez porque estava cansado, mas foi discutir com a minha mãe. Ela veio, triste, e me abraçou. Comparei, meu corpo estava muito mais quente.
Muito tempo depois que minha mãe voltou aos seus afazeres, alí sozinho vi meu pai sair com uma pequena mala, sem se despedir, sequer olhar para mim. Percebi outra vez, naquele mesmo dia, que eu não estava entendendo nada, do que vinha acontecendo à minha volta. Lembrei que meu presente de empréstimo do ano passado havia sumido da minha cabeça, a consciência, algo a levou embora, ou mais uma vez a escondeu, senti uma tristeza jamais prevista por mim, tão grande que não pude resistir, tampei os olhos com as mãos e chorei, chorei muito.
Ainda lembro que minha mãe me colocou na cama, quiz beijar-me a testa, mas apenas passou a mão em minha cabeça. A tristeza pareceu dor, almentou muito depois que minha mãe não me beijou; foi como se a tristeza viesse de dentro de uma ferida na alma.
Talvez na fronteira entre estar dormindo ou acordado, pude repensar, então encontrar algo de positivo naquele dia. Talvez estes tipos de coisas que existem só no pensamento nem sequer existam de verdade; consciência, tristeza, dor, ferida da alma...
Gostávamos, antes de dormir, menos o Lito, de ficar conversando com a luz apagada. Teve um dia que combinamos de ir nadar em um rio muito longe, fora da cidade e então íamos acordar bem cedo. Era a minha primeira vez que me afastaria para bem longe do lugar em que vivia, então poderia comprovar que existe mais mundo além de até onde meus olhos alcançam. Claro que, já naquela idade disconfiava que outros ou o meu mundo se expandia tambem atravez dos meus pensamentos. E não é surpresa, eu não consegui dormir, fiquei imaginando uma série de acontecimentos e paisagens e pessoas diferentes e animais selvagens e perigos reais...
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domingo, 28 de junho de 2009

Diga NÃO às Drogas


Vou começar de uma forma proposital, consciência livre, tentando resolver problemas triviais que possuem a fama de ser insolúveis, por motivos, na base do chutômetro, psicológicos e que fazem mal a saúde do corpo. Sou contra.


Este texto é ou seria para participar da Campanha Diga Não Às Drogas. A indução ocorreu durante uma visita zapeada ao espaço dos blogs. Sou à favor.


Minha mãe tem 80 anos. Agora a pouco, depois de assistir ao filme Quart4B, do Marcelo Galvão, fui até a cozinha para tomar o avant-terrible café, feito de manhã, e aproveitei para (tentar)contar a estória. Sou contra.

O filme conta uma situação inusitada, que passam algumas pessoas, pais de alunos de uma mesma sala de aula, são convocados para uma reunião, cujo motivo foi um faxineiro ter encontrado uma quantidade de maconha embaixo da carteira, mas não se sabe qual foi a criança responsável. Sou à favor.

Até aí minha mãe prestou atenção, quando descrevi o inusitado, ela interrompeu com um julgamento sumário; desculpável. Sou à favor.


É cruel, o filme, porque parece insuperável, semelhante às drogas. Sou à favor.


Acredito que não é necessário distinguir a legalidade, tal palavra tem sentidos paradoxais; é legal em um momento e ilegal noutro. O 'jeitinho brasileiro' tambem é um problema trivial. Atitude policialesca não se confunde com Justiça. Embora esta se confunda em 'foruns particulares'. Sou contra.


E seria exaustivo criar duas colunas, em uma relacionar o que não é droga, na outra o que é droga. Sei que há quem prefira assim, mas não vejo relevância alguma, além de uma posterior equiparação a outros relatórios, tipo o bem e o mal de determinada droga. Relatórios desse tipo adoçam cafés, chás, sucos, águas em mamadeiras para substituir o leite, etc. Sou contra.


Quando blogs elegem ou depõem presidentes de nações, talvez vai ficar difícil dizer que este espaço virtual seja uma droga benigna ou maligna. Sou à favor.


Ser à favor ou contra plantar bananas é um exemplo clássico do paradoxo da droga e da questão policial, onde a Justiça deve prevalecer. Sou à favor.


Justificar o gosto por uma droga condenada pelo bom senso, com o argumento tipo 'quem nunca deu seus peguinhas', não tomou seus golinhos etílicos, disse suas mentirinhas, 'mijou fora bacia', jamais olhou feio para placa de proibido, etc., é covardia intolerável. Sou contra.


Justificar sua indiferença por alguem que se perde em uma ou várias drogas ilícitas e lícitas, com a expressão 'paciência' é uma covardia tolerável. Sou contra.


Maconha, haxixe, cocaína, crack, ópio, heroína, ácidos sintéticos, em exemplos, são consideradas drogas ílicitas pela Ordem Pública, e lícitas por uma suposta Ordem Particular induzida pelas circunstâncias. Sou à favor.


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Fazer relatórios contra ou favor é exaustivo, para quem ler também, sempre parece que não servem para os própositos pertinentes. Portanto, sou à favor do trabalho e contra a canseira.


Não seja uma sombra

Foto: repare como as sombras são capazes de reações sentimentais, mas
será que também são capazes de sentimentos?

PRIMEIRO PASSO

#Relações entre léxico e terminologia.
#Terminologia definida como um léxico especializado.
#Não confundir palavras e coisas.


O léxico concerne às palavras independentemente das coisas.
Na terminologia às palavras estão ligadas às coisas.
Não se tratam das mesmas “palavras”, o objeto palavra pertinente ao léxico é totalmente distinto do objeto “palavra” que pertence à terminologia.
Léxico de uma língua é constituído pelo conjunto das palavras desta língua.
Mas as palavras da língua não são as palavras do discurso.
As palavras da língua não tem uma relação imediata com as coisas.
Não é uma relação imediata com nenhum ser concreto.
A palavra exprime somente um conjunto de propriedades e a questão é saber se existe no universo dos seres aos quais pertencem essas propriedades.
As palavras dizem as propriedades, não as substâncias, as qualidades não os objetos.


#Signo de uma propriedade = predicado
"Signo de um objeto = termo


Os termos não pertencem ao léxico, é o discurso que os constrói.
Para designar os objetos o discurso necessita não só do léxico, mas também da sintaxe.
Unidade mínima do discurso a qual possibilita significar um objeto é o sintagma nominal.

#Casa (palavra do léxico)
#Uma casa (objeto concreto) = sintagma nominal

A lógica do léxico não é a lógica do discurso.
O lugar da terminologia é ao lado do discurso.
A lógica clássica associa extensão e compreensão, as quais estão em relação inversa.
Para falar de extensão é necessário considerar um referencial, um universo constituído de objetos pertencentes ou não a extensão considerada.
O léxico significa independente de qualquer universo, os elementos do léxico não tem extensão só intensão.
A lógica extensional do discurso se opõe a lógica intensional do léxico.
Como o discurso se constrói com as palavras do léxico deve se levar em conta a maneira onde se articulam dentro desta construção as duas lógicas opostas.

#“Casa” = palavra do léxico (predicado que marca a lógica intensional)Não supõe nenhum universo determinado
#“A casa de Paulo” = sintagma nominal, discurso (termo cujo valor está no universo dado, marca a lógica extensional)

A palavra léxico tem um significado, ela não tem uma referência; ela exprime um conjunto de propriedades, independente de qualquer objeto que esteja situado em qualquer universo.
A palavra “cavalo” pertence ao léxico do português, não remete a nenhum cavalo, real ou imaginário, mas ao conceito “cavalo”.
Cavalo não coincide com horse.
Os léxicos são intraduzíveis.

A terminologia é constituída por etiquetas de classes de objetos dentro de um universo dado.
Cavalo é um elemento da terminologia no interior do universo Animais domésticos e designa uma classe particular de animais, a classe que corresponde à etiqueta horse do inglês.
O léxico considera as palavras, a terminologia considera as coisas.
Não existe equivalência entre a palavra de um léxico de uma língua e a palavra de um léxico em outra língua.
Na terminologia a mesma classe de objetos de um universo dado pode ter uma etiqueta dentro de uma língua e uma etiqueta dentro de outra língua; a tradução é baseada em uma sinonímia referencial.
Se 2 termos tem a mesma extensão dentro de um universo dado nós podemos os considerar como equivalentes e traduzi-los um pelo outro.
Dentro de uma perspectiva cognitiva os objetos e a classe de objetos se opõe pelos traços da substancia.
O significado de uma palavra dada não é constituído da totalidade de traços de substâncias associadas ao objeto que a palavra designa, mas é o resultado de uma escolha coletiva, ligada à história da língua e à sua estrutura.

Cada língua faz sua escolha:
No Togo a palavra que designa lièvre (lebre) significa “rusé” (manhosa) em francês o sema /rusé/ não faz parte do significado de lièvre .
São os traços de substancias que são pertinente na terminologia e não os semas.
Cada terminologia estabelece a escolha dos traços de substâncias em função do ponto de vista próprio da disciplina.
Ex. o significado lexical de lobo contem o sema /maldoso/ o que a terminologia da Etologia animal não considera como traço de substância pertinente.

Relação significado/conceito:
O significado está do lado do léxico.
O conceito do lado da terminologia.

Texto: LE GUERN, M; Sur les relations entre terminologie et lexique.Meta, v.34, n.3, 1989LE GUERN, 1989



Meu email para correspondência(antes que seja tarde): armoduro@ hot


Espero que os leitores chegaram até aqui, este espaço e tempo. Espaço aqui significa: blog, palavra estritamente contemporânea, que ao futuro, não tão remoto, desvenciliar-se-á da terminologia. Tempo aqui significa: todas as circunstância que se referir a palavra Nós nas primeiras pessoas, no indicativo de presenças possíveis apenas, portanto; estão fora outras categorias de seres, palavra empregada como juizo de valor, etiqueta, tais como, mortos ou em coma profundo, animais irracionais, vegetais, minerais, radiações, transcendencias inexpressas e qualquer forma de revolta sem causa comum. Isto não é uma piada. Pode até ter a mesma irrelevância de um pedacinho de papel perdido ao vento que caiu à sua frente ao nascer do sol em um dia chuvoso nas infinitas praias da costa brasileira, ou qualquer outra com a mesma posição geográfica, escrito e voce não leu.


Flor= Beleza e Veneno(toxinas, espinhos e proprietários)
Tome este exemplo acima para entender o objetivo do primeiro passo, releia tudo novamente, de preferência se detenha a cada parágrafo, depois disso faça-se a seguinte pergunta:

Como tomar uma flor somente por sua beleza?

sexta-feira, 26 de junho de 2009

A matéria incoerente e vertiginosa dos sonhos



O objetivo que o guiava não era impossível, ainda que sobrenatural.
Queria sonhar um homem: queria sonhá-lo
com integridade minuciosa e impô-lo à realidade.
Esse projeto mágico esgotara o inteiro espaço de sua alma;
se alguém lhe perguntasse o próprio nome ou
qualquer traço de sua vida anterior, não teria resposta.


Convinha-lhe o templo inabitado e derruido,
porque era um mínimo de mundo visível;
a visinhança dos lavradores também, porque estes
se encarregavam de suprir suas necessidades frugais.
O arroz e as frutas de seu tributo eram pábulos suficiente para seu corpo,
consagrado à única tarefa de dormir e sonhar.


No começo, eram caóticos os sonhos;
pouco depois, foram de natureza dialética.
O forasteiro sonhava-se no centro de um anfiteatro circular
que era de certo modo o templo incendiado: nuvens de alunos taciturnos
fatigavam os degraus; os rostos dos últimos pendiam há muitos séculos
de distância e a uma altura estelar, mas eram absolutamente precisos.


O homem ditava-lhes lições de Anatomia, de Cosmografia, de magia:
as fisionomias concentravam-se ávidas e
procuravam responder com entendimentos,
como se advinhassem a importancia daquele exame,
que redimiria em cada um a condição de vã aparência e
o interpolaria no mundo real.


O homem, no sonho e na vigília,
considerava as respostas de seus fantasmas,
não se deixava iludir por impostores,
previa em certas perplexidades uma inteligência crescente.
Buscava uma alma que
merecesse participar do universo.


Depois de nove ou dez noites, compreendeu, com alguma amargura,
que não podia esperar nada daqueles alunos que
passivamente aceitavam sua doutrina
e sim daqueles que arriscavam, às vezes, uma contradição razoável.
Os primeiros, embora dignos de amor e afeição,
não podiam ascender a indivíduos; os últimos preexistiam um pouco mais.


Recomposição do conto As Ruinas Circulares, Jorge Luis Borges

Virtualidade absoluta ou realidade relativa?



"A escritura metódica distrai-me da presente condição dos homens. A certeza de que tudo está escrito nos anula ou nos fantasmagoriza. Conheço distritos em que os jovens se ajoelham diante dos livros e beijam selvagemente as páginas, mas não sabem decifrar uma só letra. As epidemias, as discórdias heréticas, as peregrinações que degeneram inevitavelmente em bandoleirismo, dizimaram a povoação. Acredito ter mencionado os suicídios, mais frequentes a cada ano. Talvez a velhice e o medo enganem-me, mas suspeito que a espécie humana - a única - está por extinguir-se e que a Biblioteca permanecerá: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta." (A Biblioteca de Babel, Jorge Luis Borges)



Realmente, podemos pirar, ao pensar sobre certas coisas. E nem sequer ousamos pensar exatamente sobre essa piração. Logo viriam tantas interrogações que, logo também estas perguntas infinitas seriam outra piração, antes daquela, e assim estariamos vivendo uma eterna piração, neste movimento de retorno, até chegar em uma origem de tudo, da piração enfim de estarmos aqui, como sujeitos da vida, sem jamais sabermos por quê, para quê e para onde.
Mas porque nada, nem mesmo a piração, deve existir sem dor ou prazer, ou, como é comum também, ambas concomitantemente, podemos pensar tão somente a razão destas sensações em ato de viver. E, ao invez de as pensarmos então separadas, pensaremos no por quê, para quê e para onde, da sensação inexorável do ato de viver, que tanto pode ser dolorosa ou prazerosa.
Para isso, precisaremos de um desvio literário, porque o ato subentende 'em experiência'. Então a convido à partir de agora, sabendo sempre que são inúmeros os convites, dada a sua beleza e (talvez) sua disponibilidade virtual. Vem comigo.


Segure na minha mão, ou pise apenas aonde eu pisar. As flores não são como nós, não podemos pisá-las nem mesmo descalços. Claro que em uma segunda passagem, voce vai poder saber aonde pisar, sem maltratar a vegetação em geral, sem sofrer com espinhos e venenos porque tudo, não só os vegetais, possui mecanismos de defesa. Cuidado tambem com pontas de pedras e pontos escorregadiços, mas acima de tudo, todo caminho está repleto de seres racionais e irracionais, vivos e mortos, que se puderem vão interferir em sua decisão baseada no livre arbítrio. Embora eu sempre duvidei dessa possibilidade racional.
Mas, perdoe-me por interrompê-lo...
Não, não existe jamais interrupção, não esqueça disso, tudo fará parte do caminho.
Eu que adorava ver tudo da minha varanda - estou meio preocupada com esta viagem - onde até podia fechar meus olhos, mas então, agora, como vou enxergar tantos perigos?
Primeiro, voce pode até, ainda, se sentir confortavelmente em sua varanda, então fechar os olhos tranquilamente, tudo neste caminho é relativo e a relatividade de tudo cria os poucos absolutos que estão fora. Eu voce, flores espinhos, pedras quedas, razão emoção, vida morte, são exemplos da relatividade neste caminho.
Então os perigos tambem são relativos?
Exatamente.
Dê um exemplo de absoluto, de algo que não é relativo ao caminho, e aproveitando o momento, o que é o caminho?
Voce me pegou.
Voce não sabe dizer?
É um exemplo.
Puta que o pariu... perdão, não costumo falar palavrões, voce está enrolando, isso é persuasão e toda persuasão tem um propósito, qual é o seu?
Responder a sua pergunta.
Qual pergunta?
Qual é o meu propósito?
Puta que o pariu, puta que o pariu, puta que o pariu.
Todo mundo trata a verdade como relativa, porém ela é absoluta. Os infinitos pontos de vistas sobre Verdade jamais serão a prova de sua relatividade, apenas que todo ponto de vista jamais será absoluto.
Meu amigo me disse que estas são questões primárias, oriundas da infância. Voce concorda?
Tenho vários pontos de vistas, e, se eu tivesse mais tempo, teria uma série infinita de pontos de vistas concordantes e discordantes.
Por quê voce é assim? Assado, rss.
Por quê voce é maravilhosa?
Eu sou maravilhosa? Não, não, faça de conta que não lhe perguntei isso, eu sei que voce vai perguntar: eu sou assim assado?
Voce é maravilhosa por estar aqui.
Aonde? Rss, perdão, já estou fazendo graça, culpa sua, não devia encher a minha bola, e tambem acho que estou gostando, acho que tambem quero ficar assada, rss.
Antes, confesso, eu tinha séria dificuldade de lidar com a relatividade do caminho.
Como assim?
Estava o tempo todo proecupado com os perigos, e demorei muito para sacar que os perigos não são verdade.
Opa, voce acabou de dizer que verdade é absoluta, portanto nunca é plural, e o que acabou de dizer se parece mais com um ponto de vista seu, certo? Como poderei atestar que seu ponto de vista, ou o meu, ou de quem que se expresse, seja ou não verdade?
Para isso que voce está no caminho. Para aprender uma experência universal, antes das triviais, onde voce não pode escolher qual a razão da sensação de viver. Voce pula a primeira etapa fundamental, ou pulou e esqueceu, e nunca aprendeu ou desaprendeu a pensar naquele momento.
Que tal, fazermos uma pausa, vou ensaiar I believe, do Triunvirat, apesar deste meu corpão todo, e cantar para voce em um dia muito especial?