
terça-feira, 1 de junho de 2010
Das reais pedras em comum

segunda-feira, 31 de maio de 2010
O Brasil e sua idade filosófica



domingo, 30 de maio de 2010
Responsabilidade não pode faltar

Responsabilidade: só uma questão de liberdade
porque mais, continuo responsável
e menos, então estou preparada
sábado, 29 de maio de 2010
Que país é este, que duvida de si mesmo?

Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar? Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro,
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros
Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó
Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar e sobre a qual minha pobre lógica ainda insiste:
Só de sacanagem!
Dirão: "É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal".
domingo, 23 de maio de 2010
Voto Vencido

Por exemplo:
1. a interatividade é formidável, possibilita intercâmbios, mas há o risco do discurso vazio, troca apenas de ruídos, um blá-blá-blá que bloqueia os fones da consciência;
2. a ideologia dominante abomina hierarquias. Mas hierarquias podem ser perversas ou construtivas. Não existe sistema sem leis, normais, regras. A pregação da quebra de normas, é simplesmente outra norma;
3.cuidado com o pensamento relativista. As coisas não se equivalem.O carbono tem certas propriedades que não são a do fósforo, todo ser humano tem algo pessoal . A voracidade metonímica tenta nos convencer que os sujeitos são objetos que podem ser trocados uns pelos outros;
4. alimentada pelas vanguardas há cem anos, nossa cultura apaixonou-se pela transgressão. Já não se trata de transgredir algo, mas de transgredir a transgressão. Isto é um paradoxo. Já se transgrediu tanto, que se poderia fazer um "museu da transgressão"- a transgressão já foi codificada. Antes, erroneamente se dizia: "não transgrida", hoje perversamente se diz- "transgrida"; desde modo quem obedece a ordem de transgredir não está transgredindo, mas obedecendo ordens;
5.nos globalizaram. Foi ótimo por um lado. Por outro lado, desnorteador. Ganhamos em aproximação com o "outro", o longínquo ficou próximo. Mas o "outro" virou um invasor de nosso espaço econômico, social e subjetivo. Indivíduos e culturas estão se sentindo, de certo modo, desenraizados, uma universalidade aérea, vazia;
6.a natureza está cobrando dívidas. Gerações anteriores assinaram cheques em branco sobre o futuro, as riquezas pareciam inesgotáveis. A "mãe natureza" não cobrava nada. Não era verdade: vulcões, tsunamis, secas, degelos e fome nos espreitam. Pela primeira vez todas as populações da terra são responsáveis por tudo. Confirmou-se o principio zenbudista de que o ruflar de asas de uma borboleta no oriente ocasiona um turbulência no ocidente.
7. A sociedade atual é uma sociedade "matrix". Exuberante. Mistura o falso e o verdadeiro, o real e o virtual. Cultiva o "fake" e o "cover". Pior: toma o lixo por luxo, centraliza contraditoriamente a periferia. Com isto, narciso vive num jogo confuso diante do próprio espelho.
8.Retrato mais sintomático dos nossos paradoxos é a arte de nosso tempo: a produção de enigmas vazios, produtos que se gabam de não significarem nada, como se o faminto imaginário humano pudesse se alimentar do vazio e se contentasse com a esterilidade criativa.
Ser jovem nunca foi fácil. E desde que nos anos 60 instituiu--se o "poder jovem" a coisa tornou-se mais complexa. Estar no poder é coisa de muita responsabilidade. Rimbaud dizia: "não se é sério aos dezessete anos". Será?
Cabe a vocês demonstrar se ele tinha ou não razão."
http://www.affonsoromano.com.br/blog/
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Admirável mundo sensual

Imagine um extra terrestre que precisa estudar todo o planeta Terra, traçar um perfil completo, separados e associados(!!!) do que é concreto (matéria) e do que é virtual (espírito), em um prazo extremamente curto para os padrões razoáveis de tempo, este comparável aos dos seres humanos, e que perguntasse a voce, tomando-o(a) como representante da espécie humana:
- Voces gostam de ficção? Voces se espelham em novelas? Voces preferem antes a sensualidade do que a reflexão? Voces acreditam que conhecimento só tem consistência se conter um método pré determinado? Voces não abrem mão do gosto (nenhum método!) de tratar a espiritualidade como arroubo emocionais? Voces preferem não saber de onde, como, quando e por quê surgem a inspiração? Suas preferências partem de um livre arbítrio?
Obviamente voce, caso não tenha sequer alguns minutos para "perder tempo para pensar em algo sem objetivos materiais", vai tratar o extra terrestre com indiferença, ou, se representar perigo (força acima da sua) ou náusea (força muito abaixo da sua) vai trata-lo como caso de polícia ou saúde pública; ora seja, não vai responder as perguntas.
Então eu, humano, demasiadamente humano, jamais preparado antecipadamente para qualquer coisa, pergunto-lhe:
Não tenho nenhuma chance de comunicação sem qualquer fórmula "espontânea" de sensualidade? Ou - claro, nada se completa sem naturalmente o oposto - com minha própria maneira de ser "pensado"?
Acredito que não é necessário explicar, para voce leitor(a), o por quê deste texto, mas, então, para não piorar a minha, rss, situação*, deixo-o(a) com as palavras de um verdadeiro mestre:
"Penso, de minha parte, que não há princípio de que pudéssemos deduzir matematicamente a solução dos grandes problemas.
É verdade que não vejo também um fato decisivo que resolva a questão, como acontece na física ou na química.
Apenas, nas diversas regiões da experiência, creio perceber diferentes grupos de fatos dos quais cada um, sem fornecer-nos o conhecimento desejado, nos mostra uma direção para encontrá-lo.
Ora, já é alguma coisa uma direção.
É muito mais ter muitas, pois estas direções devem convergir para um mesmo ponto, e este ponto é justamente o que buscamos.
Em suma, possuímos desde já um certo número de linhas de fatos, que não vão tão longe quanto seria desejável, mas que podemos prolongar hipoteticamente.
Desejaria seguir algumas dessas linhas.
Cada uma, tomada separadamente, nos conduzirá a uma conclusão simplesmente provável; mas todas juntas, pela sua convergência, nos colocarão em presença de uma tal acumulação de probabilidades que nos sentiremos, espero, no caminho da certeza.
Dela nos aproximaremos, aliás, indefinidamente, pelo esforço comum de boas vontades associadas."**
* Situação de quem conversa com miragens; salvo raríssimas excessões, espero.
** A quem interessar, posso também publicar as fontes.
terça-feira, 18 de maio de 2010
Campanhas para conviver
O que está acontecendo comigo?Porque não me assumo logo?
Ou, pelo menos, telefono, para ouvir sua voz?
"Que há com nós?
O que que há com nós dois amor?
Me responda depois..."
Eu chorei quando vi aquele comercial, sequer liguei quando vi a janela aberta, agora que voce me perguntou, tenho vontade de chorar novamente, e tenho vergonha de responder.
Sinto um frio na barriga que antes não senti. Antes senti apenas a minha tristeza, e foram muito poucas lágrimas diante do sublime: era uma excelente campanha, já comprei seis aparelhos desta operadora.
Mas eu nunca me deixo influenciar por campanhas publicitárias.
O primeiro celular não foi devido aquela campanha, sempre lembrada, do primeiro sutiã.
Eu precisava e, na hora, escolhi tão somente pelo nome. A sonoridade ao pronunciar. Sem reservas de sentido anteriores.
Prefiro jamais fazer críticas a quem não espera críticas. A propaganda quer vender, e não se assume nada, nem mesmo mera vendedora, quando deixa bem ilustrada sua devoção também pela arte. Quem já observou o artista explicando o seu próprio processo criativo, na verdade, participava de uma brincadeira que qualquer pessoa faz quando fala de algo que não existe explicação. Essa diversão é muito salutar.
E eu me ponho para conhecer mais esta experiência, que mormente ninguém faria consciente.
Vamos então, no caso de dúvidas, fazer de conta.
Voce chora diante de uma situação sublime, não só como testemhunha ocular de um fato, quando lhe contam, por exemplo, um fato - então o sublime ocultado - que aconteceu minutos antes de chegar? Chora diante do cinema, sem querer discutir se é ou não ficção? Chora diante de uma pessoa completamente virtual, que não tem nem mesmo certeza se é uma pessoa ou uma criatura de Deus, porém cibernética?
Eu choro.
Por que não me assumo logo? Será que sou o único recalcitrante?
E passo a acreditar em campanhas publicitárias.
"Me diz por onde você me prende
por onde foge
E o que pretende de mim"
sábado, 15 de maio de 2010
Pelas graças de Deus
O bem que te viAmanda Gabriela
Waiting on a friend, tão gostoso esse sexo
tão animal e adversário ao que mais preciso
ao que me dá sentido, desde a construção
à desconstrução e logo a construção, assim...
Nesta semana, a vida me olhou de perto, uma
vez mais depois que prometeu me esquecer
que jurou, pernas bem fechadas, eterna dor
para eu jamais morrer sem me arrepender
das coisas que quis e não soube esperar...
Ontem, especialmente, beijou-me a outra face
onde jamais levei porradas de amor ou de maldade
porque sempre a ofereci sem preço algum, onde
sequer a bondade fazia meus critérios de justiça
Ela tem apenas 17 anos... E tem esse jeito especial
nem tanto ao céu nem tanto aos infernos,
seu corpo incomparável,
tem só mais um ano para estar ao meu lado.
Hoje já sei esperar, depois da oferta, a graça de Deus!
segunda-feira, 10 de maio de 2010
O oco de fora
Estranhas manias de Henry Darger
"É da fachada que se baste por si mesma
à medida que lhe é próprio ser suficiente aos olhos.
A estética da fachada que defende o muro branco
é a mesma que sustenta a plastificação dos rostos,
a ostentação dos luxos no "aparecimento geral"
da cultura espetacular, no histérico "dar-se a ver"
que produz efeitos catastróficos em uma sociedade
inconsciente de seus próprios processos."
(Marcia Tiburi)
Toda "questão é bem mais séria do que a sustentação de uma aparência
PiXar,
"Ler o que essa treva revela,
Revelar o que essa era oculta.
Sinais de luta, além da tela.
Reler o que, ao se escrever, revela.
E sua pena atenua e libera."
(Rodrigo Garcia Lopes)
Um dicionário miúdo ao lado,
O voo de osa poderosa
Eu não sabia nada disso, como se imprime, cola, pinta.
Tudo é uma experiência, vamos aprendendo.
São seis anos de cartoneria, mas ainda vamos aprendendo dia após dia.
O importante é que se faz o que se gosta,
independentemente de patrão,
do massacre que é esse sistema capitalista neoliberal."
A burguesia usa perfume, muitos ainda à moda francesa, poucos já usam o banho em praça pública. Três situações ilustram uma única cena, o menino de rua, que valoriza sapatos, observa um par muito elegante, dentro um senhor, jornal, café da manhã, café de máquina e pãozinhos amarelinhos de queijo, pernas cruzadas sob a mesinha minúscula como se fosse brinquedo de época, o menino de fome pede um pãozinho, dentro o senhor olhando o menino pode responder, 1 balançando o dedo em negativa, 2 vestir o chapéu, dar os quatro pãozinhos de resto, levantar sem sorver o último gole, dar uma olhadinha para trás antes de pagar. e 3 comprar mais 100gr no saquinho mais gostoso que pão.
Eu acredito só nas músicas
"Eu aguento até os caretas
Sem palavras
"eu, no entanto
que não sou sábio de nenhuma espécie
e estou mais que soterrado
convenci-me da existência
de outra espécie de silêncio
mais raro e singelo
chamo-o silêncio sem hematomas
e é isso
ou o berro na cara"
(Luiz Felipe Leprevost)
Jamais aproveitei corretamente minhas aulas do fundamental, a professora de letras, linda, um tesão, substituta, pede para ler Macabéia, da Clarice. Ela me empresta porque faço cara de quem não precisa ler para saber o destino de Macabéias. Ela diz que é fundamental ler para se ter um espelho perfeito. Pego livro e leio até de madrugada. Acordo com a Macabéia no coração. Pergunto, o que faz aí? Ela responde, sei lá, o senhor é maluco?, é um pervertido?, é um cachorro?!!, por que me colocar aqui neste coração horrível? Respondo, ora, coração igual a maioria dos brasileiros, voce não é brasileira?, então, Macabéia tem coração igual ao meu. Ela grita na minha cara, igual ao seu nem morta, vem não, sou muita mulher e não sou granfina, não. Eu procuro compreender, fecho minha jaqueta surrada, e vou prá escola. Macabéia socando meu peito, deixa eu sair daqui, voce vai ver, eu mesma vou lhe por no colo e bater de cinta. Duvido, deixa minha mãe saber.
Uma estética imaculada
"Em vez do gesto auto-contente, o que a pixação revela é a irrupção de uma lírica anormal.
A Internet com seus blogs (horrendos, bonitos, mais bem feitos ou mais mau-humorados) é o seu análogo perfeito.
A pixação revela o desejo da publicação que manifesta a cidade como uma grande mídia em que a edição se dá como transgressão e reedição onde o pichador é o único a buscar, para além das meras possibilidades de informar ou comunicar, a verdade atual da poesia, aquela que revela a destruição da beleza, o espasmo, a irregularidade, a afronta, que não foi promovida pela pixação, mas que ela dá a ver.
Em sua existência convulsa a pixação é a única lírica que nos resta."



