sexta-feira, 2 de julho de 2010

Inverno, uma preparação para a primavera

Matar ou desmatar
o que voce gosta, Caro Sobrevivente?

Ao meu filho, e às minhas questões de gosto, no que resta ainda de planeta sustentável

Não é questão de gosto
isso está fora de qualquer questão, sempre
porque qualquer dialética
se findaria na questão de vida ou morte, então
fadada ao fracasso total da civilização, quando
ou o mundo desapareceria ou
viveríamos finalmente o gozo infinito
e irremediavelmente irracional.

Muito se confunde a infundada questão de gosto com a dialética entre liberdade e necessidade, assim como com o determinado e o indeterminado, etc. Isto sempre ocorre talvez porque outra dialética fundamental também eternamente estará presente: o dito e o não dito. E, os especialistas em filosofia e ou em literatura, por gentileza!, tenham a calma providencial em vossos martelos; estou muito longe de querer a idolatria.
Entre meu particular e o mundo existe o mesmo caminho por onde todos, sem qualquer excessão, atravessam em duplo sentido. Vou sobrevoar, um pouco a antiguidade para os não especialistas entenderem; lembrando que nem sequer avião ou asas tenho.

"Heráclito (544-484 a.C.) nasceu em Éfeso, na Jônia (atual Turquia). Tal como seus contemporâneos pré socráticos, busca compreender a multiplicidade do real. Mas, ao contrário deles, não rejeita as contradições e quer aprender a realidade em sua mudança, no seu devir. Todas as coisas mudam sem cessar, e o que temos diante de nós em dado momento é diferente do que foi há pouco e do que será depois: "Nunca banhamos duas vezes no mesmo rio", pois na segunda vez não somos os mesmos, e também o rio mudou. Portanto não há ser estático, e o dinamismo pode bem ser representado pela metáfora do fogo, forma visível da instabilidade, símbolo da eterna agitação do devir, "o fogo eterno e vivo, que ora se acende ora se apaga".
Para Heráclito o ser é múltiplo. Não no sentido apenas de que existe a multiplicidade das coisas, mas de que o ser é múltiplo por estar constituído de oposições internas.
Parmênides (540-470 a.C.) viveu em Eléia, cidade do sul da Magna Grécia (atual Itália) e é o principal expoente da chamada escola eleática. Elaborou importantíssima teoria filosófica na medida em que influenciou de forma decisiva o pensamento ocidental. Ocupou-se longamente em criticar a filosofia heraclitiana: ao "tudo flui", contrapôs a imobilidade do ser. Para Parmênides é absurdo e impensável considerar que uma coisa pode ser e não ser ao mesmo temo. A contradição opõe o princípio segundo o qual "o ser é", e conclui, a partir do princípio estabelecido, que o ser é único, imutável, infinito e imóvel.
Não há, entretanto, como negar a existência do movimento no mundo que percebemos, onde as coisas nascem e morrem, mudam de lugar e se expõem em infinita multiplicidade. Para Parmênides, o movimento existe apenas no mundo sensível, e a percepção levada a efeito pelos sentidos é ilusória. Só o mundo inteligível é verdadeiro, pois está submetido ao princípio que chamamos de identidade e de não contradição.
Uma das conseqüências dessa teoria é a identidade entre o ser e o pensar. Ou seja, as coisas que existem fora de mim são idênticas ao meu pensamento, e o que eu não conseguir pensar não pode ser na realidade."
(FilosofandO - Introdução à Filosofia, Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires Martins, Editora Moderna)

Temos então um excelente material ilustrativo de como se originou o pensamento ocidental, e onde, sem sacanagem, podemos ver o quanto é risível um dos lados da questão, ora colocada, se fosse possível, da questão de gosto. Mas, óbvio que minha colocação pode fazer parecer tudo tão simples, pode causar desconfiança e gerar as mesmas confusões de sempre. Creio que o maior complicador em questão se deva à apropriação indébita do conceito de religião por pessoas que não estavam nem um pouco preocupadas com o destino da humanidade e do planeta, ou apenas preocupadas em si mesmas e aos seus próximos (de sangue). E isso nos remete diretamente a um tema caríssimo para mim, abordado aqui no blog com muita ênfase, a questão de Cain e Abel, mas porque os resultados foram exasperantes, não vou mais voltar ao assunto.

E gelado se faz o inverno
este que perdi mais que folhas em branco
no pior outono da minha vida.

7 comentários:

Valéria Sorohan disse...

É na inquietude que nos achamos.

BeijooO*

Devir disse...

Exata!!!
Ao conhecer a lógica de Heráclito, podemos apreciar melhor e manter a ordem correta da natureza.
Na quinta feira estive com a doutora Lorena, do HC - ela, perto de mim, parecia aquela protagonista, na segunda ficção no filme Avatar; enorme e apaixonante - que me fêz 3 furos na barriga, realizei uma biópsia renal, marcada faz 3 meses, e ainda estou meio fora de forma. E, juro, ainda lhe perguntei se não me tiraria o prazer de um encontro fabuloso! no sábado, no que ela respondeu, pedindo desculpas, pois o exame muitas vezes é brutal e, paciência.
Embora, depois de ler seu último post, acreditei mais ainda que a vida é doce, mesmo quando depressa demais e chegamos depois ou antes do momento certo, para melhor.

Rss, vamos nos entorpecer então daquela afonia delirante da noite

BeijoooOOOO OOO OO O o

Devir disse...

Aqui estou de molho, dormi depois do jogo do Uruguai, acordei, jantei, estou mesmo experimentando a vida em solidão, rss, um dia, o primeiro dia, estes acontecimentos não geram gentileza, anunciam prováveis filmes, ou, quase uma expectativa universal, cria mais e mais solidão, mas vou fazer transformar em mais e mais desconsideração, talvez, para este conceito idiota, que também, mesmo no cinema, na literatura existe livros homéricos, tem sua cultura.
Estou já muito emputecido, rss.
O cigarro perde o gosto, na televisão a bioncinha rebola e, o Brasil perder, e eu poderia 'ajuntar' causas e motivos extras campo; de nada adiantaria.
Seria inusitado demais dizer que havia motivos, rss, principalmente aqui na internet, neste "cá entre nós no brejo das almas".
Ainda mais se chutasse alguns fatos políticos econômicos; eu sempre joguei muito mal futebol, e pouco, embora nas poucas vezes decidi se meu time ganhava ou perdia, acho que só dependia do estado de ânimo.
Não estranhe, a maioria das vezes ganhamos, e fiz gols inesquecíveis.
Basta rever o sinal que o Felipe Melo fez com as mãos logo após cometer a falta! Claro que muito se confirma depois; ele acreditou em alguma história de prestígio por debaixo do pano.
Ah, e tem bastante, a maioria tenta até alguma participação no universo TV.
Foda que não estamos conversando.
Foda maior é não saber falar assim se tivesse mais pessoas junto.
Nunca treinei isso!
Sei falar sempre a cada pessoa, ficar ouvindo, deixar a situação fluir, observar também além do roteiro os gestos, e pelos signos que representam a sicronicidades aleat´rias de cada idéia e palavras que se encaixam de formas mais que espontâneas, não chistes ou expressões viciadas, procuro outras mensagens se impondo, muitas vezes inconscientes ao grupo.
Dentro de um bar, por exemplo, onde juntam grupos diversificados, percebos relações de cores e sons, como se estivesse mesmo literalmente diante de um brejo (por favor, leitores, isso não é pejorativo) e toda aquela, a princípio zuada, entre sapos e grilos, pudessem contituir, pelo menos, rss bem menos, vários grupos em comunicação on line.
Tem um filme maravilhoso do Sir Alfred Joseph Hitchcock, Um Tiro No Escuro, onde um cara grava sons noturnos, para usar em filmes, então grava um tiro, e aos pouco vai resolvendo e se envolvendo...
Gosto também dessa atitude, não apenas pessoal, amplamente humana de perscrutar-se indiretamente, no cinema de Brian de Palma, este diretor até filmou Um Tiro Na Noite, e terminarei como escreve Borges, no seu dom mais pessoal, fazendo o inverso do seu mestre Hitchcock, olhando as pessoas tão de perto, muitas vezes de dentro para fora.

Deixe a porta aberta, e venha

Devir disse...

Bom dia, acordei em um salto "desanimado" para tomar caldo de cana e comer o pastel, fazer um grande teste de resistência: vamos ver quanto o balão suporta para subir subir subir e depois não cair feito música bestinha que nunca é bom ficar na cabeça de homem principalmente quando vai tomar banho...
Preciso mesmo trombar com aquele bico de tucano equilibrado na agulha sempre apontada para o norte

Ok, vamos à quebradeira

Luciano Fraga disse...

Caro amigo Devir, sei, ou melhor soube, mas não quero(não sei se a palavra exata seria esta para certos momentos) tripudiar de algo dolorido, mas estou presente sim, em pensamentos e preces, tenha certeza, não existe palavra para a distante presença do ombro solidário, forte abraço e força.

Devir disse...

Agradeço, caro amigo

Devir disse...

Luciano, já achei um tripudiação feroz, acredita, aqui na net.
Ontem depois do caldo e do pastel, fui até o cemitério, ia dormir com ela(será que é psicologicamente permitido?), mas o sol escaldava qualquer pele ou transcendência.
Sai de lá muito triste, a missa era as 19hs, mas voltei para o lugar que eu estava de manhã, se eu não encontrasse a inquietação caetaneada de Sampa, com certeza me entregaria à gula de nossa macérrima feijoada.
Depois consegui chegar no Memorial da America Latina, então me joguei sobre um verdadeiro pântano, uma periguéte muito, mas muito distante de Ga Ga, daí em diante as ilusões enfim foram se quebrando lentamente.
Não é possível, o Norte não estar jamais no lugar certo, quando, justamente, estamos sonhando.
Saldo: negativo.
Cheguei em casa a 2hs e já tomei meu café predileto, café/leite e chocolate, capuccino in my house, mandei mensagem para a Amanda Gabriela, seus dezessete anos põe em forma qualquer Boris, do filme Tudo Pode Dar Certo.

Perdoem-me a transparência!