domingo, 30 de agosto de 2009

A revolução dos bichos


“As criaturas de fora olhavam
de um porco para um homem,
de um homem para um porco
para um homem outra vez;
mas já era impossível distinguir
quem era homem, quem era porco”. ORWELL

Menoridade é a incapacidade de fazer uso de seu entendimento sem a direção de outro indivíduo. O homem é o próprio culpado dessa menoridade se a causa dela não se encontra na falta de entendimento, mas na falta de decisão e coragem de servi-se se si mesmo sem a direção de outrem. KANT.
Resposta à pergunta: Que é o Esclarecimento?

sábado, 29 de agosto de 2009

Crimes da liberdade


Bob Dylan - Chimes Of Freedom

"Bem depois do por do sol, antes do badalar pungente da meia noite
Nos atiramos pelo umbral da porta em meio a trovões que desabavam
Enquanto os sinos majestosos dos raios lançavam sombras nos sons
Como se fossem os sinos da liberdade cintilando
Cintilando pelos guerreiros cuja força está em não lutar
Cintilando pelos refugiados em seu caminho indefeso de fuga
E para cada soldado oprimido naquela noite

Olhamos, maravilhados, o cintilar dos sinos da liberdade.

Na fornalha derretida da cidade, olhamos inesperadamente
Rostos ocultos, as paredes como que querendo nos esmagar,
Enquanto o eco dos carrilhões confrontado com a chuva que assoviava
Dissolvia-se no som dos sinos dos relâmpagos
Os sinos dobravam para os rebeldes, dobravam para os torturados
Para os infelizes, abandonados e desamparados
Dobravam para os párias, sempre queimados na fogueira.

E olhamos, maravilhados, o cintilar dos sinos da liberdade.

Pelo martelar místico e louco da tempestade selvagem
O céu chicoteava seus poemas em maravilha pura
Que o som dos carrilhões das igrejas sumia longe na brisa
Deixando apenas os sinos dos trovões e relâmpagos
Os sinos dobravam para os gentis, dobravam para os bondosos
Para os guardiões e protetores das mentes
E para o pintor independente que sobrevive além de seu tempo

E olhamos, maravilhados, o cintilar dos sinos da liberdade.

Por toda a noite, qual igreja selvagem, a chuva descortinava histórias
Para os seres deslocados, sem rosto e sem agasalho
Os sinos dobravam para as bocas sem lugar para serem ouvidas,
Sempre inferiorizadas com essa situação assumida
Os sinos dobravam para os surdos e cegos, dobravam para os mudos,
Dobravam para os mal tratados, mães solitárias e prostitutas
Para os proscritos, caçados e derrotados pela captura.

E olhamos, maravilhados, o cintilar dos sinos da liberdade.

Apesar de uma cortina branca de nuvens brilhar ao longe
E do nevoeiro hipnótico ir subindo lentamente,
As luzes dos raios eram como flechas, disparadas para todos, menos para aqueles
Condenados a vagar ou então, até disso, impedidos.
Os sinos dobravam para os que procuram algo, em sua trilha silenciosa
Para os amantes de coração solitário com suas histórias muito pessoais
E para cada alma gentil e inofensiva, deslocada em uma cela.

E olhamos, maravilhados, o cintilar dos sinos da liberdade.

Olhos brilhando e sorrindo, lembro de como ficamos parados
Sem sentir o passar do tempo, que para nós ficou congelado
Ao escutarmos ainda uma vez mais, ao darmos uma última olhada
Tomados pela emoção, nó na garganta, até o fim do soar dos sinos
Que dobravam para os feridos sem quem cuide de suas chagas
Para os incontáveis acusados,
E para cada pessoa impedida em todo este vasto mundo

E olhamos, maravilhados, o cintilar dos sinos da liberdade."


sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Homo sapíens - faber - loquax - dominus



Variações sobre palavras e temas de Henry Bergson e Luc Ferry


Poema amoroso
Meu cigarro é o que todo mundo sabe
faz mal para a saúde, vicía e é sujo
e que muitos também compreendem
fazemos mau para nós e os outros
E eu não vou abandoná-lo por mim
ou pelos outros; só se for por nós!
§
Poema desnecessário
Qual é a causa e qual é o efeito?
E qual é o efeito da causa do efeito?
Qual é o efeito de causa desconhecida?
Qual a causa de um efeito não tão esperado?
Qual efeito produz causa tão desejada cujo efeito
é a causa deste efeito não esperado que causa poema?
Que efeito/causa causa efeito pouco conhecido que causa espanto?
§
Poema anárquico
"Hábio ao falar, pronto para criticar", prega estacas nas mãos e pés, depois o coração.
Social até ao extremo, mas se apavora na simples hipótese de sintuações limites; viver longe, muito longe das bordas, fronteiras, portas e janelas.
Se preciso paga com a própria vida, se sujeitando a humilhações e vencendo obstáculos que ninguém merece nem precisa.
Seu mundo não lhe pertence mais, goza a qualquer prazer passageiro para saber notícias de

como anda tudo.
§
Poema bandido
Ele acha melhor, então, adotar a ilusão comum
E a isto tudo encoraja


Comumente se consulta sobre uma questão difícil
homens incompetentes
porque eles adquiriram notoriedade
pela competência em domínios diferentes


Assim são lisonjeados
e sobretudo se fortifica no espírito do público
a idéia de que existe uma faculdade geral
de conhecer as coisas sem tê-las estudado


os únicos que nos são antipáticos

ele é Homo loquax
cujo pensamento, quando ele pensa
não é mais do que uma reflexão sobre o que ele fala:


Duas atitudes coexistem em cada um de nós
o arrancamento ao que nos condiciona
e esses momentos de graça:
um só todo com o mundo


E repito que aprendi muito lendo voce
ouvindo-o (diante do espelho embassado)
sobre uma posição filosófica
que tinha espontaneamente tendência a repelir


Mas isso não atenua de todo o incômodo que sinto
diante dessa sabedoria sobre a qual voce diz
que ela deve ajudar a suportar a verdade


Se um dia alcanço a verdade
sei que não precisarei suportá-la
porque ela será necessariamente alegre, rss

Este ofuscante objeto do desejo



- Eae, firmeza? Coloque o som do Cohen, elas gostam, e que se dane o cenário.
- Veja a japa. Tá babando.
- Hoje de manhã minha mãe me pegou de meia arrumando o lustre da sala.
- Ressaca?
- Não dormi.
- Tem que se foder, voce fala demais.
- A Marina perdeu o avião, porra, me ligou. Voce sabe.
- Acho que vou beber um vinho.
- Nada. Pensei em futebol, mas é sacanagem.
- por fora.
- Voce sabe que para mim voce é carioca, ae. Seu fluminense está só o pó.
- Se fosse carioca, seria Flamengo. O Fluminense, não sei. É tudo empresa. Não gosto de futebol.
- Voce não escreve como fala. Está parecendo Paulista.
- Meu pai é de Mato Grosso.
- Como fala seu pai?
- Quê papo furado, Devir. Olha a caranga chegando.
- To fodido, eu que nem tenho faculdade nenhuma.
- Voce vai discursar?
- Não pretendo, mas estou com um tema na cabeça.
- Lá vem.
- Pode crer, pode ser uma boa.
- O quadrado redondo que se forma na elipse dos devires?
- Quase redondo, em torno ou em forma de pirâmides.
- Quase fantasmas, quase sombras...
- Parece que eles gostaram do jardim.
- Vou fingir que gosto muito de televisão.
- Nesta hora vai ficar estranho gostar de desenhos.
- Estão desenhando umas meninas gostosinhas. Voce viu a nova Mônica, estupidamente gostosinha, é o sonho daqueles muleques que querem uma namorada para garantir sua participação tranquila no pátio das escolas.
- No Brasil não se fala em sexo. Adulto, basta falar, é pedófilo. Aposto que ainda o cebolinha na bate punheta, nem o cascão, voce acredita?
- Claro, ele nunca lava as mãos. Quando crescer vai virar político. Veja o Lula
- Porra, o cara não tem medo de água. Desliga a televisão.
(°°)
- Qual dos dois tem medo de água?
- Responde ae, Cara.
- Eu sou mudo. Manda vê voce, provocou a Deusa, não vai fazer feio.
- E a Marina?
- Está lá no quarto.
- O que vai sair daqui desta cozinha? Vou lá falar com ela.
(°°)
- Quando voces chegaram?
- Neste instante.
- Já encheram a cara?
- Por quê, gordo, vai encarar?
- Dona patroa está ae. Põe uma carinha só daquela sua cachacinha, voce a trouxe?
- Ainda não. Deixa eu trocar uma idéia ali com a Marlene.
(°°)
- Devir já está aborrecido?
- Nem, deve estar chapado desde ontem.
- Ele se sente uma tragédia o tempo inteiro, recolhendo mortos envez dos feridos.
- Tá pirado, gordo. Devir não recolhe nem os vivos.
- Devir é cruel, antes, durante e depois dos nomes. Antes dos nomes não existia nada, cassete!??
- Esta suposição é que ferra tudo, disse ele. A incoerência, ou mesmo a desordem não são supostas.
- Quer dizer que existe uma incoerência e desordem, por exemplo, em eu tomar dois copos?
- Vai se fuder, pergunte para ele.
- Hoje vou colocar o dedo na testa dele.
- O que voce vai perguntar?
- Assim, bem sério e ao mesmo tempo relaxado naquela minha cadeira especial: Vai haver alguma mudança na economia do país? Vai haver país? Ou vamos só cantar "Que país é este? Que país é este?"?
- Se voce for sacaneá-lo, vai arrumar pra cabeça.
- Pelo contrário, eu quero saber, quero saber se ele pensa como revolucionário.
- Uhm, voce já arrumou ou a cachaça já fez efeito.
(°°)
- Salve, pessoal.
- Como anda seu coração, poeta?
- Rastejando para não ser visto?
- Eu estava no avião escondendo-me no espelho da classe econômica, num certo momento queria voltar, não sei o que faço aqui.
- Não começa, a classe executiva é bem caliente.
- É mesmo, salve Jorge!
- Salve! Quê suas armas e almas sejam sempre de paz.
(°°)
- Eu sei que voce tem uma família, que isto é uma coisa que parece ser muito superior que a vida.
- Meu marido está achando tudo tão maravilhoso; isso eu jamais esperaria.
- Está sentindo vertigem?
- Devir, eu capotei e nem percebi. Minha filhinha, ontem, me acordou com tapinhas, beijinhos, ela mais parecia uma zumbizinha apaixonada pela vida, ela me trouxe margaridas tão brancas, linda, e me disse que hoje seria o meu grande dia, e dela também. Socorro, devir, não consigo nem me mexer daqui, mas já não é mais pãnico ou espanto, eu sinto que é a minha participação na vida e que está dando tudo tão certo, e é tão bom, tão, socorro, devir.
- O que eu posso fazer por voce?
- Por favor, não faça absolutamente nada, faça só que vem fazendo, me deixe aqui, aqui estou bem, eu só quero poder observar voce como sempre fiz.
(°°)
- Eu sou professora de física lá na minha cidade, há tempos venho acompanhado o que vem ocorrendo, não sei, nunca falei com o devir, mas fiquei intrigada com aquele negócio de simpatia radioativa, logo depois pede uma redação impossível até para universitários.
- Física? Não tem nada a ver com educação física, esporte, academia, saiu dessas áreas eu já não entendo nada. E admiro muito outros conhecimentos, minha espôsa é Bióloga. Veja só, a minha ignorância, ela faz parte de um projeto para não só tratar e prevenir a gripe em geral, como para erradicá-la do planeta.
- Mas esta é a beleza da natureza, juntar seus contrários para se completarem.
- Com certeza, voce chegou na minha área, onde meus conhecimentos vão adquirir importância.
- Por quê, desculpe-me, mas acredito que todo conhecimento é importante.
- Acho que eu preciso aprender mais sobre a natureza da beleza, porque, por exemplo, nas minhas academias, escolhi lugares os mais diferentes possíveis, e minhas clientes buscam a mesma beleza, um mistura entre virtual e natural, de um lado a tão maldita beleza americana, com sua delicadeza sacana inexcrutável, e de outro lado, uma delicadeza animal e muito forte e imediata, desafiadora e explosiva.
- Está se vendo o quanto as idéias do devir pode perturbar as pessoas. Então, voce escolhe, voce consegue escolher?
- Só se for pensar ou não pensar?
- Para não pensar, qual das beldades voce prefere?
- Segundo pude não matar para entender, a menos óbvia.
- E qual seria a mais óbvia?
- Preciso dizer?
(°°)
- Eu não sei, acho que ele sonha em um futuro muito distante.
- Então já esta morto?!
- Rss, não sei. Todo lar tem uma janela na escada, pode ser qualquer escada.
- Na minha casa tem uma janela na escada da frente. Minha janela é a rua.
- A minha é uma flor, bem cuidada, porém em um vaso muito antigo, que meu tio trouxe da China. Disse ele que é do tempo de Confúcio.
- Esse ae combina com o devir, com certeza.
- Eu não entendo por que o devir não fala em sincronicidade logo de uma vez.
- Aonde voce vê sincronia nisso tudo, está mais parecendo "clube de leitura".
- Acho que o devir não precisa ser determinado, nem estudado.
- Sabe que eu já tinha pensado nisso, ele precisa não ser percebido.
- Eu como fazemos quando estamos diante dele?
- Eu olho na cara dele, nos seus olhos e vejo que ele não sabe o que fazer quando uma mulher está diante dele sem atacar ou querer a paz.
- Voce é maldosa, não é à tôa aquela foto da Blair.
- Bruxinha, minha cara, desacreditada da vida.
- Nunca vou acreditar, tudo passa um pouco e logo se torna fútil. A vida mortal dessa flor na minha janela sobre a imortalidade insignificante.
- Só porque voce não é uma cerveja não vai ficar ae escondendo o mais lindo sorriso daqui.
(°°)
- "Tudo que é sólido, pode derreter." Tem algo a ver com estas "expectativas irreais".
- Não se pode esconder a "servidão involuntária" que a vida esconde e ficar cuidando apenas dos próprios problemas.
- Concordo, mas quem é voce?
- Ah, rss, sou apenas uma vesguinha, uma mosquinha na sopa que o devir me fez certa manhã.
- Explodiu, entrou em choque, correu?
- Nem disse tiau, sequer olhou a careta que eu fazia para ele, e, imagine, para su'a sopa de carne de coelhos'.
- Puta cara escroto, isso é.
- Não fala assim.
- Lembrei de um filme do Woody Allen. O Barcelona. Ele sofre igual o cara lá. Escroto porque ama uma mina escrota.
- Voce falando assim está dando bandeira. Não existe ninguém escroto, desprezível e nerd completo.
- Bandeira de quê, menina malukinha?
(°°)
- É verdade que sua radiação não chegou até a Adriana Calcanhoto?
- Como bem cantou a Vanessa, são expectativas tão rreais que existe prazer só em observar os olhos.
- Entendo, não como se fosse um espelho. Por que voce omitiu o "i" da realidade?
- Naquele tempo era só ela, agora são ambas.
- Ela e a Vanessa da Mata?
- Quase.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Da agonia das horas



Tempo contido


Eu vou me soltar, prometo, antes de cada final
não mais ficarei, não mais deixarei, eu quero
não vamos ficar assim como se de frente ao monitor
e eu nem sequer olho fujo nem um pouco pela janela
E hoje até aparece que lhe incomodei, desvirtuado
tanto são tão poucas veses que olho além de seus olhos
e olhei seu tornozelo e senti falta da correntinha e também
até eu fiquei surpreso comigo olhei muito seus lábios e cabelos
Aconteceu aquele momento que sabemos que não precisa dar certo
que nem precisamos torcer para haver uma segunda vez
porque sempre vai haver, depois do primeiro passo
ninguém jamais recua, ou um vai para outro lado, ou vamos de todo jeito
E enfim crescemos juntos nestas semanas, ficou tão certo que o final
sempre é do passo anterior, e não vou mais hesitar por não saber
se devia tocá-la ou se você preferia que eu não pedisse, que você prefere
que eu haja normalmente e satisfaça o mais rápido a nossa vontade

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Estar vivo não é fácil



SIMPATIA RADIOATIVA
Para contar com toda a comunidade blogger

Verificar sentido de The Sorcere's Apprentice, Paul Dukas.
E, I'm not a Hero e Whi so Serious?, Hans Zimmer.
Façam uma "redação", podem mentir, dêem preferência à mentira, defenda a sua QUESTÃO pessoal, avisem-me, e escreverei um comentário.
(Em futuro não tão breve vai ficar melhor; vai ser o lema das redações e comentários intertextuais "afora")

ENTRE NÓS

Meu caro amigo, Luciano, e (seus) amigos que não mostram qualquer cara, quebrem seus espelhos!
Será que eu criei um problema ou apontei problemas que já existiam? Aquele por este?
Será que as paredes estão a nossa volta ou em torno de mim?
Quem de nós(todos!) que tem o costume de verificar se as portas e janelas estão realmente fechadas?
Qual de nós se exauri em tentativas fracassadas para arrombar portas, janelas e derrubar paredes?
Ou então não existem paredes, inventamos-las na imaginação tão somente para impulsionar nossa criatividade?
A ditadura DO PODER veio a baixo?
Os tabus deixaram de fazer efeitos angustiantes?
Os totens são o sentido último de nossa existência?
Quais, as minhas palavras ou as palavras das Bíblias ou da história do brasil, propõem uma regra definitiva para nós brasileiros?
Só mesmo uma divindade para repartir pães e fazer vir o vinho do nada? Futebol deve ser jogado com 11 versus 11 e todos devem se comprimentar até a próxima partida?
As nações livres já podem exportar, inclusive alimentos e remédios, para Cuba?
Quando o dedo de Deus se tornou mais um problema, outra região erógena do corpo, o que fazemos, vira-se filósofo ou poeta como qualquer indivíduo, encontra-se um buraco em si, para si e ou para outros; ou vira-se covarde, enfia-se nos próprios buracos; ou valentes, no buraco dos outros; ou doentes, no gatilho de uma arma, tanto para satisfação bem pessoal quanto para a solução jamais esperada?
Paciência, enquanto ciência ou ignorância, é santidade ou virtude?
É liberdade ou necessidade, encontrar ou inventar, nomes para tudo que passa a existir, negado ou afirmado?
Para melhor interlocução ou alvo?
Como atacar quem inventou o ataque, quem vai primeiro o pinto ou a boceta?
Inventando uma defesa, até quando pensarão tal bobagem?
Quem foge primeiro da responsabilidade, a imaginação ou o pensamento?
Até quando causa e efeito simultâneos será a regra do bom senso, e escolher obcecadamente um dos lado será ataque ou defesa do senso comum?
Quem responder tudo ou parcialmente, ou nenhuma pergunta, sabe que lhe está acontecendo a vida, inexoravelmente a própria?

PALAVRAS DO SENSO COMUM

"Como é possível que qualquer coisa exista - matéria, espírito, ou Deus? Foi preciso uma causa, e uma causa da causa, e assim indefinidamente?"
"Por que uma realidade ordenada, em que nosso pensamento se reencontra como num espelho? Por que o mundo não é incoerente?"
"Como estar certo, definitivamente certo, que fizemos o que queríamos fazer?"

PALAVRAS DOS OUTROS

"Este esforço exorcizará alguns fantasmas de problemas que obcecam o metafísico, isto é, cada um de nós.
Falo desses problemas angustiantes e insolúveis que não dizem respeito ao que é, que se referem mais ao que não é.
Tal é o problema da origem do ser.
Remontamos então de causa em causa: e se nos detemos em qualquer parte, não é porque nossa inteligência nada mais busca para além, é que nossa imaginação acaba por fechar os olhos, como sobre um abismo, para escapar à vertigem.
Assim é também o problema da ordem geral.
Digo que estes problemas se referem ao que não é muito mais ao que é.
Com efeito, jamais nos espantaríamos com o fato de existir alguma coisa - matéria , espírito, Deus - se não admitíssemos implicitamente que nada poderia existir.
Figuramos-nos, ou melhor, acreditamos nos figurar, que o ser veio preencher um vasio e que o nada preexistiria logicamente ao ser:
A realidade primordial - quer a chamemos matéria, espírito, Deus - viria por acréscimo, e isto é incompreensível.
Do mesmo modo, não perguntaríamos por que a ordem existe se não crêssemos conceber uma desordem que se teria sujeitado à ordem e que, consequentemente, a precederia, ao menos idealmente.
Haveria então necessidade de que a ordem fosse explicada, enquanto a desordem, sendo de direito, não precisaria de explicação.
É este o ponto de vista em que nos arriscamos a permanecer, se buscamos somente compreender.
À medida que dilatamos nossa vontade, que tendemos reabsorver nosso pensamento e que simpatizamos mais e mais com o esforço que engendra as coisas, esses terríveis problemas recuam, desaparecem.
Porque sentimos que uma vontade ou um pensamento divinamente criador é demasiadamente pleno de si mesmo, em sua imensa realidade, para que a ideia de uma falta de ordem ou de uma deficiência de ser possa apenas roçá-lo.
Representar-se a possibilidade da desordem absoluta, ou mais ainda, do nada, seria para esse pensamento dizer-se que ele poderia não ser integralmente, e isto seria uma fraqueza incompatível com sua natureza, que é força.
Quanto mais nos voltamos para ele, mais as dúvidas que atormentam o homem normal e são nos parecem anormais e mórbidas.
Lembremos-nos daqueles que fecham uma janela, depois retornam para verificar a fechadura, depois para verificar a verificação, assim por diante.
Se lhe perguntamos seus motivos, ele nos dirá que teria podido reabrir a janela cada vez que tratava de fechá-la melhor."

(Henri Bergson - O pensamento e o Movente -
Tradução de Franklin Leopoldo e Silva - Editora Nova Cultura)

§

Roberta, da mesma forma que acredito ser impossível amar sem relações sexuais no "mundo real", sei também que é preciso ser criança, e graças a Deus, se iludir que é possível amar com relações sexuais também no "mundo virtual". Acredito em voce. Tenho quase certeza que foi a única a entender exatamente o que escrevi sobre as situações limites.
Um verso único de poeta (bem mineira) poderia ser o ideal para isto; mas isto está para acontecer, credito:

Nosso devir veste prada
veste o diabo, pedra e voce
e veste qualquer um, mas
não vai mudar ninguém

Hoje foi um dia que não lavei sequer uma das meias sujas que carrego comigo porque não vou andar pelado; não tenho escolhas. "Toda nudez será castigada".
Tentei certa vez andar por aí com as "velhas roupas coloridas". Sem lavar como nos bons tempos; eu tentei, mas aprendi que as cores são tão mais importantes quanto cobrir meu corpo. Questão de higiene pública; temos uma epidemia de gripe diferente por ano.
Não lavei; estou começando a gostar da rabujem que me aguarda o avançar da idade.
O branco é realmente desafiador, só com a experiência que aprendemos a igualdade de todos os predicados.

PREDICADO INDETERMINADO E OCULTO

Ir ao banco de dinheiro ou da praça só de um pé de meia realmente é irrisório; são somente dois pingos no "is". Nem tampouco vou de branco e livro na praia ou piscina.

§

É tão bom a gente antecipar o que seremos quando todo mundo poderá ver que ficamos velhos. Eu vejo que rabugice só quer deitar em sua cama para voce fazer cafuné.
Pelo menos até "bater" outra ideia. Sumir por conta própria, e jamais voltar com mentiras ou lamentações sem tesão.

§

Sem televisão ligada com a família, tradição e propriedade; com a própria, fazemos um esforço sempre que queremos, para que a vida valha pelo menos 1 real.

§

Momentos com voce devem ser como são, os fatos relevantes da vida, e principalmente como são os filhos; são sempre seus, só a estupidez finge não ver.

domingo, 23 de agosto de 2009

Das Mágoas Mágicas



Muitas vezes precisamos encontrar um nome novo para determinada coisa, ou formas novas para lidar com as coisas.
Por exemplo, excelente como sinal de pluralidade ilimitada, o nome Coisa.
Tanto é supervalorizado quanto subvalorizado.

Vou tentar desenvolver um texto, com no mínimo 20 linhas e 2 palavras em cada, usando o nome coisa e que seja impossível dectar ou descobrir outro nome, e nem o próprio nome coisa; ou, talvez, contigentemente, a coisa nome.

Não estou conversando apenas com soldados da língua.
É capaz que não haja qualquer interesse além.
E é exatamente neste vácuo que origina os nomes.
Sem interesse algum o homem não pode sequer ser pensado.
Neste fato podemos encontrar a questão apresentada.
Os nomes estão para a identidade como o interesse está para o ser.
Assim, ser e ter não se separam. E este não deve passar na frente daquele.

Sabe-se que desde Voltaire não há possibilidade de mundo sem sentido.
Estar ganha estatuto e vai se somar ao Ser e Ter.
Estar, com tal sentido absoluto, acelerou a evolução humana na sua faculdade de conhecimento.
Muitos dos conhecimentos virtuais que tínhamos sobre questões práticas da vida se tornaram reais. A maçã colide com a cabeça de Newton.
A inércia deixa a natureza, é revelada e vai iluminar filósofos ingleses.
Causa e efeito também se revelam simultâneos e então continuação infinita.
Formam-se teorias novas para a inércia, para o infinito e o imediato, que vão vestir aquela trindade absoluta.

Ser ganha o sentido de inécia, Ter se encontra no infinito e Estar se representa no imediato.
Talvez os pensadores do início do século 19 foram os primeiros a aceitar que em tudo existe um óbvio oculto, ou indeterminado, porque ainda não possue nome ou não se faz representar plenamente aos nomes já existentes.
Seis décadas daquele século os pensadores ficaram trancados por dentro a sete chaves, eles detinham todo o restante do mundo virtual em que vivia a maior parcela da humanidade. E esta, sem orientação de pensamentos perseverantes, viveu sob uma saldosa instagnação da praticidade, paradoxalmente sem freios. Insinuava-se a revolução dos bichos.

As pessoas incomodadas ou disconfiadas procuravam os culpados.
Todas as atividades de ponta sentiram o efeito e se sentiram consequentemente a causa.
A inércia do repouso se fez aceleração, nova evolução perceptível ocorreu, a tecnologia foi gerada e nasceu.
Os pensadores sairam de suas tocas para estudar o fenômeno.
Avaliaram o sentido e tremeram.

Existem 100 milhões de galaxias prováveis, nelas um número improvável de estrelas e planetas.
Atenção: este número ainda infinito de estrelas, que perfazem a prova do número de galaxias, são apenas as luzes do que já não existe e do que se extingui com o passar do Tempo.
Sabe-se que o mesmo número de estrelas se formam, ao mesmo Tempo.
E ainda precisamos pensar sob a influência de Hegel.

Minha intuição e, concomitante inquietação, aponta para o quarto parceiro daquela tríade absoluta, o Ser, o Ter e o Estar.
E acredito que não devemos mais esperar pelos pensadores clássicos, nem tampouco se entregar ao absoluto virtual natural.
Virtual, desde que apareceu esse nome, sempre foi aceito como antônimo de natural, e com certeza é um enorme engano da civilização.
Tais enganos que mantém a inécia, a primeira categoria do Ser, que também corrompe o infinito e põe a carroça do ter na frete dos bois, e por sua vez, desterra o imediato e Estar deixa de existir, novamente; a volta, ou separação definitiva, inquestionável, do indivíduo ao estado "irracional".

A vaca continua no brejo das almas, se não são devoradas por jacarés e piranhas vistosas, coaxam feito príncipes presos em seus castelos da imagem dos outros.

Basta adicionar outro absoluto à vida, que já existe porque é óbvio, e não estamos enxergando.

Ficou fácil resolver o trabalho que me propus no início deste post.
Tão fácil, porém não consigo comunicar, em outro nome, ou de qualquer outra forma, e acelerar um mínimo a mais de linhas ou só mais uma única palavra além de mágoas: Magia.
Por que?

§

Minha amiga real e amada Danyelle
fez uma imagem maravilhosa das sequências básicas
para pensar o fiat lux

Ser - desejo - intenção - percepção - nomes das coisas - conhecimento - ação

Sua beleza me faz pensar que é uma irônia
um ser estar ter amar ao outro

O amor, sem palavras

§

Ah, se eu fizesse tudo que eu sonho.
Se eu não fosse assim tão tristonho
Não seria assim tão normal
Ah, se eu fizesse o que eu sempre quis,
Fosse um pouco mais feliz
Levantasse o meu astral
7 dias vão e eu nem fui ver
7 dias tão fáceis de se envolver
Ah, se eu tivesse fotografado
Se eu tivesse integrado
Ao mundo sobrenatural
Ah, eu seguiria o realejo
Desenharia o que eu vejo
No meu cereal
30 dias do mês que ficou pra trás
E eu sou só mais um desses meros tão mortais
Ah ah ah, se eu fizesse alguma diferença
Se eu curasse alguma doença
Com uma força genial
Ah, eu cantaria pra fazer sorriso
Eu perderia o meu juízo
Só pra ser especial
7 dias vão e eu não fui ver
São 7 dias tão fáceis de se envolver
30 dias do mês que ficou pra trás
Mas eu sou só mais um desses meros tão mortais
Mas ah, se eu fizesse tudo que eu sonho.
Se eu não fosse assim tão tristonho
Não seria assim tão normal
Ah, se eu fizesse o que eu sempre quis,
Fosse um pouco mais feliz
Se eu levantasse o meu astral

§

Marcia, gosto deste seu espaço
e o respeito como se eu fosse "dele".
Mas sinto o terror de Prometeu,
quando o assunto "não é" filosofia.
Porque, se aquele antigo Titan se salvou,
eu que só inspiro a imortalidade, ‘tô frito’.
Tenho dificuldades em ser popular.
Confundo a águia com o corvo, suas
melhores qualidades - visão e ponto
de vista, inteligência e vida em bando,
não me são estranhas, muito pelo contrário,
trato-as como aves que voam, apenas
por obrigação e jamais pelos tais símbolos.
Superei o terror de Adão, mas o atual ou
a versão grega, confesso que não consigo.
Eu sei que os Deuses não são perfeitos,
tanto quanto "as suas imagens e semelhanças",
que não podem confiar em toda as suas criações,
mas eu não acredito em meritocracia;
mormente os parâmetros, para julgar
ou criar os métodos, são só pessoais

http://colunas.gnt.globo.com/pinkpunk/

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Evil - depois dos sobrenomes



SÉTIMA ARTE - Ondskan

Como deter o "forte" que se diverte de produzir ou destruir nossas noites?

Não culpe o homem por suas fraquezas e, nas situações limites, onde voce pode ser o culpado, culpar seu suposto criador, literal ou metafísico.
Não se fortaleça prevenindo-se das situações limites. Nelas, sejam infames ou heróicas, voce que já saber ler, é capaz de entender que não importa mais nada além de sua atitude. Tardar e jamais falhar tem significado pejorativamente religioso, mas todos, sem excessões, compreendem o que quer dizer se redimir antes da morte.
Voce pode deter o "forte". E pode detê-lo antes que seja tarde, esquecer que não pôde detê-lo antes, e detê-lo agora.
Quem é o forte?
Eu perguntei para voce, quem é o forte?
Eu aceito comparações, pode fazer, mas jamais entre outro e outro, portanto, faça comparações entre voce e outro; pode ser comigo. Vamos lá, vamos ver quem é necessário para a vida. Voce que sabe encontrar muito bem culpados, vamos lá, se compare comigo, porque eu sou culpado e quero uma comparação.
Se voce quiser procurar outro para fazer comparações, alguém capaz de admitir as suas culpas para lhe agradar ou não apanhar mais, fique à vontade, mas é melhor não tentar deter o "fraco" por tanto tempo.

Estava lembrando um comentário Agod no espaço da vida não vale um conto. Um sujeito oculto vestido como indeterminado que consegue extrair poesia de situações insignificantes = adj2g Que não tem valor; réles; ninharia.
Posso e gosto muito de adicionar um pouco de pimenta no prato, deitar a excitação para apreciar o sabor do alimento.
Poesia é sempre bela? Precisa ser assim? A beleza, da poesia, é pimenta "forte" diferente da minha "fraca"?
Se adiciono um pouco de pimenta no meu alimento, o que será que adiciono aos meus estudos? O que há de diferente no meu trabalho? E na minha poesia, mesmo que jamais serei considerado poeta? A poesia é propriedade dos poetas?

A política é propriedade dos políticos? O senador está realmente consciente da sua própria vida, tem a si, tem família e amigos, tem sobrenome e nome a zelar, tem infinitas crias para se alimentar e não morrer de sede. O senador é um ser humano perfeitamente normal, capaz de ser estúpido ou sublime, nas situações limites.

Em 1978 quase fui esfolado por policiais na avenida Paulista, carregava uma faixa com a frase Partido dos Trabalhadores: "insignificante", para a época, e para todos que não se sentiam proprietários da política, por razões diferentes. Quantas razões podemos encontrar para viver?
A faixa foi uma lucubração, minha e do meu amigo Geraldo, entre futebol de rua e azaração de "galinhas"(LF) e meninas pobres ou ricas que não gostavam de estudar.
Não nos sentíamos de fora da política do país. Ele arranjou o material e eu pintei as letras garrafais de vermelho, ficaram inesperadamente perfeitas; até hoje verto lágrimas bem ocultas quando vejo as imagens daquela passeata na TV. Obviamente não aparece a surra que ele levou dos policiais. Não sei porque sinto-me talvez estúpido ao dizer que os homens naquelas fardas esqueceram seu "dever" e bateram no meu amigo com muita excitação, e havia poucas pessoas prestando atenção, dignas daquela cena espantosa, quase todas elas franzinas ou com as aparências padrão de fracassados(?).

O trem da história ignora os ignorados pelo trem da civilização. (Isso não é poesia se for plágio, ou se é minha, quando não sou poeta?)

O que é civilização? Mas antes de derramar lágrimas quando estas ainda existem, o que é um partido político? Ou, que é ser político?

Estamos em uma situação limite? Na política brasileira, e só na política? Se sim, então, desde quando? Voce se encontra em uma situação limite?
Por que voce se comporta como se estivesse sublimando o tempo todo certa estupidez do ser? Quem vai decidir o que é a sua estupidez? Os mesmo que decidirão quando voce é sublime? As pessoas dignas do seu amor? Amor é poesia? Amor é político? O que é amor? Eles sabem a resposta, e só eles? Quem são eles?
Ser estúpido ou sublime, quando e por que se fazem diferentes para eles? Eles se desculpam, apanham, rastejam e morrem, isso porque são sublimes?

Quando voce se olha no espelho ainda encontra aquele olhar confiante, ou já o esqueceu?

§

Naquelas clássicas perguntas De onde eu vim, O que sou e para onde vou, já estão subentendidos o espaço e o tempo, mas poucos levam isso a sério. Basicamente, a maioria aludi à Biologia, ou outros campos inferiores de conhecimento, tais como Teologia, Astrologia, Espiritismo e Niilismo, para negar qualquer referência pessoal subentendida. Isso para mim é uma situação limite. É o mesmo que querer ensinar Construções de Soneto para os soldados do crime nas áreas mais altas do Rio; lá onde eles se reúnem para comemorar raros aniversários em liberdade. Não vai haver escolha, ou voce será sublime, ou terá que pensar, neste caso específico e em outros semelhantes, como produto Norte Americano:

Eu fui xerife deste condado
Quando tinha vinte e cinco anos
Difícil acreditar

Meu avô foi um homem da lei
Meu pai também

Eu e ele fomos xerifes na mesma época
Ele lá em Plano e eu aqui mesmo
Acho que ele sentia muito orgulho disso
Só sei que eu sentia

Alguns dos xerifes da antiga
Nunca andaram armados
ninguém consegue acreditar nisso

Sempre gostei de ouvir histórias
Com o pessoal da antiga
Nunca perdi uma chance de ouvir

É impossível não se comparar
Com o pessoal da antiga
Fico só pensando como agiriam
Hoje em dia

Tem um rapaz que mandei para a cadeira elétrica
Eu prendi e testemunhei contra ele
Ele matou uma garota de 15 anos
Os jornais dizem que foi crime passional
Mas ele disse que não havia paixão nenhuma
Me disse que há muito tempo pensava em matar alguém

Disse que sabia que ia para o inferno
Que chegaria lá em 15 minutos

Eu não sei o que pensar disso
Não sei mesmo

Os crimes de hoje em dia
São difíceis de se entender

Não é que eu tenha medo de combatê-los
Eu sempre soube que para ser um xerife
precisa estar disposto a morrer

Mas eu não quero ser imprudente
E me meter com algo que não entendo

Teria que por minha alma a prêmio

Teria que dizer, tudo bem
Vou fazer parte desse mundo

Onde os fracos não tem vez
(Irmãos Coem)
§
CÍRCULO VICIANTE
Entendam como me sinto
Culpado e estou disposto
Não vou colocar a culpa
Nos Norte Americanos
Se assim fisesse
Juntaria-me a eles
Para culpar a Inglaterra
E a esta para culpar
Os eternos bárbaros
E assim por diante...
E, no fim de tudo
Do que me adiantaria
Saber que nunca deixei
De ser um bárbaro?
(Milhas Cabreiras, poeta Andatrílhos, 8000 aC.)

§

O sublime tem limites, se não ultrapassamos, o resto é história.
Não vamos gozar mesmo, aqui.
E não queremos ser estúpidos.
Quero falar com nosso amigo em comum.
Somos e temos, nós, amigos em comum?
Voce sempre teve Olhos de Serpente e, claro, todos nós; prefiro pensar assim.
E tenho muita paciência para aguardar provas à favor ou contra os meus pensamentos.
Não se preocupe, provas, contra ou à favor, não dizem muita coisa para os outros.

Acredito que no Brasil escondem as situações limites.
Mas não é só a mídia eventual, o presente como somas dos imediatos, que desaparecem de nós como se fossem insignificantes.
Não se vê, apesar de haver muita gente que vê, situações limites no dia-a-dia.

Brian de Palma, neste filme foi muito feliz.
Nos limites sempre encontrou as pérolas verdadeiras, aquelas que morreríamos com prazer.
Aquelas que, se não morrermos, nos darão certeza, e é o que basta, para procurar cada vez mais a redenção para si e para a humanidade, ou desistir de vez.
Nossos iguais norte americanos tem este fato que realmente falta para nós, e assim, quem percebe, ou alude uma situação de preconceito, ou aprende.
Como todo preconceito espelha contra o preconceituoso, prefiro ficar de fora.
Na juventude para conviver tinha que suportar este manto sobre mim.
Era asqueroso, na época.
Tentava se desfazer a qualquer custo, e apenas me debilitava.
Quando resolvi aceitá-lo, descobri a forma de viver livre, cruzar os dedos ou encarar.
Mas ainda não contava comigo. Vivia como se em uma encruzilhada eterna, um crucifixo na mão, na outra uma espada.
Não existe sorte, existe não repetir atitudes apreciadas pelos outros contra ou à favor da sua própria apreciação.
Não existe, jamais haverá cisão entre indivíduo e natureza.

Finalizando o post, a frase do senso comum que eu mais aprecio:
"A Carne maciça não subsiste sem a Carne sutil". Merleau-Ponty.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Recuperando Darwin





Quem conversar com quem se recusa a falar das flores, percebe imediatamente que ele duvida dessa fé cega e faca amolada usada tão somente para podar o jardim.


Eu acredito mesmo que exista a quarta pessoa do indicativo, acredito porque ninguém jamais me falou diretamente.


Não está nas entrelinhas, não está nas metáforas e nem sequer guardado no armário.


Isso é loucura, Mulher?


O senhor Modesto Carone sabe o quanto é difícil domesticar o espantalho fora do guarda roupas.

O espantalho, se vassilarmos, se apossa do ser e, sorrateira/literalmente coloca-o no lugar da sombra.


Então, é aí que toda evolução de nossa espécie vira uma esquina sinistra, assim quem evolui jamais é o ser, e tudo permanece maquiadamente como sempre foi: Ideologicamente "natural"!!!


E a Fernanda Torres escreve e dirige e atua na peça que promete nova abordagem do paraíso artificial. Sinto tesão em dizer isso: ela sabe que ser simplesmente carne e osso é inútil para garantir um paraíso natural, e neste país devemos repetir, repetir, repetir à exaustão, discursos universais da juventude até que as pessoas muito além das mais próximas enxerguem o óbvio: Pensar é naturalmente gostoso!


Depois de assistir, prometo um texto muito muito mais semelhante à realidade. Beijo.


Claro que o pensamento sistemático prevalece, não podia ser ao contrário, jamais.


Outro dia vi um furgão fiat encapado com propaganda da GNT, a chamada principal era as damas do Saia Justa.


Prestei muito mais atenção na foto da Márcia Tiburi.


Amor virtual prega peças, veste o espantalho enquanto dormimos, passeiam, escutamos enormes gargalhadas, acordamos... Naturalmente não era ela, voltamos a dormir com anjos.


E sonhar com um país melhor.


Mais Alice, menos Branca de Neve.


Façam poesia e filosofia para Marias Bonitas, e governem para Lampirônicos do Nordeste.
Mulher com maternidade na alma não precisa ser somente Amélias e Capitus.

Aonde está a Lucélia Santos? E o Marcelo Galvão? Deixem o Lirinha falar! E o Humbertão? Maria Rita Kehl, dá uma força, se a felicidade ficar insegura.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Quem falou de Deus no Brasil?



)For You, Triumvirat(
Me deixem, por amor de um Deus de como anda tudo
porque eu queria ser Belo Belo
queria, e isso não é um crime, crime de olhar as roseiras
de imitar e criar a mais linda rosa de...
Eu sei que eu teria a coragem de todos, de todos
todo
tudo
por que sou assim?
eu teria coragem de criar uma rosa de Hiroshima, e me sinto culpado
eu me sinto culpado de sentir esta culpa, Deus meu Deus
Eu, quase uma estupidêz
quero isso, isso e mais isso
e sinto tanta vontade de querer mais
Eu, quero mais
quero tanto que às vezes componho um verso
para um mulher sem mesmo saber do que é feita
não sei que existem carnes e pelos e peles e os olhos mais lindos
não sei de nada, eu
não sei nada que compõem por si mesma esta mulher
Eu não vou mais querer assim desmedido e cruel ou tão amável, cansei
cansei de verdade, enfim
meu saco está tão cheio, Deus meu Deus
eu quero somente paz e agora aprendi
o que vou fazer com a minha paz
Eu, as guerras em cada canto dos meus momentos
sofrerá
feito um cãozinho ainda jovem abandonado ao nada
nem ainda aprendeu seus pequenos truques de matar
de morder seus irmãozinhos
que saltavam tão bonitos quanto a mais Bela aurora deste mundo
tão vasto, tão infeliz, tão qualquer coisa que se possa sorrir
sorrir não mais para a minha musa, esta mulher que não posso tocar
não, sequer beijar seus sorrisos, até os mais irônicos e sagazes e contidos
)Music for Eletronic Violin And, Frank Zappa&Jean-Luc Ponty(
Eu, estou aqui
não importa quem me deixou ir assim
entrando em voce
Eu sou bem feio mesmo assim voce não me avistou chegando e propor uma situação tão inesperada
pegou a minha mão e saimos andando por trilhas tão complicadas e tão sem placas e sinais de onde voce
nem sequer esperava que existia um mundo assim tão descolorido
descolorido
porém
um a um a dois a tres a quatro a cinco a seis a sete a oito a nove a quanto tempo não mais fico lembrando
porque sou como voce jamais sonhou sequer contou nas escolas de sua infância
Hoje voce dança como há muito tempo não ousava...
)Eletronic Jacuzzi, Ghinzu( (início)
Corre sobre o teclado deste piano insandecido, corre como uma louca para fugir do pianista gigante, o negro
que apareceu certa vez em sua noite e sorrateiramente ocupou aquele escuro antes tão pouco assustador
e os violinos do seu coração gritam melodias anacrônicas para seus neurônios organizados do computador
e os sons do piano tentam assolar aqueles gritos que se tornam então graves e voce mais uma vêz se engravida
de ternura que lhe trouxe até esta web sonora e violenta quando se tem um violoncélo na banda mais visível e
também se compõe uma bateria de formas e cores batendo socando a pele os gestos qualquer sensação, um
relógio daqueles antigos da cabeceira pára para entrar a esquadrilha da tv rádio e letras agrupadas insensatas
tudo se passa pelo palco mais iluminado das ruas palmas seguindo um cortejo de ritmos gostosos e festivos, mas
a orquestra de repente pode se abafar por só um instrumento quando sabe que eu o negro deita a sua solidão...
)Disfarça e chora, Cartola(
- Voce não fala... Nem sorri... O sorriso da fotografia.
- Ctrl+B...
- Voce é mesmo o que pensamos?
- Ctrl+P...
- Impossível... O sorriso da fotografia.
- Ctrl+A...
- Ctrl+Z?
- Ctrl+H.
- Ctrl+D?
- Ctrl+L.
)O que será, Chico Buarque&Milton Nascimento(
Tem um segredo que todo mundo sabe e se coça porque é um segredo e não é de ninguém e, ainda bem, pensam que não é de alguém porque se fosse...

domingo, 16 de agosto de 2009

Quadros da vida - nos olhos



Eu não sei! Eu não sei!

Estas foram as palavras finais, no dia do casamento, há 4 anos atrás; ela se foi, e nunca mais soube notícias. Está respondida a sua pergunta, agora, relaxa. Estou pagando não é para conversar. Minha falta de experiência com as mulheres se deve a esta interrupçao brusca.

Passado alguns minutos ou segundos, não presto atenção em mais nada, contei também sobre como aconteceu. Não vou falar sobre ela, não perguntei sequer seu nome, e o corpo deve estar ainda quente; voce sabe, voce está fazendo papel de polícia aqui.

Eu não sei mentir. Abandonei a prática de embalsamador por isto, quando não importava meu talento, estilo, capacidade e poder de transcender, tornar o real mais real para assim confirmar que podemos ser mais além do meros humanos; ninguém acreditava e ainda me insultavam.

Meu pai morreu quando eu tinha poucos anos. Fiquei somente junto a minha mãe até o dia em que brigamos pela primeira vez, eu queria uma festa de debutante, e ela dizia que eu não era uma menina. Como se eu precisasse que me dissessem sobre a minha realidade. Um homem é homem, a mulher é uma mulher.

Parei de estudar e virei punk, entrava em casa só para me alimentar e usar o guarda roupas. Vagava pelas ruas e dormia dentro de vagões de trem, em construções abandonadas e debaixo dos viadutos. Usei drogas e tive relações sexuais até com a minha cadelinha, Bel.

Consegui ser o único punk sem usar roupas e símbolos. Escrevia poemas e mandava cartas para o jornal Folha de São Paulo; eu só gostava desse jornal porque tinha fama de moderno. De uma forma ou outra estava lutando para ser moderno também - esta vontade, confesso, era a única linha frágil que me prendia a respeitar o chamado "politicamente correto".

Também lia muito, lia tudo, aos poucos me transformei em um mendigo de livros. A princípio todos me ajudavam; eu entrava em restaurantes e pedia um livro emprestado ou dinheiro para comprá-lo, prometia com veemência devolver o livro e uma resenha em especial para cada pessoa, e as pessoas pensando se tratar de uma finíssima ironia. Mas, graças a Deus, não existe ironia que não se acabe.

Em dia radiante, um domingo, fui para casa, no afinco de abandonar a vida sem sentido que levava, encontrei minha mãe com um amante no sofá da sala; jamais esperava ver minha mãe feita uma puta, se exibindo e transando com um desconhecido.

Os dois tentaram me desculpar e eu fingi que estava tudo bem. Eles se vestiram, minha mãe ligou a TV, mas eu não conseguia assistir nada, o cara tentava me fazer perguntas, bancando um tipo de pai. Tentava forjar simpatia, então me ofereci para preparar um suco. Fui até a cozinha e esqueci meu propósito.

Tentando lembrar, percebi que meu pênis estava duro, e não entendi. Fiquei mal, deu ânsia de vomito, a cabeça doía horrivelmente e sentei na cadeira quase desmaiando. De repente o mal estar se dissipou. Fiquei muito feliz e também não entendi. Fiz o suco de amora assoviando Lou Reed. Coloquei três copos com muito gêlo e um pouquinho de cianureto em cada. Ultimamente era o cianureto que tomávamos como opção da barrigudinha.

Levei os sucos na bandeija juntamente com enormes azeitonas pretas. Bebemos e nos entendemos como se fosse uma família tradicional. Conversamos sobre coisas "insignificantes" como tentam ser as pessoas mais singulares do mundo. Rapidamente parti em mais uma viagem estupidamente maravilhosa. Quando voltei, encontrei minha mãe e o cara caídos ao chão; terceira situação que não entendi, no mesmo dia.

Eu lembrava o que fiz, mas acho que fugia o sentido. Joguei o corpo do cara no rio Tiête, depois chamei a polícia. Antes, claro, recolhi tudo que é pequeno e valioso, e todo o dinheiro que guardávamos em sociedade na casa e enterrei entre as raízes do carvalho, nos fundos.

Depois que me vi livre daquele problema, que sentei no sofá para assistir um filme, Táxi Drive - gosto deste filme porque queria ter um pai também para matar - lembrei da minha mãe.

A partir deste instante, uma semana se passou sem que eu pudesse dormir sequer alguns segundos. Foram os piores sete dias da minha vida; pensava em Deus apenas como compaixão pelo seu esforço de criar o mundo.

No sétimo dia precisa acabar com o meu sofrimento, então quis me redimir, assim como Ele, criei um homem bom, e seu limite para jamais querer ser melhor que ninguém, a total e irrestrita extirpação do mal.

Eu precisava recompensar portanto todo o mal já feito. Desenterrei minha mãe e a embalsamei.

Aos poucos fui aprendendo inclusive a lhe devolver também uma vida ainda melhor do que ela jamais poderia conseguir sozinha.

Muito adoentada, a idade avançava, ela preferia ficar na maioria do tempo à janela, de onde pode vigiar meu hotel. Ela implicava com isso. Ela queria que fosse, também, a dona, queria mandar em tudo; falando a verdade, tinha momentos que até pensava em matá-la, mas "jamais um filho, se for um homem bom, deve matar uma mãe, nem em último caso, lembre-se sempre disso, Norman".


E o resto eu já disse, está no filme, que já até fizeram continuação; aqueles miseráveis.

sábado, 15 de agosto de 2009

O homem no vale dos medos



Um poema de meu poeta/mor, que creio exato para lhe mostrar como exemplo de destinatário individual, sem a confusão com o 'indivíduo particular ou pessoal', o mais seguro caminho para o "inquestionável" indivíduo universal. Onde individualismo se diferencia de egoísmo.
Mas antes, vamos prosear um pouquinho.
Concordei com a irõnia desde o princípio porque é a verdade.
Talvez pelos meus 49 anos pude flertar mais uma vez com o medo, sem no entanto me espantar, porque costumo assistir diversas vezes aos grandes filmes, produtos diretos e indiretos da ideologia norte americana.
Tudo aconteceu como se fosse o vale das sombras.
O homem em sua atitude insana para voltar ou transcender às origens: quando não havia nomes, sequer visibilidade.
A irônia não nasceu depois do espanto, como eu disse em comentário aqui, ontem;
ela é sempre uma decisão tomada;
e o cinema se farta deste fenômeno.
Fernando Meirelles construiu uma excelente cópia desta realidade, por saber que esta não pode ser criada em cativeiro, porque não temos tal capacidade.
No seu filme O Ensaio da Cegueira retratou o tema do herói, como um verdadeiro mestre, apontando para as estrêlas, e o verdadeiro aluno enxergando o futuro.
Mas tudo ainda pode estar acontecendo, e não por questão de sorte, costume ou genética, poderemos seguir para além da irônia.
Mormente, sem ela, nos entregamos a uma letargia tão agradável que, se alguém questionar, temos outras mil questões de significados mais alegóricos do que reais, para responder. Como se, filosofica/poeticamente falando, com a morte de Deus, morreu também NOSSOS HERÓIS e, claro, nossos pais e ideais.
Há pensadores que defendem esta "naturalidade" típica de um modelo de civilização.
Tal idealidade de "natureza" humana é o sonho da propaganda e marketing; basta excitar o homem com simulacros dos Mortos.
Há muito espanto quando nos colocamos diante de tais modelos.
Eu também disse isso, que serviu como exemplo, que omiti por irônia, porque a maioria dos leitores não dariam atenção e não, a exemplo tambem, porém desnecessário "ruminar" agora, teriam tempo.
M. Night Shyamalan ilustrou muito bem, no filme A Vila, como a modernidade, ao tentar resolver todos os problemas, questões e desejos do homem, também o transformou em sua própria sombra.
Estamos todos convivendo em um imensurável vale das sombras, e como sombras, se alguém se espantar, tenha certeza absoluta, alí voce poderá encontrar vida.
Infelizmente, não evoluimos "o bastante" para aceitar e compreender o motivo de nossos espantos.
Finalizando este texto/comentário mais elaborado, fica uma pergunta, pelo menos em mim, que não quer se calar, mesmo quando todos nós já sabemos a resposta(?):
Se o homem se tornou sua própria sombra, nós somos sombra de que ou de quem?


§


Eu, etiqueta
Em minha calça está grudado um nome
que não é meu de batismo ou de cartório,
um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
que jamais pus na boca, nesta vida.
Em minha camiseta, a marca de cigarro
que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produto
que nunca experimentei
mas são comunicados a meus pés.
meu tênis é proclama colorido
de alguma coisa não provada
por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro
minha gravata e cinto e escova e pente,
meu copo, minha xícara,
minha toalha de banho e sabonete,
meu isso, meu aquilo,
desde a cabeça ao bico dos sapatos,
são mensagens,
terras falantes,
gritos visuais,
ordens de uso, abuso, reicindência,
costume, hábito, premência,
indispensabilidade,
e fazem de mim homem-anúncio itinerante,
escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É doce estar na moda, ainda que a moda
seja negar a minha identidade,
trocá-la por mil, açambarcando
todas as marcas registradas,
todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
eu que antes era e me sabia
tão diverso de outros, tão mim-mesmo,
ser pensante, sentinte e solidário
com outros seres diversos e conscientes
de sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio,
ora vulgar, ora bizarro,
em língua nacional ou qualquer língua
( qualquer, principalmente).
E nisto me comprazo, tiro glória
de minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu que mimosamente pago
para anunciar, para vender
em bares festas praias pérgulas piscinas,
e bem à vista exibo esta etiqueta
global no corpo que desiste
de ser veste e sadália de uma essência
tão viva, independente,
que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
meu gosto e capacidade de escolher,
minhas idiossincrasias tão pessoais,
tão minhas que no rosto se espelhavam,
e cada gesto, cada olhar,
cada vinco da roupa
resumia uma estética?
Hoje sou costurado, sou tecido,
sou gravado de forma universal,
saio da estamparia, não de casa,
da vitrine me tiram, recolocam,
objeto pulsante mas objeto
que se oferece como signo de outros
objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
de ser não eu, mas artigo industrial,
peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem,
meu nome novo é coisa.
Eu sou a coisa, coisamente.
Carlos Drummond de Andrade
O corpo. Editora Record, 1984.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

A arte de cuidar das pessoas


CLOSER
Hoje fui disposto a conferir se uma doença, no meu ser, ainda me arruina.
Ela é amiga, na maioria dos momentos de meu olhar, estes são, eu sei, uma concessão para agradar a sociedade.
Geralmente esta barrela ocorre em recepções e corredores, onde a vida precisa seguir por muito tempo; eu sei.
E eu ainda não tenho um nome e os nomes precisam das pessoas.
Eu a amo e não troco este sentimento por um nome.
Não podemos estar plenamente, quando o majorotário comanda e quase caça amor em exposição.
Estou escrevendo de voce, porisso quero brincar de White Rabbit, paquerando alices.
Voce precisa parar de adorar a minha liberdade tão precária.
Quem consegue viver depois de arruinado?
Enquanto as pessoas lutam por uma ou outra cura, estou literalmente brigando contra milhões.
Só para não existir o risco de perder este amor.
Mais ou menos 2 meses atrás, brinquei de ganhá-la logo depois de perdê-la, quase morri.
Espero não ter perdido nada.
Voce é a minha doença mais saborosa.


Delitos contritos
in seven atractive
1
Escrevo sem excluir
excreto sem escusar
2
só a parar certa frescura
e aparar incerta feiura
3
que não soa o que sou
vinho suave poesia sêca
4
que sua na sua pele nua
poesia suave vinho sêco
5
bebida bêbeda bebedourada
bebedouro bebedura beberrado
6
bebelouca bebedisse bebelema
bebefacto bebepacto bebelacto
7
e etílicos eticétras mais tais a mais
saideiras ressacas poema poema poema

LIBRO MUTO

O Homem e o Lobo
Um Homem disse a um Lobo: - Se tu não
fosses tão arrogante e prepotente,
ganharias a vida honestamente
e terias a minha proteção.
- Prefiro a liberdade a ter patrão,
o Lobo retrucou, de resto
se eu fosse bom e me tornasse honesto
me tratarias como a um cão.

A focinheira
- Sabe que sou fiel e afeiçoado,.
dizia o Cão ao Homem, e disposto
a tudo, mesmo a ser sacrificado
cumprindo as suas ordens. Isto posto,
quero falar, agora, com franqueza:
a focinheira põe-me depremido;
por que não dá-la ao Gato, que é fingido,
apático e traidor por natureza.

O Homem responde: - Mas a focinheira
lembra sempre a existência de um patrão
que te protege e, de qualquer maneira,
é quem te ampara e te garante o pão.
- Já que assim é, o dito por não dito!
corrige o Cão, desculpe-me a besteira.
E, desde aí, com ar convicto,
passou a falar bem da focinheira...

(Versos de Trilussa, trad. Paulo Duarte)

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Eram Homens os Pensadores




Eu deveria mesmo ficar zangado com as inúmeras etiquetas que me convém, enquanto me faço um objeto entre outros objetos de claras ou obscuras ansiedades?

Com esta pergunta encerrei a semana passada e iniciei esta.
Procurei uma resposta razoável em diversos espaços, músicas, cinema, livros, revistas, internet e dialogando com pessoas, essas sem qualquer tipo de distinção. Sempre lembrando que, tal multiplicação de rótulos para um mesma 'coisa', é o mesmo que faz a avestruz ao enfiar a cabeça na areia. Mas como não sou predador, vi interesse em saber por que isto vem ocorrendo com bem maior frequência.
Lembro que cheguei muito próximo da resposta, ontem à noite, quando passei na casa do Vilmar, amigo desde muito tempo - ele se assemelha 'visualmente' com o Moser, o amigo do Luciano Fraga.
Vilmar, acreditem, estava a mais de 4 anos sem carteira de identidade. Ontem ele tirou uma segunda via e na forma que a levantou como se fosse um troféu para me mostrar, eu quase pensei que estivesse terminada aquela minha procura.
Troféu? Realmente é muito estranho, "deletei".
Hoje, ao acordar fiz o que sempre faço, ligo este espaço de comunicação; sempre por 1 hora depois do banho e antes de sair para caçar meu sustento.
Após garimpar as melhores notícias do hiper mundo e sorver cuidadosamente o supra sumo de dezenas de blogs, de repente lembrei da minha resposta àquela pergunta do início deste post, n'outra paragem diária e particular.

Faço questão de muito respeito às palavras desta senhora, Marilena de Souza Chauí.

" Ao percorrer algumas das leituras feitas por Merleu-Ponty não nos ocuparemos com os pensadores que o instigaram nem com aqueles que foram por ele criticados.
Também não nos refiriremos àqueles que foram lidos na esteira da discussão de alguns temas determinados -
Marx e o movimento da história como luta de classes e o ocultamento das divisões sociais pela ideologia,
Freud e o estatuto do inconsciente como tempo simultâneo e linguagem,
Saussure e o surgimento da linguistica estrutural apreendendo a língua como sistema de puras diferenças internas,
Mauss e Lévi-Strauss na contribuição para instituir a antropologia social descobrindo o pensamento selvagem e a estrutura do pensamento nascente,
Watson e os behavioristas ou os psicólogos da Gestalttheorie na discussão do comportamento como práxis,
Descartes e o legado da dicotomia coisa-consciência ou a cisão do espaço da metafísica.
Estamos interessados naqueles que o filósofo leu procurando captar o movimento de um pensar que se fazia pensamento.
Hursserl, Bergson, Montagne, Maquiavel, Einstein.
Nestas leituras, o que parece ocupar Merleau-Ponty não é tanto o lado sistemático das obras.
Evidentemente, não nigligencia a lógica interna e a coerência conquistadas por elas.
Porém, seu interesse maior parece estar voltado para os impasses, os paradoxos, as súbitas guinadas do pensamento que, no entanto, estavam preparados pelo caminho percorrido. Interroga esses pensadores em múltiplas direções:
O que suscita uma certa idéia?
Que movimento secreto anima as palavras do pensador?
Que interrogação o move, levando-o mesmo a mudar o curso de seu discurso?
Que inquietações o fazem seguir numa direção e enfrentar becos sem saída?
Se Merlau-Ponty oferece respostas a essas perguntas, é porque deseja saber o que as engendrou, qual o contexto que dava sentido às questões e às soluções, quem era aquele que interrogava e escrevia."

Marilena de Souza Chauí tem vários livros, mas para quem estiver a procurar um sentido da vida, leia Da Realidade Sem Mistérios ao Mistério do Mundo.
Tenho-o desde 1981, da Editora Brasiliense; ocupou o centro de minha cabeceira para jamais sair.
Dividido em 3 partes, voces poderão conhecer três pilares do conhecimento humano: Religião, Vida "comum" e Vida "psicológica".

Portanto, a quem, por vias das dúvidas quiser saber, não fiquei, nem fico ou ficarei zangado.
E a minha resposta razoável?
Eu a encontrei, lembro, muito tempo atrás, quando...

§

Com toda certeza, a maioria das pessoas que ler este post de hoje, não vão saber o motivo, e peço, não sintam culpa alguma. Outras, sabendo apenas o motivo, talvez não entendam de filosofia, e tambem peço que estas não sintam culpa alguma. E, outras também, sabendo só de filosofia, peço que se mordam muito, inclusive o próprio rabo. A estas, especialmente, peço encarecidamente, que não usem tal grande conhecimento da vida para me atacarem levianamente. E àquelas pessoas que não sabem nem do motivo e tampouco filosofia, peço que continuem comigo, para, no mínimo, sentirem-se confortáveis, porque são todas, todas as pessoas, são benvindas.
O que é melhor, tratar a vida, que é séria, na brincadeira, como se tudo fosse festa, para assim ter uma ilusão de felicidade, ou tratar com seriedade tudo, inclusive as brincadeiras, festas e ilusões, brincando, festejando e se iludindo dentro de uma medida justa?
Obviamente, para responder esta derradeira pergunta de hoje, não é preciso ser filósofo, qualquer pessoa pode, com certa facilidade.
Pertinente ao motivo, que tem muito a ver, não somente, é claro, com este espaço de comunicação, internet, recomendo que assistam, ou reassistam, ao filme Closer.
Neste filme contém muita coisa que toda a filosofia (sistemática) jamais vai saber responder sobre o sentido da vida.
Por esta razão, digo que filosofar é saber aprender a cada nova experiência.
Contudo, eu não sou filósofo.
Melhor ainda, sou um ignorante, porém com extrema fome de aprender a pensar, escrever e, enfim, filosofar.

sábado, 8 de agosto de 2009

Old loves Die Hard


Aonde está a minha ilha virgem?

Vejo sinais mínimos nas gaivotas corajosas

que vivem como pombas em praia tomada pelos humanos.


Aonde está o meu continente sustentável?

Recebo notícias raras dos recônditos de universidades

que descobrem novas energias nas bostas das bactérias.


Aonde está o meu prazer inviolável?

Alcanço sua sutileza terminal nas imagens e letras

estupradas pelo cinismo como gesto tão natural.


Aonde está a minha dor existêncial?

Ainda a recordo entre espasmos artificiais

para pagar qualquer tipo de visibilidade ao outro.


Aonde está a minha razão?

Imagino ainda gemendo após apedrejada na praça

para lavar a alma do povo de seus sonhos de luxúria.
§
INTERTEXTOS

ZAYANDE (“The one who gives life”)
Lloyd Schwartz with Rogério Zola Santiago

In Iran there’s a river
that comes down from the mountains
with no desire whatsoever
to throw itself into the sea.

It prefers to go to go to go
nowhere
without explaining
its motives for moving.

It races past us
on its travels,
its departure part
of its own brief arrivals.

Like a rushing train,
that makes a home
of each station it passes:
it moves on; it remains.
Transitive verb of being:
to be
is both the being
and the what’s-going-to-be.
Lovers families children flowers
all will testify:
the river stays in their lives
never intending to stay.

Where it came
from, it knows,
and knows where it
wants to go.

Though it starts high among the snow-caps,
its ocean is the desert,
and what’s waiting for it
are whitecaps of sand,
shoals of hard rock
and bitter earth-apples
covered with the grit
of a bitter underground sea.
To fulfill its destiny,
this river,
saint-like,
has taken its name
from its harshest surroundings—
stripping itself
of the anxieties
other rivers have
as they daydream
of joining the sea,
—giving up everything
to be fried
in the desert’s pure flame.

When others find its path strange,
and go rattling on
about the marvels of the sea,
the river will whisper
to its fishes: Listen—
the desert is my other half.
Who wants be
just another river
dribbling into the sea?
What a dull way for a river
to achieve glory.
The ocean, I know,
would take me in. But my fate
is this:
to live within my own limits;
and to make the desert come alive.
It’s written into my name.

RIO ZAYANDE, O QUE DÁ VIDA
Há no Irã um rio
que descendo das montanhas
não tem desejo algum
de lançar-se no mar.

Prefere ir ir ir
a lugar nenhum
se é que assim se pode
definir seu passar.

É que ao passar
faz do passar
seu passageiro
chegar.

É como um trem que passa
mas em cada estação que chega
chega para ficar.

Assim ele passa
e está sempre lá.
Assim transitivo
ele é
- e ele está.

Amantes
famílias
crianças
flores
podem testemunhar
que esse rio passante
ficou em suas vidas
sem pretender ficar.

Ele sabe
de onde veio
e aonde vai chegar.

Desceu das neves
mas o deserto
é seu mar
esperam-no
ondas de areia
cardumes de pedras
frutos de terra dentro
do agreste mar.

E para que o encontro
com seu destino
seja exemplar
esse rio
como um santo
vem se adaptando
à circunstante aspereza
vem se despindo
das ânsias
de outros rios
que devaneiam com o mar
vem abrindo mão de tudo
para no fogo do deserto
se purificar.

Quando estranham seu trajeto
e lhe contam
das maravilhas do mar
com seus peixes considera:
-Não sabem que o deserto
é meu complementar
não quero ser apenas
um rio a mais
se diluindo no mar
essa é forma banal
de um rio se gloriar.
O mar, eu sei
me aceitaria
mas minha sina
em meu nome inscrita
é essa:
ir vivendo em minhas margens
e o deserto
fecundar.

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