sábado, 26 de junho de 2010

Deus esquartejado não serve de alimento

"Há dois modos de pensar:
aquele que concebe a existência
das coisas fora do espírito
- as idéias -
e aquele que não representa
nada fora de si mesmo
- as imagens enquanto afecções
de nosso corpo na relação com outros"
(Marilena Chauí, sobre Espinosa, no livro
Da realidade sem mistérios
ao mistério do mundo)

Pode parecer muito estranho, quando se encontra pessoas que lêem muito, se comportando como se nunca houvesse lido porra nenhuma.
O maior indicativo desta surpreendente contradição é o tempo atual, onde o maior, ou talvez o único problema que a ciência está realmente impotente para solucionar é a superpopulação do planeta. E, exatamente onde aquele estranhamento se torna tão semelhante a qualquer paradoxo original, jamais a ciência, enquanto já categoria do conhecimento, também não é capaz de se ver livre da leitura, do registro, do fundamento da história, enfim, do livro.
Qual é a causa desta impotência atual? O que causa esta simulação de ocultar um embasamento histórico no dia a dia coloquial?
Entendam como queiram, mas estas questões são essenciais para salvar o planeta.
Quem quiser compartilhar, sem repetir mais das mesmas atitudes paliativas e ou capciosas, tanto ecológicas quantos filoantropossociológicas, sejam benvindos.
Não é uma conversa de bar, claro, mas o clima pode ser o mesmo.

Vamos pedir piedade, Senhor
Piedade, para essa gente
Careta e covarde


Era uma vez um anjo

E o menino nasceu, e logo queria mais
E ele então crescia, e mais queria
E se tornou jovem, e queria ver envolta
E se fez adulto e quis ensinar

E amar, e sonhar, e assim queria mais viver
E portanto conseguiu morrer, mas não bastava
E quer ser lembrado, e assim querendo os outros
E não satisfeito, quer ainda o impossível

E o menino está esquecido, e ainda quer mais
E quererá sempre, que atirem a última pedra
E amará outras vezes mais o fim das invejas
E sonhará que Lhe devolvam cada pedaço

4 comentários:

Lara Amaral disse...

Gostei muito do poema no final do post.


E li a matéria da Cult que vc indicou na resposta do post anterior. Não vou comentar, mas está registrado. Interessante e bem escrita, já discutimos coisas parecidas na época do curso de jornalismo.

Abraço, Devir, obrigada pelos comentários no Teatro.

Valéria Sorohan disse...

A psicanálise continua sendo importante instrumento de auxílio no combate à angústia do homem pós-moderno. Freud explica...rs

BeijooO*

Devir disse...

Lara, perdoe-me a demora para responder ao seu comentário; algo que realmente faço muita questão, inclusive desde sempre acreditei que este espaço dos comentários é tão, ou mais, importante do que as postagens.
Então, aquelas preocupações jamais me abandonam, porque são urgentes; pertinentes a nós, por que não?!!

Também agradeço muito e acredite, fico muito feliz com voce aqui.
Muitas vezes sequer vislumbramos nossa importância no devir.

Devir disse...

Valéria, rss, nessa pós modernidade, como se apresenta por efeito midiático, se procurássemos o "combate à angústia do homem", estaríamos ou seríamos todos pscanalistas; ou estou enganado, mas isso está quase por acontecer.

Pensei ter te visto lá na praça Benedito Calixto, sábado, por pouco não fui tirar a dúvida. Estava eu e meu filhotão voltando do HC, descemos andando a Theodoro, era um fim de tarde maravilhoso, para beber um tiquinho para desangustiar o que se passava com a gente.

Tá valendo, ae, beijo